Balanço Final dos Jogos
E finalmente acabou a maratona olímpica. Já estava saturando mesmo. Mas vamos fazer um rescaldo da transmissão:
- Entre o Sábado e o Domingo a Globo botou o Cléber Machado pra narrar a final do basquete masculino. O jogo acabou lá pelas 4h e tanto. Pouco tempo depois, antes das 9h, o Cléber já estava narrando a F1 - no tubão, é claro. No máximo ele pode ter dado uma cochilada no sofá do camarim entre uma transmissão e outra. Mas, uma pergunta, precisava? Será que a Globo não tinha outro narrador pra fazer o basquete?
- Pelo menos uma passagem de avião (2 se pensarmos na volta) a Globo poderia ter economizado: do Pedro Bial. Foi totalmente dispensável a sua participação na olimpíada. Aliás, isso de transformar qualquer coisa em crônica já está enchendo a paciência. E fico imaginando o Bial na cadeira do dentista: “… mas o que seria uma cárie, doutor? Uma mancha na alma? Um buraco no espírito? Ô, se as cáries pudessem falar! Se elas pudessem cantar…”
- O Silvio Luiz estava narrando uma partida de handebol no meio da madrugada. Aí, como sempre faz quando a monotonia vai tomando conta, ele começa uma daquelas conversas paralelas com o Márcio de Castro, que comentava. O Márcio ia informando que a geração do handebol estava a cargo da televisão finlandesa (ou algo assim), que o beisebol era gerado pela tevê cubana … Daí o Silvio pergunta se alguma tevê brasileira havia gerado algum evento. Silêncio de uns 10 segundos… Talvez a resposta tenha sido gestual ou fora dos microfones. Então o Silvio diz: “Vôlei de praia? Noooooosa! Que coisa mais difícil, que trabalhoso. Uma redinha, a praia, o sol…”
Para quem não sabe a geração do vôlei de praia foi da Globo. Bem feita por sinal. Algum problema em elogiar uma emissora concorrente? Se a geração fosse da Band, o Silvio falaria com a mesma ironia?
- Tirando a Ana Maria Braga e a Hebe, que não lêem essa coluna e que acham tudo maravilhoso… Vamos combinar uma coisa: o desempenho do Brasil foi pífio. Ainda mais se considerarmos os 650 milhões investidos na delegação brasileira. Aliás, gostaria muito de saber como gastaram toda essa grana. Não é só no Pan que o dinheiro some.
Mas, por favor, mudem o discurso! Não aguento mais ouvir falar em falta de estrutura, em falta de apoio e tal. Ou a Jamaica, a Bielo-Rússia, a Etiópia, o Quênia ou a Hungria têm mais estrutura esportiva (ou dinheiro) que o Brasil? Pois todos esses países ficaram na nossa frente no quadro de medalhas. Até a decadente Cuba conseguiu mais medalhas na soma total (24), só perdendo por ter apenas 2 de ouro. E eu ainda aguardo que algum programa, em tevê aberta, discuta seriamente esse assunto. A pauta está prontinha.
- No final das transmissões dos jogos o Luciano do Valle resvalou no assunto que mencionei acima. Falou das estatais que apoiam o esporte olímpico, mandou abraços pros diretores das empresas (são essas mesmas que exigem a presença dele em tudo que a Band transmite) e reclamou das multinacionais que só querem patrocinar os atletas de ponta e apenas nas proximidades da competição. Tudo certo. Mas só isso não explica o fiasco brasileiro nos jogos. É preciso botar o dedo na feriada e falar sobre o desvio de verbas, a politicagem, a falta de massificação, a falta de preparo técnico, etc…
- A Band já entrou com uma campanha no ar falando do seu desempenho e de ter sido a preferida dos espectadores. Não é bem assim. A audiência melhorou, é verdade. Havia mais gente acordada e vendo televisão. Mas, por outro lado, qual era a programação normal da emissora? Programas evangélicos ou de culinária? Assim fica fácil.
Sobre ter sido a preferida… Ganhou da Globo? Não! Foi só uma enquete num site. E, sabemos, isso não tem valor algum. Além de considerar que o público do tal site é bem restrito e direcionado ao meio publicitário.
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Alguns dias atrás entrou a nova campanha publicitária do UOL (e do IG também, como lembrou o Weverton) e algumas coisas me chamaram a atenção no comercial:
* Diferente de 99,99% dos filmes publicitários, o comercial do UOL tem tempo sobrando. Tanto é que o casal de atores fica “discutindo” quem vai começar a falar, se apresenta, diz olá… Falta conteúdo e sobra tempo.
* O texto é o mesmo padrão de todas as campanhas anteriores. Só mudou o cenário e os apresentadores. Pura maquiagem.
* E o UOL continua fazendo pouco da inteligência dos assinantes/espectadores. Diz que os assinantes de acesso discado recebem 5 emails com 5 gigas. Os de acesso discado, fique claro. Seria como uma churrascaria fazer uma promoção oferecendo consumo ilimitado para bebês até 1 ano. Então tá! Já vou levar minha carteira de idiota praí.
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Outro comercial que anda pisando na bola é o do Ford Fusion (também conhecido como “fusão” nos países de língua portuguesa). No comercial o patrão (que havia comprado o tal carro) some da empresa e os funcionários aproveitam pra gazetear. Um deles, que não sabia do fato, chega no trabalho e encontra tudo vazio e fica perplexo ao ser informado que nem deveria ter ido trabalhar.
Muito bonito, hein… Então o povo só trabalha por obrigação e se o chefe está marcando em cima?! Quer dizer que todo brasileiro é vagabundo?
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E a nossa estimada (hehehe) Regina Casé volta a atacar com sua cara de povão. Agora é na campanha da Embratel (Netfone e DDD). Vou te falar… Publicitário é um bicho teimoso. Inventaram que a Regina Casé tem cara de povão e não há modo de tirar isso da cabeça deles. Precisa de um tipo popular? Chama a Regina!
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Nos comentários:
O Rivaldo fala sobre os jogos e diz que as críticas são boas para acordar as pessoas. Exato!! Essa é a idéia, fazer as pessoas refletir sobre tudo que recebem da tevê. Ou alguém acha que tevê é como máquina de lavar, que é só ligar e desligar e não precisa pensar em nada? Ele ainda diz que não concorda com vários comentários meus. E não deve. Ninguém deve concordar (nem discordar) com tudo que escrevo. Deve refletir e ter as suas próprias opiniões.
O Diones concorda com as críticas aos atletas mercenários e acha que o desempenho no Pan foi uma ilusão. Também acho.

E, depois de tantas críticas, a Band soltou um memorando para sua equipe de esportes lembrando que no Brasileirão participam clubes de vários Estados, que não devem focar apenas nos paulistas, blá, blá, blá… Que ótima piada! Então só agora a direção da emissora percebeu o fato?? Ora, ora… Vamos parar de encenação. Está muito evidente que tal atitude dos torcedores/narradores/comentaristas sempre teve o respaldo da emissora. Se ela não estivesse satisfeita já teria demitido os fanfarrões há tempos. Muito pelo contrário.