February 11, 2010

Audiência Inexistente

Arquivo em: Coluna — Marco Telinha @ 10:43 am
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Primeiro quero deixar bem claro que sinto muito pela morte do piloto e pela situação do cinegrafista. Foram vítimas da imbecilidade que tomou conta de certas redações de televisão. Mas a coisa era quase previsível. Mais cedo ou mais tarde…
Não faz um mês que falei sobre aquilo que chamei de “helicóptero news” e os exageros de certos telejornais na busca de mais 2 ou 3 pontos de audiência. Viraram caçadores de chuva, de alagamentos. Mal começava o dia e os helicópteros das emissoras já estavam voando atrás de catástrofes. E iam nessa busca até o anoitecer. Um sensacionalismo fajuto e desnecessário. Jornalismo de 5ª categoria. Imprensa marrom. No meu tempo de garoto era assim que chamavam os jornais sanguinolentos, imprensa marrom. Os jornalecos faliram, mas a mentalidade continua firme e forte.
Alguém pode estar pensando: isso foi uma fatalidade, poderia ter acontecido com um carro ou caminhão de externas da emissora. Sim, o acidente foi uma fatalidade. Não é essa a questão. O problema é o exagero que levou até isso. E vamos deixar uma coisa clara, o helicóptero é (ou deveria ser) uma ferramenta, não uma arma nessa guerra sensacionalista e idiota.
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Todo mundo já cansou de ler e ouvir que as emissoras de televisão vivem em guerra pela audiência. E a gente acaba aceitando isso como uma verdade universal. Mas, acreditem, não é verdade. Elas estão andando pra audiência e pros espectadores. O que elas realmente disputam é a receita. Ou a audiência na medida em que ela represente faturamento. Não acreditam?
Então analisem só o que acontece na programação via parabólica. Já falei aqui que o número de receptores pela parabólica é maior que qualquer cidade do Brasil. Maior que quase todos os Estados. Deveria ser a “cereja do bolo” das emissoras. Mas a audiência da parabólica não é mensurada oficialmente. Não conta. São mais de 20 milhões de receptores (lares) que valem ZERO!
Agora vejam o que acontece com a programação das emissoras na parabólica. A maioria usa São Paulo como cabeça de rede. Um sinal é local, outro vai pra parabólica e cada afiliada insere seus programas regionais quando necessário. Então vejamos o caso da Globo, a emissora coloca programas diferenciados na parabólica quando as praças estão exibindo sua programação local. É o caso do Brasil TV, lá pelas 19h. Muito correto. Mostra respeito pelo espectador. A Record não apresenta programas exclusivos para a parabólica, usa o sinal de SP ou do Rio. Não é o ideal mas é aceitável.
As demais… Do SBT até a menor das emissoras, a parabólica virou uma zona. Uma “zona franca” comercial. Escreveu, não leu, os caras estão loteando o espaço. Tudo pra faturar uma graninha extra. E a regra é geral, SBT, Band, Rede Tv, Gazeta… A simpática Gazeta, por exemplo, exibe o futebol do EI nos finais de semana. Mas não pode transmitir os jogos pela parabólica. Acham que ela vai exibir alguma programação para ocupar o horário? Nada!! É Bestshop até o talo. O espectador que se dane! E pouco importa se a lei limita o tempo de publicidade em 25% do horário diário. Ninguém cumpre mesmo.
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Segunda passada eu fiquei acompanhando a audiência do Operação Resgate. Até pra confirmar minha opinião sobre o erro do posicionamento dele na grade da Rede TV. Bem, ele recebeu do Rede TV News com a audiência normal do jornal, entre 2 e 3 pontos. Daí foi subindo, caiu no intervalo, subiu de novo. Chegou a bater 6 pontos na máxima. Acabou o programa e entrou o Superpop. E a audiência desabou, menos de 2 pontos.
O primeiro problema é que o programa é muito curto e a audiência fica muito volátil. O sujeito vê um pouco, muda de canal, volta, muda… Depois ele não transfere audiência relevante pro Superpop, são públicos distintos.
Resumindo, programa curto, em dia errado e em horário complicado. Precisa mudar isso.

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