January 6, 2010

Todos em Férias

Arquivo em: Coluna — Marco Telinha @ 10:12 am

Existem certas coisas (ou muitas coisas) que torram a minha paciência. Uma delas é a programação “especial” de fim de ano na televisão. Aquela mesma estória de sempre: uns filmes, uns musicais, retrospectivas… É quase um castigo ao telespectador que resistiu aos programas habituais da grade. Um negócio insuportável. Deve ter sido por isso que inventaram o computador e o video game :P
A passagem de ano é um dos horários mais complicados para as redes. Qual o programa adequado para a data? A maioria foi de especial musical. Tinha show pra todo gênero. Sobrou até pras educativas. Até pra Record News!! O diferencial ficou por conta da Record, com a Fazenda do sr. Brito. E, vocês sabem, o reveillon da Fazenda é algo incomparável (momento de ironia). Ganha da queima de fogos em Copacabana, da festa na Times Square, da baía de Hong Kong… Outra que fez algo diferente foi a Gazeta, uma confraternização entre seus apresentadores. Uma festa simpática. E pelo menos fugiu do padrão tradicional das outras emissoras.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Outra coisa complicada é a tal “programação de férias”. Parece que todo mundo entra de férias no mesmo dia e cada emissora tenta preencher o vazio da melhor (ou pior) forma possível. Uma coisa beeem profissional. Só as novelas e os jornalísticos escapam da debandada. Se bem que um certo jornal da Record conseguiu a proeza de entrar de férias também.
Mas a pior parte é a volta. Cada programa e cada emissora adotam uma regra diferente. Pesquisei por semanas e semanas e descobri que o trabalhador brasileiro recebe 30 dias anuais de férias. Ou seja, umas 4 semanas. Daí, imaginemos um programa semanal. Digamos que entrem de férias no dia 15 de Dezembro. Não seria tão complicado deixar um (ou 2) programas gravados com os “melhores momentos” ou algo do tipo. Na semana de Natal e de Ano Novo a emissora poderia exibir um daqueles especiais de final de ano no horário. Assim sobraria uma única data vaga, que poderia ser ocupada com um filme ou evento especial. Pronto, já deu o mês de férias. Claro que isso não se aplica quando o programa é diário. Mas é o que deve ocorrer, por exemplo, com o CQC e o Pânico. Voltam o mais breve possível.
Por outro lado… Algumas emissoras são bem mais generosas quando o assunto são as férias de certos funcionários. A Globo, por exemplo. Claro que ela não é idiota de ficar entulhando a programação com reprises. Já tem o seu pacotão com séries, filmes, seriados, etc… Mas, mesmo assim, a volta continua sendo conturbada. Uns retornam em Janeiro, outros em Fevereiro, outros em Março… E outros só em Abril!!! Quem pode, pode.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
A Record produziu e exibiu, no final do ano, um especial baseado num conto de Machado de Assis, Uns Braços. Eu gosto muito do Machado mas… A estória é muito pouco televisiva. Pode ser uma ótima leitura mas não tem ritmo pra televisão. Ficou arrastada, sonolenta. Ainda mais no horário programado pela Record, por volta de 1h da manhã. Não dá.
Mas o pior da história nem foi isso. A Record News, na falta de algo melhor, acabou reprisando o especial. E, para quem não sabe, a Record News é aquele canal criado para exibir notícias 24 horas por dia. Notícias sobre a Fazenda, sobre a passarela do Hoje Em Dia, sobre os programas da IURD… :P
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Talvez seja culpa das férias. Talvez não. Mas o sujeito que prepara as notícias do rodapé da Record News precisa ficar mais atento. Aquilo anda lotado de erros. É só prestar atenção. Mas o pior é quando o erro se repete por um dia inteiro. Dia desses tinha um texto escrito assim:
“EncontradA na Antártida destroços do primeiro avião que…”
Horas e horas e horas e ninguém pra corrigir a bagaça.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Quem acompanha o Tevezona há mais tempo deve lembrar do que falei sobre a Record lançar a Fazenda 2 tão colada com a primeira edição. Era um risco sério. Bem, a Fazenda 2 anda muito sem gás e o BBB 10 está chegando. Deve ter muito diretor arrependido pelos corredores da emissora.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Posso estar enganado mas acho que a maioria das emissoras deve ficar preocupada com sua receita em 2010. O motivo desse meu temor é essa união entre o Pão de Açúcar (Ponto Frio) e as Casas Bahia. Vejam só, as Casas Bahia são (de longe) o maior anunciante do país. Não tenho o número exato de 2009 mas deve ter ficado entre 1,5 e 2 Bilhões. Muito acima do 2º colocado e muitíssimo acima do valor investido pelas demais redes varejistas. Aliás, esse valor, em percentual sobre a receita da empresa, demonstra bem a margem praticada pelas Casas Bahia. Acho que só as empresas de cosméticos e as grifes investem tanto dinheiro em percentual sobre o faturamento. Enfim…
Acontece que o Pão de Açúcar (Ponto Frio) adota uma estratégia bem diferente. Investe um percentual bem mais baixo, mais próximo da realidade do mercado. E, até para maximizar o lucro, deve (imagino eu) reduzir a verba das Casas Bahia. Se pensarmos na verba atual das Casas Bahia e no quanto isso representa no faturamento de certas emissoras… É pra preocupar.

