Copa ou Shownalismo
O dia de ontem foi marcante para a Record: no início do jogo do Brasil ela amargou uma audiência que pode ser chamada de traço, 0,2 ponto. O pior é que naquele momento ela também estava atrás do SBT, Rede TV, Cultura e Gazeta. Claro que o fato foi num período curto, mas essa época de Copa é cruel pra quem não transmite os jogos. Talvez a exceção seja o SBT, cujos programas são mais alternativos para quem não deseja ver o Mundial.
Mas pior que o traço na hora da estreia do Brasil é ver que a Record não se preparou para o período da Copa. Volta e meia dou uma zapeada. E qual o “cardápio” da Record?
1- Copa do Mundo de videogame no Hoje Em Dia
2- Caso da advogada assassinada sendo chupado até o bagaço
3- As aventuras de Geisy Arruda
4- As danças do Rodrigo Faro
Dá pra achar que isso é uma opção de qualidade?? Se o cidadão ficar enjoado com tantos jogos ruins (e bota ruins nisso) na Copa, vai ter algo de interessante na Record?? Mas nem brincando.
E esse caso da advogada ilustra bem o meu último comentário sobre o nosso “shownalismo de puliça”. A Record tá fazendo a festa. O SBT e a Rede TV também entraram no embalo. Se não fosse a Copa do Mundo a Band estaria com o Brasil Urgente totalmente focado no caso. Mesmo a Globo daria a sua chupada básica. Não tem “santo” nesse terreno. Façam um pequeno exercício de memória e relembrem os últimos casos policiais que tiveram repercussão na mídia. Notaram algo em comum entre eles? Vou tentar ajudar:
1- Localização: São Paulo e redondezas.
2- Envolvidos: pessoas de classe média ou alta.
3- Crimes: assassinatos envolvendo familiares ou casais insuspeitos.
Esse é o perfil que agrada as emissoras e chama a atenção do público (mesmo que involuntariamente como o Daniel nos contou nos comentários da última coluna). Se em lugar da advogada, a assassinada fosse uma cozinheira em alguma cidade do interior do Mato Grosso, qual seria a repercussão?? Quantas equipes de reportagens estariam cobrindo a investigação? Quantos comentaristas de violência estariam debatendo o caso?
Aproveito ainda pra discordar do Lopes, que levantou uma teoria sobre o exagerado interesse da Record em assuntos do tipo. Você tem um pouco de razão, mas isso não explica o caso. Violência sempre rendeu audiência e sempre vendeu revistas e jornais. E isso se acentua mais e mais com pessoas de menor nível intelectual. Eu falei sobre o NP mas poderia ter citado o Aqui e Agora que tanto sucesso fez no SBT. O Leonardo (também nos comentários) citou a febre que esses programas policialescos viraram no Nordeste. Sei como é, alguns batem recordes de audiência. E audiência é a tal palavra mágica que justifica tudo. Em qualquer emissora, não só na Record. O problema da Record é que ela exagera em tudo. Qualquer coisa que renda uns 2 ou 3 pontos a mais e ela fica louca. Alucinada!!! Pode ser um reality, os Jogos de Inverno, uma novela, um caso criminal… Overdose. Esse é o mal da Record.
Eu não via a reportagem que o Daniel relatou, mas já vi muitas do tipo. Não é anormal uma emissora usar do “shownalismo” para segurar o espectador. Posso dizer que estou acostumado. Triste mesmo é analisar a situação: duas horas da tarde e a segunda emissora do país exibindo um cadáver por não sei quantos minutos. Da mesma forma que os jornais populares exibem corpos baleados na capa. E ninguém mais fica chocado com a cena. Agora imaginem se uma moça exibisse (ainda que involuntariamente) o mamilo por 3 segundos na mesma televisão. Seria uma calamidade pública. Mundo estranho, esse nosso.
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Alguns dias atrás, analisando os erros do SBT, perguntei se não existia outra opção para a faixa das 21h que não fossem os seriados ou novelas. Bem, o SBT mudou novamente a grade e agora vai colocar a linha de shows no horário. Pode não ser o ideal (não acho que seja), mas dentre as opções da emissora entendo que foi a melhor escolha. Ainda mais quando havia a possibilidade forte do SBT cancelar alguns destes programas.
O mais curioso é a forma de SBT anunciar essas mudanças. Se fossemos usar uma linguagem coloquial ficaria assim:
- Olá povo que assistia Grey’s Anatomy. Acabou. Agora vamos exibir a linha de shows no lugar. Talvez a gente volte a exibir o seriado. Ou algum outro. Depende da audiência. Ou da vontade do dono. Se alguém quiser assistir as temporadas restantes… eh, vocês têm tv à cabo?
Tá bom que estou brincando mas é meio assim. O espectador que se dane. E eles já fizeram o mesmo com uns 8 seriados.
Aliás, deixo uma sugestão: que tal se criassem uma norma obrigando todas as emissoras a exibir os seriados em ordem cronológica??? Francamente, eu já cansei de ver seriados sendo exibidos na base do chutômetro. É uma palhaçada o que as emissoras fazem conosco.
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A audiência de ontem (15/06) não foi marcante só para a Record. A Band conseguiu superar o SBT na média diária – passou dos 5 pontos. E até chegou perto da Record que ficou na casa dos 6 pontos. Um fato até previsível tendo em vista que tivemos um jogo do Brasil e mais outros dois.
O lado negativo é que esses números se referem à São Paulo. No Rio a Band teve um pequeno crescimento mas não ultrapassou o SBT. Nem em Minas e nem no Rio Grande do Sul. Não precisa ser um gênio para interpretar esses números. Eu já falei sobre isso e alguns acharam que eu estava exagerando nas críticas. Mas parece que os números me dão razão.
O lado positivo da audiência é que a Band vem se consolidando na faixa das 22h. Alguns programas, como o CQC e a Liga, já têm um público cativo e andam incomodando até a Record. Mesmo na faixa entre 18h e 20h a Band consegue sustentar o 3º lugar. O único “buraco” ocorre no horário do missionário. E também não precisa ser um gênio pra saber disso. Resta saber até quando a Band vai preferir os milhões do missionário aos pontos no Ibope.


foi isso mesmo:RECORD 0,2?otimo!o amigo tem q fazer um texto sobre as PÉROLAS da nossa imprensa nesta copa.digo mais:é o q anda salvando essa horrorosa copa.
Comment by leonardo-pe — June 16, 2010 @ 11:50 pm