Mídia Asséptica
Tem tanta coisa que nem sei por onde começar. São vários assuntos, meio desconexos, mas conectados. Começo pelo Datena, que mudou de opinião depois de saber que o público era favorável aos protestos em SP. Na sexta, quando assisti o Brasil Urgente, o programa ainda tentava surfar no embalo dos protestos de rua. Mas havia menos manifestantes que policiais e jornalistas. Diferente do que ocorreu depois, em Brasília, Rio e, hoje, em BH. Já o Marcelo Resende mantinha a opinião de que todos eram baderneiros e oportunistas. Negava-se a tratar do fato enquanto a direção da emissora não ordenasse diferente. (Mais pra frente volto ao caso do Cidade Alerta).
No sábado tivemos as vaias para a Dilma e Blatter, na abertura da Copa das Confederações. E mais protestos no entorno do Estádio Nacional. Assim como no Marcanã, domingo. O curioso foi reparar como as principais emissoras trataram os fatos. Se pudessem deletar isso e continuar com o evento asséptico, inodor e incolor… Teve emissora, daquelas com 24 horas de notícias, que, na manhã de domingo, nem tocou no assunto. E olha que assisti 2 blocos, inteiros, de notícias. Mais tarde, no Band Mania, no meio do oba-oba e confetes, o Sandro Gama, no entorno do Maracanã, fez um gesto com a mão e disse: “Lá atrás temos alguns manifestantes.” E foi só!!
A Globo tentou até evitar as manifestações. Mandou aquele VT obrigatório sem a parte das vaias. Aí os outros orgãos reclamaram e ela enviou um material novo, incluindo a vaia contra a Dilma e o Blatter. Mais emblemático, impossível.
A ESPN, até por não transmitir os jogos, teve tempo de sobra para abordar as manifestações. E cada participante do Bate Bola e do Linha de Passe teorizou sobre o ocorrido. Concordando ou não com as opiniões, melhor isso que jogar a sujeira pra baixo do tapete.
Tenho minha opinião sobre a origem e intenção desses protestos de rua. Assim como sobre as vaias. Mas ela não cabe aqui. E peço que os leitores não entrem em discussões partidárias. O assunto da coluna é discutir como a imprensa reagiu aos fatos. Ou, prefiro assim, como ela editou a realidade.
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A Copa das Confederações está no 3º dia e já cansei dessa coisa de editar a realidade. Não que eu esperasse algo diferente, mas a minha paciência está encolhendo. Sábado, no intervalo do jogo do Brasil, o Luiz Carlos Jr, ao mostrarem as arquibancadas meio vazias, pegou pra explicar que agora, com assentos numerados, o torcedor estava indo nas lanchonetes, estava pegando uma bebida, e depois voltaria pro lugar, que a ocupação era total. Ora, ora, ora… Qual o problema se alguém pensasse que o estádio estava vazio? Qual a necessidade de explicar que o torcedor pode ir pra lanchonete e voltar? Sempre foi assim, mesmo sem assento numerado.
E o marido da Janaína continua firme no seu trabalho de catequese. Foi só aparecer um japonês no meio dos brasileiros e o Luiz começou a ensinar como os nativos devem tratar os turistas, que não devemos agredir os visitantes, que o turismo é uma fonte de receitas e blá, blá, blá. Olha só, os turistas não são maltratados no Brasil. São bem recebidos, diferente de outros lugares. Se eles evitam o Brasil é por outros motivos. Muitos outros motivos. Mas isso é outro papo. E vamos deixar os nativos em paz. Eles já estão pagando a conta dessa festa.
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Outro coisa irritante é essa empolgação vazia que a Globo e Band tentam propagar. É totalmente sem noção. Idiota. Irreal. Mentirosa.
Eu tenho um ótimo “termômetro” aqui, os vizinhos. Sempre que tem jogo, e sai um gol, começam os gritos, berros na janela, fogos, buzinas… Tem dia que nem preciso ver o resultado do futebol, a gritaria já denuncia o vencedor. Pois no jogo da seleção, apesar dos gols, o silêncio foi ensurdecedor. Sério, nem um gritinho de alguma Neymarzete deslumbrada. Nada!
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Se a Globo e Band querem inflar o orgulho nacionalista, devem começar pelos seus contratados. Dias atrás, por exemplo, o Neto soltou um sonoro: “… Tomar no c* a seleção. Vamos falar do Palmeiras.” E o áudio vazou.
Se essa é a opinião dele, tudo bem. Mas o Neto tem que manter a coerência e falar isso todos os dias. E durante os jogos da seleção em que estiver comentando. Aí sim!
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Voltando ao caso do Cidade Alerta (que citei no 1º bloco)… Eu estava vendo o Brasil Urgente e resolvi conferir se o concorrente estava explorando o mesmo assunto. Mas estava no intervalo comercial; intervalo longo. Voltou o Cidade Alerta e o Marcelo começou a contar o caso de uma ex-miss e do namorado dela. Narrando sobre imagens de arquivo. Nem 1 minuto de matéria e, emendando, entram imagens de 2 garotos brigando no que parecia ser o pátio de um colégio. E o Marcelo Resende começa a gritar e falar da briga. Isso por 30 segundos. Aí ele chama o intervalo dizendo que na volta mostraria o resto do caso. E vem outro intervalo, de uns 4 minutos. Volta o Cidade Alerta e o Marcelo Resende, em tom professoral, começa a analisar os protestos em São Paulo, dizendo que eram oportunistas, que não iria noticiar nada, só se o dono da Record mandasse.
Pombas!!! Que programa esquizofrênico é esse??? Cadê a matéria da ex-miss Brasil? Cadê a briga dos estudantes? De onde saiu o caso das manifestações de rua, que nem era debatido? Isso sem falar que enfiaram um bloco de 1 minuto e meio no meio de 2 blocões de publicidade. Deve ser uma nova forma de fazer televisão. Com ecstasy!
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Já falei nisso e volto ao caso: A Band News precisa acabar com aquela barulheira do som ambiente. Tá demais. Parece que o apresentador tá no meio de uma churrascaria. Quando volta das matérias, então…
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Na semana passada quase não tivemos Jogando Em Casa. Teve futebol, vôlei, enfim… Mas no dia em que assisti, o Jorge Iggor passou uns 10 minutos explicando a super novidade do programa. É o jogo da velha, #. Sim, caríssimos, o Jogando Em Casa é o 1º programa do universo que permite usar # pelo Facebook. Não é totalmente excelente???

Outro dia o Alexandre me passou o link pra uma notícia informando da venda de parte do Esporte Interativo ao grupo Turner. O negócio envolve 80 milhões de Reais por 20% do capital do EI. Mas sem a saída de nenhum dos atuais sócios, só com o aumento do capital.
O primeiro assunto é inevitável. Só se fala em outra coisa. Mas a saída do Gugu da Record era meio previsível. Pelo menos eu não fiquei surpreso. Havia o descontentamento dele, o da emissora, a questão financeira. Então esse era o caminho lógico.
Eu já estava com o assunto engatilhado, aí, semana passada, o Alexandre veio me perguntar sobre a atual situação da ESPN. Está bem claro que a emissora deu uma cochilada nos últimos tempos. Ninguém duvida da capacidade de seu jornalismo, da estrutura técnica e de seus profissionais. Mas é inegável que a ESPN perdeu mais eventos do que poderia.
Novamente no estilo curtinhas. O principal evento da semana é a final da Champions, sábado. A ESPN, como de hábito, e 