January 10, 2010

Imprensa Esportiva & Cia

Arquivo em: Coluna — Marco Telinha @ 10:59 pm

O ano começou movimentado no departtamento de esportes de algumas emissoras. Primeiro foi a Record tentando contratar profissionais de outras emissoras para reforçar sua equipe. Mas até o momento não há nada de concreto.
O segundo movimento ocorreu com a Band tentando contratar o “comentarista” Edmundo para participar da cobertura da Copa. Essa foi forte. Começa que o Edmundo está muito longe de ser um comentarista de futebol. Nada contra (nem a favor) do sujeito. Apenas que não nasceu pra isso. Assim como eu não nasci pra ser físico. Assim é a vida. Mas, obviamente, isso não afeta o projeto da Band: transformar seu departamento esportivo num circo. Devem acreditar que o espectador está muito satisfeito com isso. Talvez… Outra coisa espantosa foi o valor mencionado como oferta para o Edmundo: 100 mil mensais! Mas parece que isso já foi desmentido. Até porque é um valor TOTALMENTE fora da realidade do mercado. Talvez viável na Globo, pro Casagrande ou pro Falcão. E olhe lá.
Aliás, o Edmundo havia sido indicado pra Rede TV pelo José Emílio. Agora o Emílio está na Band e surge essa oferta. Curioso. Depois dessa o José Emílio caiu uns 20 pontos no meu conceito.
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jorge kajuruO terceiro movimento vou até comentar em separado. Até para poder dizer: parem as máquinas! O Kajuru voltou!!
Pois é, amigos do Esporte Interativo, ele está de volta. Depois de alguns anos no limbo interiorano do SBT, o Kajuru volta a atacar. Vai ter um programete (15 minutos) diário e vai comentar as transmissões de futebol.
Meio estranho isso. Começa que ele não entende de futebol. Segundo suas próprias palavras, e com as quais eu concordo. Vale lembrar que ele é um daqueles que idolatrava o Robinho “boneco de posto”. E eu tinha que aguentar a papagaiada. Entre tantas outras.
A parte do programa… Aí nem sei. Concordo que ele tem um bom nível no quesito comunicação. E isso é meio raro atualmente. Mas precisa ver como anda a cabeça do Jorge Kajuru. Ainda lembro das confusões dele na Band. Tantas… Mas a pior é aquela coisa quixotesca de brigar contra moinhos de vento. Um comportamento quase infantil. Oras, o sujeito trabalha numa empresa e sabe que não pode chutar o pau da barraca. Daí o Kajuru vai e pow, bem no meio. Imaginemos que eu fosse contratado pelo SBT e chegasse lá falando tudo que penso da Telesena, Baú e demais negócios do SS. No mesmo dia o “patrão” me demite. Vou achar que ele tá errado?
Outra coisa que lembro do Kajuru foi a sua passagem pela Rede TV. O Kajuru apresentava o esportivo do meio-dia. Uns dias antes o Alberico (diretor de jornalismo de então) havia sido demitido por motivos que desconheço. Daí o Kajuru resolveu tomar as dores do ex-chefe. Foi apresentando o programa normalmente até próximo do final. Então avisou a todos que seria seu último dia, deu adeus, virou as costas e saiu do estúdio. Assim mesmo! Eu estava assistindo.
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Já falei aqui a minha opinião sobre o Leonardo Baran. E quando emiti meu conceito ainda não havia presenciado o Baran imitando a dança do Tevez em pleno estúdio. Mas tirando a “porra louquice” do Baran, quando ele está falando sério, até que dá pra se aproveitar alguma coisa. Outro dia mesmo ele falou sobre a tal discussão envolvendo o calendário europeu e o brasileiro. A mesma coisa que eu havia comentado aqui: imitar os europeus é uma tolice sem tamanho. O nosso calendário é o correto, o deles é que está invertido.
Mas o Baran tocou em outro assunto que vem me agoniando há tempos. Falo dessa mania estúpida que vem se alastrando pela maioria de nossos clubes: camisas em cores que mais parecem uma ala de escola de samba. Aparece o Palmeiras de azul, o Inter de dourado, o Corinthians de roxo, o Cruzeiro e o Botafogo com uns números bizarros, o Santos sei lá como… Chega a doer os olhos. E é outra mania importada da europa. Lá até pode ser aceitável, aqui a bagaça é diferente. As cores dos clubes não são estratégia de marketing. Tem toda uma história por trás. Quando se fala no rubro-negro a primeira idéia que surge é o … Quando alguém cita o verdão logo sabemos que se trata do… O Palmeiras não é vermelho e nem o Flamengo é amarelo. É difícil entender? Se os marqueteiros querem criar modelos para vender mais camisas, tudo bem. Mas que isso seja uma camisa de passeio ou um modelo de torcedor. Pra entrar em campo, não!!!
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A cada dia que passa me convenço mais de que nossos comentaristas esportivos são um bando de fanfarrões. Não vou usar a palavra “palhaços” pois estes cumprem a valorosa missão de divertir as pessoas. Bem diferente desses paspalhões do microfone. Quase todo mundo que acompanha o futebol deve se recordar de alguma ocasião, depois de algum julgamento do STJD, em que estes senhores iniciaram aquela ladainha: “Isso é pra beneficiar tal time do Rio. O tribunal favorece os times cariocas. É nisso que dá um tribunal sediado no Rio…”
Pois bem, na semana passada o tribunal da Federação Paulista converteu a punição do Diego Souza (eram vários jogos de suspensão) em algumas cestas básicas. Uma decisão prá lá de discutível. Mas, e agora? Qual o discurso desses fanfarrões???
A minha humilde opinião (e falo sobre todos os tribunais, não somente os esportivos) é de que aquela venda nos olhos e a balança da estátua estão só pra enfeitar. Não existe tribunal isento. Nem no Rio, nem em São Paulo, nem em Londres e nem em Marte.
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Uma coisa que venho notando com mais frequência a cada dia é que muitos jornalistas não sabem perguntar. E um repórter que não sabe perguntar é como um cozinheiro que não sabe fritar um ovo. No meio esportivo a coisa é pior ainda. O problema não é apenas saber, mas ter coragem para perguntar. A grande parte dos repórteres teme dizer ou perguntar certas coisas. Uns por medo de ficar mal com a torcida, outros para não criar antipatia com os jogadores, outros por amizade com técnicos, outros por receberem favores de dirigentes e empresários… Só como exemplo vou citar o que aconteceu nos últimos meses no Corinthians. Nada contra o clube, muito pelo contrário. Mas o fato é dos mais evidentes do que estou falando. Coisa de 6 ou 7 meses o Corinthians vendeu um de seus melhores jogadores, o André Santos, alegando que não tinha condições de reajustar seu salário. Não sei exatamente quanto ele recebia na época. Chutando, uns 100 ou 120 mil. Talvez aceitasse ficar pelo dobro. Daí o clube vendeu o atleta para o time truco de nome complicado.
Se ficasse por aí até daria pra entender. O estranho é que o mesmo Corinthians agora tem dinheiro para contratar o quase aposentado Roberto Carlos. Jogador esse que estava até na reserva desse mesmo clube turco. E duvido muito que o Roberto Carlos tenha assinado por menos de 400 mil. Matemática estranha essa. E não consegui ver nenhum jornalista indagando algo sobre esse negócio da China. Negócio da China pro clube turco, é claro.

