Impostores e Copa
Na última coluna eu falei sobre a manipulação praticada pela mídia; a grande e a pequena manipulação. Não que uma seja menos perniciosa que a outra. Ambas tem a mesma origem e causam o mesmo efeito. A única diferença é que a pequena pode passar desapercebida. Ou não…
Querem ver uma exemplo que ilustra isso? No Domingo passado o Pânico exibiu o quadro do “Impostor”, com o mesmo fazendo uma macumba para derrubar a Itália da Copa. Há tempos eu havia comentado que sempre fico com um pé atrás ao ver esses quadros do Impostor. Quase sempre sinto um cheiro de “embromation” no ar. Como ocorreu no Domingo passado. A missão do Impostor era levar um gorro (ou meia, sei lá) pros jogadores italianos. O encontrou se deu num restaurante onde os jogadores jantavam, antes do jogo. No dia seguinte o Impostor estava na arquibancada do jogo exibindo a derrota italiana. Tudo aparentemente certo. Isso se a cronologia fosse correta.
Na Segunda apareceu uma reportagem do CQC na África do Sul. A missão do repórter Rafael Cortez era dar uma pizza pros jogadores da Itália se consolarem após a derrota (e eliminação) na Copa. O mesmo restaurante e os mesmos jogadores que apareceram na reportagem do Impostor. A diferença fundamental é que o fato ocorreu DEPOIS do jogo. Portanto… O Impostor não engana só as celebridades e os seguranças dos eventos. O maior alvo dele é o tonto do espectador.
Esse fato é pequeno e irrelevante. Mas temos muitos outros. Dezenas. E nem sempre praticados por amadores. Existem profissionais neste ramo; são chamados de “políticos”.
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A Copa continua monopolizando a atenção de todo mundo. Ou quase. Vamos fazer um atacado de comentários:
- É impressionante o número de pessoas que se agrega ao futebol nessa época. E nem todas entendem algo do assunto. No intervalo do jogo entre Brasil e Portugal mudei pra Rede TV (Paloma Tocci explica) por uns minutinhos. Daí chamaram o Fernando Fontana na rua, onde uns rapazes faziam uma algazarra por causa do jogo. O Fefon escolhe uma garota e pergunta quem foi o melhor jogador no 1º tempo. E ela: “Robinho”.
Nota do redator: o Robinho nem jogou contra Portugal. Resumindo, todos tem direito à opinião. Mas isso não significa que ela valha alguma coisa.
- Outro assunto já reprisado aqui: transmissões “off tube”. Se bem que atualmente o termo mais adequado talvez seja “off led”, hehehehe. Virou um vício. As emissoras mandam centenas de profissionais pra África do Sul e mais da metade dos jogos é transmitida do IBC. Vi narrador comendo mosca ao nem perceber que um jogo tinha acabado. Os comentaristas então… Não sei como alguém pode opinar sobre tática se assiste a partida pela tv. É impraticável.
- Outra coisa sem sentido é essa bobagem de enviar um monte de apresentadores pra África. Não consegui ver a necessidade da Fátima Bernardes, do Waack ou do Boechat lá. Pra chamar umas 3 ou 4 reportagens poderiam estar em qualquer lugar do planeta Terra. Inclusive no estúdio de suas emissoras. Com a vantagem de não ficarem resfriados e afônicos.
- O Esporte Interativo perdeu uma boa oportunidade de usar a Copa como “escada” e alavancar um pouco sua audiência. Os debates estão bem fraquinhos e os convidados nem sempre acrescentam algo de útil. Sem falar que a participação do Leonardo Baran e do Henning via Skype é algo deplorável. Estamos entrando no mundo da alta definição e o EI colocando imagens de webcam no ar. Não dá. Mas, ao menos, faço o registro do esforço da dupla na cobertura local sem ter 1% da estrutura de uma Rede Globo. É tudo no peito na raça.
