O ano está chegando ao fim e vou acabar batendo na mesma tecla de outras edições. Me desculpem, mas não dá! Não posso entender (ou aceitar) certas coisas. Imaginem um sujeito com 60 e tantos anos; uns 50 de profissão. Um narrador que já participou de olimpíadas, copas do mundo, libertadores, corridas de F1 e Indy, etc… Um narrador que já deve ter esgotado uns 40 passaportes, que já viajou pra todos os cantos do globo.
Agora imaginem que tal narrador está escalado para fazer a final do Mundial de Clubes. Do estúdio. Agora pensem que ele chegou com antecedência, tomou um café, pegou as fichas que a produção preparou, com escalações, fotos dos jogadores, numeração, dados estatísticos, etc… Tudo perfeito? Talvez.
Acontece que, no jogo entre Barcelona e Estudiantes, o Luciano do Valle, até o final da partida, insistia com nomes de jogadores que só existem em sua cachola. Conhecem o Ibramovic? O Luciano conhece. Talvez seja um primo distante do IbraHImovic. E Olha que o Mauro Beting, por diversas vezes, tentava ajudar: “É, Luciano, o Ibrahimovic está meio paradão…”. Mais um pouco e o Luciano descobre um jogador do Estudiantes chamado “Dezabáto”. Assim mesmo, com som de Z e acento no segundo A. E novamente o Mauro tentava socorrer o colega: “Sim, o Desábato entrou de forma violenta”. Não adiantou. Nem a ficha com a escalação, nem as indiretas do Mauro e nem o conhecimento de futebol que ele deveria ter.
Também fica difícil entender como uma pessoa tão viajada não compreenda uma frase elementar em inglês. Lá pelo final da partida a câmera foca numa senhora na arquibancada erguendo um cartaz: All Syria loves (símbolo de coração) Barca. E o Luciano vacilando: “Olha lá… A manifestação…” E novamente o Mauro Beting entra pra traduzir a dificílima frase.
E no ano que vem vamos ter a Copa. Já estou imaginando…
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Outra coisa, que não deve mudar tão cedo, é a irritante mania de muitas emissoras de transformar torcedores em comentaristas e vice-versa. Torcedores ou ex-jogadores, dá na mesma pra mim. Pois a minha paciência já esgotou. Chega!
No meio de uma das últimas rodadas do Brasileirão, coisa de 45 dias, o Neto realizou uma entrevista com o presidente do Corinthians para que o mesmo falasse dos projetos do clube para 2010 e os preparativos para a Libertadores. Acho que passou no BEC ou no 3º tempo, nem sei. Fiz questão de não ver. E ainda fiquei esperando uma entrevista semelhante com o presidente do São Paulo, do Palmeiras, do Atlético, do Inter… Algum motivo para essa exclusividade? É amizade, troca de favores, puxação de saco???
Terminou o Brasileiro e volta o Neto com a ladainha: “… O Roberto Carlos está acertado… O Andrés me garantiu… Só falta assinar… Eu sei do que estou falando”. E isso por dias e dias no Jogo Aberto. Ok, já entendi, a fonte do Neto é o Andrés. Tanto é que na semana passada lá estava o Neto no Corinthians para outra exclusiva com o Andrés para o Jogo Aberto.
Só faço uma pergunta: o Neto quer ser comentarista de futebol ou comentarista de Corinthians? Pelo andar da carruagem e pela vontade da Band…
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Tem mais, os comentaristas de futebol, especialmente os mais antigos, vivem repetindo aquela ladainha de que os jogadores daquela época é que eram craques, que os de hoje não poderiam nem limpar as chuteiras dos ídolos de outrora. Já ouvi esse papo mais de 3.468 vezes. Tremenda balela. Sem qualquer fundamento técnico ou lógico. Conversa de viúva. Varandão da saudade!
Calma lá, não tenho idade para ter visto o futebol da década de 50, 60 ou 70. Mas já vi videotapes. Não um ou outro lance de gol, eu vi vários VTs completos. A Cultura mesmo anda reprisando alguns jogos inteiros da década de 70. Então, o jogo era mais lento, cadenciado, e os bons jogadores tinham mais tempo e espaço para definir a jogada. Os “não tão bons”, esses davam de canela, cruzavam pela linha de fundo, davam um peteleco infantil na hora de concluir… Os goleiros então, muito fraquinhos. O goleiro reserva do SPFC seria uma “muralha” se jogasse naquela época. Enfim, o nível dos jogadores era adequado ao preparo daquele tempo. Não eram semi-deuses, não eram iluminados, nem coisa do tipo. Os craques de antigamente, se jogassem hoje, estariam no mesmo nível dos atuais.
E até como comparação, peguem o basquete, o vôlei, o tênis… Ninguém seria louco de dizer que, por exemplo, o Federer é pior que um grande tenista da década de 70. Mudou o preparo físico, a velocidade. O talento é igual. Nos esportes de força/velocidade então… Fica evidente essa evolução física. E também na medicina esportiva, nos equipamentos, na metodologia, etc…
Se algum comentarista começar esse papo sobre o futebol de antigamente, mudem de canal pois não vão perder nada de útil.
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E tem mais uma daquelas bobagens que ouvi muito em 2009. Escrevo uma opinião aqui e volta e meia surge um palerma dizendo que sou preconceituoso. Outra idiotice, típica de quem nem sabe a diferença entre opinião (um direito constitucional) e o PRÉ-conceito. O sujeito lê uma crítica, não sabe argumentar e desata a chorar e se dizer vítima de preconceito.
A verdade é que a maioria das pessoas nem sabe identificar o preconceito. Especialmente quando ele é velado, disfarçado. Vejam só, umas semanas atrás eu li, num jornal estrangeiro, a notícia do nascimento do filho daquela modelo famosa com o jogador de futebol americano. Vocês sabem de quem estou falando. Pois bem, o jornal dizia que o bebê, filho de X + Y, tinha todos os requisitos para ser a criança mais linda do mundo. Um leitor desavisado poderia pensar que o comentário é um elogio simpático. Negativo! Isso é um PRÉ-conceito. Partir de A + B para definir C. Então o filho da Mariazinha com o Raimundinho só pode nascer feio. Mas o filho da modelo com o jogador deve ser o mais belo do mundo. Não pode ser feio, não pode ter um defeito de nascença, nada. É a evolução genética. A limpeza da raça.
Pois é, o nazismo começou assim. Era um discurso parecido com esse do jornal.
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Outra coisa que irritou bastante em 2009 foi a Record com sua mania de grandeza e os auto-elogios. Um pé no saco. Só como exemplo faço o registro de uma reportagem do Hoje Em Dia, que falava sobre o amigo secreto de Natal que o programa irá realizar. Citavam alguns atores que participariam da brincadeira e, em dado momento, o texto chamava o elenco da emissora de galático (!!!) e dizia que Bela, a Feia era uma super (!!!!) novela. Só isso.
Qualquer pessoa bem informada sabe que as empresas gastam milhões em publicidade. Não somente para anunciar seus produtos, mas para passar uma imagem positiva, simpática, da empresa. É uma sensação não mensurável, volúvel, que pode acabar definindo a preferência do consumidor entre a marca A ou B. Não é somente o preço.
Pois a Record se esforça diariamente para provocar a antipatia do espectador. E vem conseguindo bons resultados nesse sentido. Ou alguém vai me dizer que gosta de soberba?? Ou de prepotência??