December 10, 2009

Pagando Caro

Arquivo em: Coluna — Marco Telinha @ 6:44 am

Outro dia, nos comentários, alguém (não recordo o nome) falou que gostaria de ver as grandes emissoras internacionais competindo no mercado nacional de tv aberta. E nesta semana está sendo votada a lei que regulamenta a atuação das emissoras por assinatura.
Já adianto que não gosto nada do projeto para as emissoras pagas. É o tipo de lei que não resolve nada e só atende o interesse de uns poucos. O espectador (que paga a conta) é apenas uma peça acessória. Parece que seu único “direito” é pagar a conta sem reclamar.
No caso dos canais abertos já existe uma lei, e esta é descumprida diariamente pela grande maioria das emissoras. Culpa delas? Sim, mas a maior culpa é de quem deveria fiscalizar o setor. Omissão total. Mas, ok, um dos pontos da legislação atual veta a participação estrangeira no controle das emissoras abertas.
E sou bem radical neste assunto. Explico: mesmo com esse veto as emissoras e produtoras estrangeiras já dominam boa parte do conteúdo de nossas emissoras. São filmes, seriados, novelas, desenhos, realities… Tudo produzido lá fora e gerando receita e empregos no país de origem.
Vamos imaginar que, por exemplo, a Televisa venha e compre a Record. Acham que ela investiria milhões de Reais para construir um Recnov e produzir novelas aqui? Ou acabaria preferindo jogar suas novelas dubladas na Record? Agora imaginem que a Globo fosse comprada pela CBS ou pela ABC. Iriamos assistir o campeonato brasileiro ou ela iria preferir exibir a NFL ou a NBA por aqui?
Podem achar que estou exagerando mas basta ver o conteúdo dos atuais canais por assinatura para imaginar um eventual cenário futuro na tv aberta. Perderiamos investimentos, empregos, produção, identidade… Isso sem falar em questões econômicas e políticas decorrentes. Não dá! Posso ser muito crítico quanto ao conteúdo de nossas emissoras atuais, mas a entrada de estrangeiros neste setor não é a solução. Nem de longe.
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Um pequeno exemplo do que falei acima pode ser visto no mercado publicitário. Muitos dos comerciais que assistimos são produzidos para um mercado global. Até o slogan das multinacionais é mantido em sua língua original. O máximo que as agências brasileiras (ou estrangeiras atuando aqui) fazem nestes casos é customizar a propaganda para o mercado nacional. Nada mais que isso.
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Outra questão importante pode ser observada no conteúdo das emissoras pagas. As distribuidoras de canais por assinaturas são todas estrangeiras. O máximo que as empresas nacionais conseguem é vender algum conteúdo. Sabe-se lá como. Basta lembrar o que a Band sofreu com seus canais pagos. A única que consegue se sustentar neste meio é a Globo, com os canais Globosat.
Aliás, pro pessoal que adora criticar a Globo, como ficariam as emissoras por assinatura sem os canais da Globosat?? Já pensaram nisto? Não tenho os dados precisos, mas, chutando, estimo que os canais abertos e os da Globosat devem responder por 90% da audiência das emissoras pagas.
É por essas e outras que o mercado de assinaturas está como está. Tantos anos passados e eles “festejando” 7 milhões de assinantes. Isso com a venda casada de acesso à Internet para alavancar as vendas.
Poucos devem lembrar das projeções feitas na época do lançamento dos primeiros canais por assinatura. Mas eu recordo: calculavam que atingiriam facilmente a metade do número de carros do país. Isso num primeiro momento. Afinal, qualquer pessoa que tem condições de comprar e manter um carro poderia pagar uma tv por assinatura. O tempo passou e o cálculo se mostrou equivocado. Esqueceram de analisar o custo X benefício. Pagar muito e receber um lixo de programação não dá. E a projeção foi tão errada que acabou quase falindo a Globo. Ela, vocês sabem, acabou se desfazendo de sua participação no setor de distribuição. Assim como a Abril acabou largando o mercado.
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Agora vamos aos comentários:
O Valter fala que a Band pode estar evitando divulgar a hora de certos programas por causa do horário de verão. Acho que não, as outras emissoras continuam anunciando seus horários normalmente.
O Alexandre fala sobre o Mion na Record e reclama das emissoras que só exibem partidas de certos clubes na Liga dos Campeões. Concordo, é Barcelona, Real, Milan e… Só isso.
O (feliz) Raphael fala sobre as encrencas do Datena. Mas, alguma novidade? Já falei sobre as atitudes dele por várias vezes. Ainda se lembram da época do SP Acontece matinal e de sua participação no Dia a Dia? Era uma confusão por semana. Podem usar a busca interna e ver o que falei sobre isso. Mas a culpa maior não é dele, é da Band.
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Uma rapidinha pra terminar:
Viram aquela cena da semana passada com o Nélson Rubens pedindo pra Íris não falar merd*? Baita sacanagem. Se a Íris não puder falar merd* vai virar muda :P

