June 3, 2010

Erros Globais

Arquivo em: Coluna — Marco Telinha @ 11:15 pm
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rede globoE hoje chegamos ao último episódio sobre os erros das principais redes. É dia de falar da Globo, a indolente. O pessoal costuma chamar a Rede Globo de muita coisa, mas eu acho que o adjetivo mais adequado (atualmente) é preguiçosa. Acomodada; relaxada. Tipo aquela dona gorda que passa o dia inteiro de moleton.
Mas os problemas da Globo são bem visíveis. Menos grosseiros que das concorrentes, mas bem nítidos. Diria até que são peculiares às grandes empresas. O pessoal abre uma frente e acaba relaxando. Imaginem o gênio de plantão na emissora. Chega lá, senta na poltrona e começa a acompanhar o relatório do Ibope. Números em alta até as 8h da manhã. Daí vem a dona Ana Maria e a Record faz a festa. Ainda que com um jornalístico meia-boca. Todo dia a mesma coisa. Acaba o programa da Ana Maria e entram os desenhos. E a Globo voltar a recuperar o terreno perdido. Todo dia a mesma coisa.
Não parece ser muito difícil identificar o problema. Mesmo que a pessoa tenha apenas uns 10 neurônios funcionando. Daí é preciso alguma ação para reverter o problema. E a Globo, pelas mão do responsável pela atração (o pequeno Boni), tentou de tudo um pouco. E nada reverte o quadro. Assim só resto uma medida mais radical. Mas ela nunca chega. Ficam na acomodação, na zona de conforto.
E esse tipo de problema se repete com outros programas. Como o programa do Jô, Casseta e Planeta e mais alguns. Eu até passei a chamar eles de programas zumbis. Já morreram, só que não aparece um cidadão pra dar um “shift+del” na porcaria. Ficam lá, ocupando a moita. E fazendo a alegria da concorrência.
O último caso de zumbi revelado foi o Fantástico. Antigamente havia uma tática das outras emissoras de nunca botar um programa potencialmente bom no horário do Fantástico para não desperdiçar a atração. Isso acabou encobrindo as falhas do sonolento programa dominical. Mas nas poucas ocasiões em que enfrentou programas mais interessantes o Fantástico tropeçou feio. Lembro da Casa dos Artistas no SBT. Bateu de frente e venceu o Fantástico show da chatice. E agora o mesmo vem ocorrendo com o Pânico e outros programas no mesmo horário. Nem precisam ser maravilhosos; o Domingo Exxxxxpetacular mesmo é um quase Fantástico. O jogo dos pontinhos do SS então, fraquinho, até ele complica a vida do Fantástico.
Outro zumbi está prontinho na Globo, é a tal novelinha infanto-juvenil, Malhação. Tá lá, se aguentando. Assim, assim. Se pintar um concorrente melhorzinho… Outro rombo na audiência.
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O pior é que todos esses problemas são antigos e vem se agravando com o tempo. Igual um casarão antigo em péssimo estado de conservação. Hoje você vê uma goteira, se não fizer nada… Acaba com uma “piscina” na sala.
Pois os gênios da Globo estão vendo as goteiras. E estão sentados confortavelmente em suas poltronas macias. Tudo bem que a concorrência ajuda. Erra pra todo lado, bate cabeça. Acaba ajudando nessa acomodação. E quem não gosta das opções tradicionais acaba na internet, no video game, no DVD, no cinema… De um jeito ou outro a audiência total da televisão vem caindo. Mas a da Globo vem caindo ainda mais. Se não querem ver…
Mas pior que não ver é ver e não fazer nada. A Globo está na defensiva. Não age, reage. Muito diferente de outros tempos. Tempos em que ela não apenas liderava a audiência. Ela criava, fazia, inovava, produzia. Ou então pegava pronto. Não deixava um talento na concorrência sem tentar levar para suas fileiras. Grande parte das “caras” que vemos hoje na Globo não nasceu lá. Nem o Galvão Bueno, nem o Faustão, nem a Xuxa, nem o Renato Aragão… Todos vieram de fora. Agora façam um esforço de memória e tentem lembrar o último nome (importante) que a Globo tirou da concorrência. Eu não sei dizer. A última vez que lembro de ver a Globo atacando foi na época em que levou o Jô (de volta), o Groisman e a Ana Maria Braga; quase ao mesmo tempo. Depois disso…
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Errado também é pegar alguns novos talentos em meter em formatos ultrapassados. É o caso de alguns bons humoristas que a Globo jogou no Zorra Total. O que adianta? Não passa de desperdício. Burrice da grossa.
Aliás o Zorra é um belo exemplo da situação atual da Globo. A “casaca” é bonita. Dificilmente teremos um programa mal acabado, mal editado ou com cenário ruim na emissora. O nível da emissora está entre os melhores, coisa de 1º mundo. O problema surge (em alguns casos) no conteúdo. Esse depende mais do aspecto humano que do material.
Finalmente dá pra notar que falta ousadia à Globo. Falta inovação, arrojo. Desde os detalhes menores até os grandes aspectos. Até a Rede TV consegue inovar muito mais que a Globo. E a Globo acaba copiando; como no caso de cenários virtuais. Tudo bem que a Globo não irá nunca revolucionar sua programação e arriscar a liderança atual. Nem defendo isso. Mas pode ir testando uma coisa aqui, outra ali, em horários alternativos… Sem falar que ela ainda conta com seus canais por assinatura, que podem ser como um laboratório. Ela poderia usar um deles para teste de formatos, de apresentadores. É difícil? Falta dinheiro? Falta gente competente? Falta vontade?
Eu prefiro achar que a emissora está sofrendo de “preguicite aguda”. Essa doença não mata, mas afasta a audiência.

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