Bookmark e Compartilhe

January 3, 2010

Conversa Antiga

Arquivo em: Coluna — Marco Telinha @ 2:57 am

Olá, ano novo e voltamos ao nosso tradicional papo sobre televisão. Mas hoje vou fazer algo diferente, a lista das coisas que dificilmente veremos na televisão brasileira em 2010. Mas notem que estou falando de fatos que NÃO veremos na telinha.
1- A Globo renova seus programas vencidos e seu elenco de apresentadores.
(isso eu já cansei de esperar)
2- A Record desiste das brigas infrutíferas e admite que a mania de grandeza a prejudica mais que ajuda.
(isso sim seria um milagre divino)
3- O SBT decide profissionalizar sua administração e acabar com a bagunça na grade de programação.
(isso, isso, isso…)
4- A Band resolve ser uma rede nacional (não mais paulistana) e investe em programas de qualidade.
(hummmmm…)
5- A Rede TV acaba com os a farra das esposas dos donos e corta os “terceirizados” para exibir conteúdo próprio.
(como assim? adorei!)
6- As educativas decidem ser unir numa só rede para reduzir seus custos e investir na programação.
(é mais fácil ver o Serra e o Lula trocando beijos)
7- Alguma tv por assinatura resolve lançar um plano popular (de baixo custo mas com boa qualidade) para atender as classes C, D, E, F, G…
(ah, tá…)
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
O novo ano começou com umas notícias meio velhas. A primeira é um projeto da Band que pretende criar novos canais por assinatura. O primeiro seria um canal sobre economia.
Francamente… Pra que? Começa que é praticamente impossível produzir 24 horas de conteúdo diário sobre economia.Especialmente no Brasil. Depois isso já é uma editoria do Band News. E nem lá o tema é bem explorado. Ao menos como deveria. E, finalmente, o canal é pra valer? Ou vai ter o mesmo destino do Terra Viva ou da Rede 21? Pelo histórico da Band em canais pagos…
Aliás, essa mania da Band de crescimento horizontal já torrou minha paciência. Lançam 300 canais e depois de 6 meses já lotearam a grade com infomerciais e programas religiosos. Se for assim, até eu.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
A outra besteira colossal é a nova investida da Record para comprar o Brasileirão. Os números citados são tão absurdos que até desconfio da notícia. Dizem que a Record teria (teria) oferecido 30 Bilhões por um contrato de 10 anos. Olha, isso é inviável. É impagável. Uma conta que não fecha. Pagar 3 Bilhões por ano é impraticável no mercado brasileiro. Talvez aceitável no mercado espanhol, italiano ou alemão. Não sei ao certo pois não acompanho a televisão desses países. Aqui…
Só para avaliar alguns números, o mercado publicitário deve ter investido pouco mais de 10 Bilhões em 2009. Isso em televisão, não no geral. Desse total a Globo deve ter ficado com uns 6 bi. A Record deve ter tido 1,5 bi de receita, estimo. Talvez um pouco mais pois entra uma grana extra, da igreja. Mesmo assim é muito menos do que os 3 bilhões que ela, supostamente, teria oferecido pelo Brasileirão. Não poderia nem pagar as demais despesas, funcionários, produções, equipamentos… E nem existem anunciantes no Brasil para cobrir tal conta. Só como exemplo, a Ambev, tradicional patrocinadora do futebol, conta com uma verba publicitária de uns 500 milhões anuais. Se fosse pegar uma cota no futebol da Record não sobraria dinheiro pra mais nada.
A Globo paga menos de 1/3 dessa suposta oferta da Record. Bem menos! E o pacote engloba a tv aberta, a fechada, o pay-per-view, placas nos estádios… Sinceramente, esse é o tipo de notícia, se verídica, que só confirma o fato da Record ser administrada com o fígado, não com a cabeça.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Pegando a rebarba da notícia acima, vou bater num ponto que já falei antes: A Record tem todo o direito (até o dever) de entrar no esporte. Mas não dessa maneira louca. Deveria ser uma entrada lenta (não tão lenta que atrapalhe), gradual e continuada. Vale lembrar que hoje a Record mal tem uma equipe esportiva. Não tem um programa diário de esportes. Mesmo na Record News o esporte fica com um bloco de 30 minutos diários e mais nada. Uma cobertura fraquíssima. Não pode achar que vai chegar chegando, quebrando todo mundo… Ainda tem muito chão pela frente.
Mas existem opções muito melhores (e mais viáveis) do que essa idéia de pagar zilhões pelo Brasileirão. Basta ver a audiência (ótima) que a Band conquistou exibindo o futebol feminino no final do ano passado. Pode ser um primeiro passo. Claro que isso é um investimento a médio ou longo prazo. Precisaria ser burilado pela emissora. Assim como se faz ao investir num jogador juvenil com bom potencial. E esse poderia ser o segundo passo: alguns campeonatos sub-qualquer-coisa. Também poderia se avaliar algumas competições automobilísticas (daqui ou do exterior), lutas (dos diversos estilos), torneios de basquete ou vôlei, etc…
Mas voltemos ao futebol, já que a Record está tão aflita pela cereja do bolo. Não dá pra pegar o Brasileirão? Oras, mas e porque não bolar algo diferente? Já viram como os clubes brasileiros ficam desesperados para participar de qualquer torneio meia-boca em Dubai, no Qatar ou na China quando a premiação envolve alguns milhões? Então, poderiam arrumar um patrocínio, juntar uns 10 milhões pra premiação, chamar 3 clubes do Brasil e mais 3 do exterior e realizar um “torneio de verão” em alguma capital do nordeste. Imagina isso em Fortaleza, não sobraria nem espaço pra 1 pulga no Castelão. Datas? Por 10 milhões em prêmios arrumariam uns 10 dias sem problema algum. Nem que tivessem que jogar 2 partidas dos estaduais com juvenis.
Enfim, se a coisa fosse séria, com muitíssimo menos que os 3 bi anuais daria pra Record fazer uma graça. Olha, com 100 milhões anuais daria pra comprar ou realizar um monte de eventos. Muita coisa.

Bookmark e Compartilhe
« Página Anterior

Powered by WordPress       PageRank Increase website traffic