- Voltando ao caso do Dunga X imprensa… Outro dia vi um pedaço do Repórter África, na TV Brasil. Rodrigo Viana apresentando e Roberto Sander, Jairzinho e Elzo nos comentários. E todos criticando o futebol da seleção e o comportamento do Dunga. E isso numa tv estatal. Será que a TV Brasil também está na “campanha” pra desestabilizar o Dunga??? Oh, mundo cruel!!
- Não sou assinante de tv paga. Por vários motivos. Mas outro dia vi alguns jogos da Copa no Band Sports. Olha, fiquei abismado. Tirando o Mauro Beting pouca coisa se salva lá. Quase nada.
- Se a “filha” tá mal, a “mãe” não tá muito melhor. O Band Mania pode levar o prêmio de pior programa sobre a Copa por antecipação. Ninguém conseguirá criar algo pior até o final do torneio. Não posso dizer que é o fundo do poço pois a nossa televisão sempre nos surpreende com baixarias cada vez maiores.
- Mas nem tudo é culpa das emissoras. O contrato com a Fifa engessa elas. Dia desses, vendo um jogo da Argentina, perdi o replay de um gol irregular. O narrador e os comentaristas continuaram falando do lance por um bom tempo. Debatendo. Eles mesmos com dúvida. Mas não puderam pedir o replay. Não pode. A geração é aquela, oficial, e ponto. A Fifa quer controlar até os lances duvidosos. Do mesmo modo como cortam a imagem quando há uma briga ou algum problema extra jogo. Pra mim isso é uma censura idiota e vergonhosa.
- Corria o jogo entre Alemanha e Gana e o Falcão soltou um comentário pra lá de estranho: disse que Gana tinha um futebol técnico e a Alemanha jogava na base da força. Talvez isso fosse verdade em outros tempos. Atualmente a Alemanha joga com a bola no chão. E Gana dá balão pro alto. Peguem a gravação do jogo e analisem.
- No comentário anterior eu ia falar pra procurarem o jogo na Internet. Mas aí lembrei que não existe nada. Tudo bloqueado pela Fifa. Ela é a dona do brinquedo. E só divide com quem pagar.
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A Band está se deliciando com a audiência nestes dias de Copa. É bom aproveitar mesmo. Algo me diz que logo a emissora do Morumbi vai voltar à rotina de sempre. Aos erros e confusões. Um exemplo foi essa cobertura do Festival de Parintins. Nada contra a festa, mas aquilo é totalmente broxante (televisivamente falando). Nem a Nadja Haddad pra salvar a chatice. Resumo: audiência abaixo de 1 ponto em praticamente todo o tempo. Em vários momentos a emissora ficou abaixo de 0,5.

A Internet tem muita coisa boa. Mas também tem muito lixo. É preciso filtrar o conteúdo. E isso depende de cada um. Outra característica da Internet é o poder de inflar (excessivamente) certos assuntos. Existe até uma técnica (bombing) que permite manipular certos critérios e direcionar pesquisas e usuários. Alguns casos de “bombing” ficaram até famosos entre os conhecedores do assunto. Tudo isso é uma introdução ao assunto principal de hoje, a tal campanha contra a Globo no Twitter.
O dia de ontem foi marcante para a Record: no início do jogo do Brasil ela amargou uma audiência que pode ser chamada de traço, 0,2 ponto. O pior é que naquele momento ela também estava atrás do SBT, Rede TV, Cultura e Gazeta. Claro que o fato foi num período curto, mas essa época de Copa é cruel pra quem não transmite os jogos. Talvez a exceção seja o SBT, cujos programas são mais alternativos para quem não deseja ver o Mundial.
Nos últimos dias tenho lido que a Band planeja aproveitar a transmissão da Copa para se aproximar (ou até passar) do SBT na média diária. Não é errado desejar. Conquistar são outros 500. Ainda mais com a mentalidade e as ações que a emissora anda tomando.