iris muda

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4 Comentários »

  1. Registro aqui o falecimento do apresentador Alborghetti, um dos precursores dos programas policiais que temos hoje na TV. Mas o que o diferenciava é que ele sempre foi mais um personagem; peguem os vídeos antigos dele, o programa era quase humoristico, é para chorar de rir.
    Era muito mais autêntico em termos televisivos, (estou desconsiderando as ligações políticas dele no Paraná…) que o imitador dele (Ratinho) que continua sem graça na TV, junto com Datena e outros intragáveis.
    Faz falta na TV de hoje, onde mesmo os sensacionalistas e os reacionários fazem gênero. Ele não fazia, por isso estava fora da TV.

    Sobre a Tv por assinatura concordo que o crescimento foi muito pequeno, e infeizmente os informerciais tomam conta de boa parte da programação. Enquanto só pensarem em aumentar os assinantes ao invés de melhorar a qualidade do que é exibido, veremos essa mesmice que infesta a maioria dos canais. O pior é que as leis no Brasil são feitas para não serem cumpridas, portanto é difícil imaginar que isso prospere.

    Comment by Alexandre — December 10, 2009 @ 9:57 am

  2. Também gostava do Alborghetti, apesar de não assistí-lo há anos já (porque parou de passar no RJ), mas me divertia muito com aquela toalhinha no ombro e o porrete..

    Acho que a lei que está sendo votada (não li ainda o projeto de lei), deveria estabelecer às emissoras estrangeiras um percentual mínimo de investimento (em contratações, instalações e transferencia de tecnologia). O exemplo da Recnov foi muito feliz, se não for imposto isso, vão jogar os “enlatados ” para nós sem gerar nenhum emprego para o país, mas quanto ao futebol (no ex. do post), acho que emissora nenhuma do mundo deixaria de transmitir para os brasileiros as competições nacionais de futebol (já que são responsaveis pelas maiores audiencias).

    Comment by Raphael — December 10, 2009 @ 10:45 am

  3. Continuo defendendo a entrada das emissoras estrangeiras no Brasil, embora tenho certeza absoluta que isso nunca vai acontecer pois a poderosa (e até para continuar poderosa) sabe que não tem o menor “cacife” para concorrer com as verdadeiras gigantes e poderosas NBC UNIVERSAL, Viacon, Time Waner (quer por sinal criou as primeiras estruturas da glogo) etc. Jamais deixaria que uma lei desta passa no congresso. Essa história de dizer que defende o conteúdo nacional e pura bobagem, conversa pra boi domir: qualquer pessoa de bom senso sabe que um CSI Maimi tem mais conteúdo do que um Sai de Baixo da Vida, então, do que adiante ter progamas com esse nivel com a simples desculpa que gera emprego no Pais. E tem mais,se essas potencias em comunicação tivessem a oportunidade de terem suas empresas aqui, totalmente com capital nacional, logicamente que investiriam em produções locais, até para terem audiência. E é aqui que reside o medo da “poderosa” rede globo, já que sabe que os grupos americanos levariam o capeonato brasileiro, formula 1, carnaval, teriam condições de fazerem todo conteudo de produção nacional melhor que ela, com melhor captação de imagens, historias com mais contéudo, enfim; afundaria os Marinhos, foram que o Projac ia se transformar em “projaquinho”, basta ver os grandes estudios de produçao da midia americana. Assim teriamos era mais emprego e uma verdadeira concorrência inteligente e saudável.

    Comment by Arthu Guedes — December 10, 2009 @ 8:18 pm

  4. Como diria o Gil Brother: “Cala a boca, meu aluno, você está defecando pela boca”.

    Comment by Pedro — December 12, 2009 @ 6:25 pm

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