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1 Comentário »

  1. Novamente desejo um ótimo 2010 a todos!

    Sobre os assuntos: Edmundo nem merece comentário; temos só de “agradecer” ao Luciano do Valle que ampliou essa coisa de ex-jogador ser comentarista; alguns são bons como Falcão e Tostão (para mim os melhores disparado), mas a maioria é limitada.

    Kajuru: Acho que ele faz mais um personagem; me parece que é um cara honesto (inclusive para dizer que não entende de tática de futebol) e que realmente se indigna contra a bandalheira do nosso futebol, mas muitas vezes ele exagera nesse tipo; além disso ele qdo teve espaço na TV aberta usava os mesmos mecanismos dos que estão lá hoje para segurar a (baixa) audiência, ou seja, não fazia algo tão diferente do que temos hoje.

    Baran: Parece ser um sujeito legal e que entende principalmente do dia a dia da CBF, mas às vezes exagera na descontração. Sobre as cores dos clubes e unformes concordo plenamente, sobre o calendário é algo para uma grande discussão.

    STJD: Isso remete ao bairrismo, que falamos aqui no ano passado, infelizmente é algo difícil de mudar.

    Repórteres: O nível na TV aberta está fraco, sem contar os que são mais torcedores dos times queridinhos da mídia do que repórteres de fato. Além disso, em praticamente qualquer reportagem, sempre tem de ter um tom otimista demais se o time está bem ou pessimista demais se o time vai mal.

    Comment by Alexandre — January 11, 2010 @ 1:51 pm

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