Campeonato de Bairrismo
Eu fiquei esperando o término dos estaduais para comentar o caso de um famoso cronista esportivo paulista. Curiosamente as iniciais do seu nome são FP. E ele trabalha na Gazeta. E não venham me dizer que a Gazeta é uma emissora paulista, o importante aqui é mostrar um belo exemplo de provincianismo e preconceito contra os demais Estados. E o fato ocorreu ainda durante as semifinais do Campeonato Paulista. Este senhor, ao comentar a situação atual dos clubes paulistas, resolveu soltar os cachorros contra todos os outros estaduais. Disse que o Carioca era fraco e não servia como referência pra nada, que o Mineiro se limitava ao confronto era Atlético e Cruzeiro, que o Inter “brincou” no Gaúcho e goleou todo mundo, etc… E sei que grande parte da imprensa paulista pensa de modo semelhante.
Bem, não precisa ser um gênio para saber que os estaduais são menos competitivos que o Brasileiro. Todos eles. Mas o Paulista não é toda essa maravilha que a imprensa local tenta vender. Basta reparar nos fatos que ocorreram neste ano:
- Quase todos os clássicos tiveram brigas nos estádios e arredores. A tal ponto que um promotor obrigou a limitação da venda de ingressos para a torcida visitante.
- A rodada que definiu a classificação para as semifinais foi alvo de um suposto suborno. O caso não foi esclarecido e ninguém mais tocou no assunto.
- Por motivos diversos o público pagante nas finais do Paulista foi muito inferior ao de outros Estados. Só como comparação, em SP tivemos 18 mil e 37 mil nos jogos finais e no Rio mais de 70 mil e 80 mil.
- A venda de ingressos para a decisão paulista foi uma bagunça total. E culminou com a venda de milhares de ingressos falsos.
- Nos dos jogos da semifinal entre São Paulo e Corinthians a arquibancada destinada aos corinthianos foi coberta de penas de galinha, milho e outras porcarias. E isso num estádio que pretende realizar a final da Copa de 14.
- A festa do título do Corinthians foi estragada por invasão de campo, tumulto, fogo no guindaste e desorganização. Parece que a federação está mais focada em escolher cheerleaders, convidar papagaios de pirata e atender interesses meio suspeitos.
Agora eu fico imaginando o que estariam dizendo se tais fatos tivessem ocorrido no Campeonato Carioca, no Mineiro ou no Gaúcho. Seria a piada do ano.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
No Domingo eu fiz um esforço para assistir quase todos os programas esportivos da tv aberta. Vamos ao apanhado geral:
- O Terceiro Timão… Digo Tempo foi 99% paulista. Mal citaram as finais de outros campeonatos. Coisa já esperada. Mas o fato mais interessante foi a gargalhada do Milton Neves na hora em que o repórter (acho que era o Fernando Fernandes) informava do fogo nos papéis e na camisa do zagueiro William. Podem pegar o VT e reparar. Mas, tenho que perguntar, qual foi a graça no incêndio que quase pegou no jogador? Seria engraçado também se ele tivesse se ferido gravemente??
- Na Rede TV o programa ainda citou de leve os outros estaduais. Mas o foco principal, obviamente, foi o título do Timão. O lado curioso foi a entrevista do Mano e do Ronaldo que eles exibiram. Não deu pra identificar o motivo mas o áudio estava baixíssimo. Mal pegava o som ambiente e não deu pra entender nada do que se falava.
- O Espote Interativo conseguiu ser mais abrangente. Mas o problema é a tradicional falta de estrutura e a pobreza de reportagens e imagens. Valeu mais pela análise dos jogos.
- Na Gazeta… Ah, ali foi a festa. Não consigo perder muito tempo ouvindo a papo dos corneteiros do programa.
- Na Record News o tom foi de crítica. Em alguns pontos com razão. Em outros pareceu despeito por estar de fora da “brincadeira”.
No mais vale registrar a coletiva do Ronaldo. Ele pode até ter certa razão na crítica à “bagunça organizada” que fizeram após o jogo. Mas isso não justifica a atitude dele. Queria ver se no tempo do Cruzeiro ele teria “aquilo roxo” para sair correndo pro vestiário com medo dos cabos e microfones. Sem falar que o discurso dele (falando que o brasileiro se identifica com ele, que ele sempre dá a volta por cima e tal) parece ter sido preparado por uma empresa de marketing.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Na última Sexta tivemos o Globo Repórter falando sobre brasileiros que enfrentam a crise com trabalhos diferentes e criatividade. Minutos depois começa o Câmera Record e… Trata do mesmo assunto. Absolutamente igual!! Tá difícil saber quem copia quem. Mas as duas emissoras merecem um peteleco na orelha.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Mas, por outro lado… O Repórter Record com uma matéria sobre o assalto ao Banco Central de Fortaleza e a reconstituição do caso foi o ponto alto da emissora nos últimos tempos. Um excelente programa e digno de reprise.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Mas… Nem tudo são flores. A minha paciência já esgotou com a interminável ladainha de auto-elogios que a Record insiste em repetir. Não passa meia hora sem que algum apresentador lembre que o tal programa é exibido no Brasil e em mais de 479.342 (!!) países pela Record Internacional. Tá bom. Só queria lembrar que em metade do Estado onde moro não há cobertura da Record. Muito menos da Record News, que nem passa perto. E olha que é um Estado populoso e importante. Tá na hora de falar menos e trabalhar mais. Mas a Record parece a cigarra daquela fábula famosa.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Posso estar enganado mas estou sentindo um forte cheiro de sensacionalismo na cobertura do caso da gripe A (ou suína) por parte da imprensa. E tudo por causa de alguns pontos a mais na audiência. Vale lembrar que no momento há mais gente morrendo por causa da dengue e da febre amarela. E nenhum caso confirmado da gripe A. Isso no momento.


Se é pra comentar “vamo” lá.
os auto-elogios da record já ta enchendo o saco e sem falar daquelas bobagens que querem “passar” a globo.
se querem ganhar da globo vai ter que rebolar porque ô programação porcaria e se sensacionalista.
Comment by camargo — May 7, 2009 @ 12:29 pm