Negócio de Família
Outro dia eu vi alguém fazendo uma piadinha com aquela velha estória de “teste do sofá”. Acho que desde garoto eu ouço falarem sobre ser essa a porta mais aberta para quem deseja ingressar na televisão. E talvez fosse bastante verdade, em outros tempos. Hoje, ainda que repitamos a frase, a situação é outra. Não, ainda existem muitos que usam o sexo para ter uma chance na tal “carreira artística”. Mas o caminho para entrar na televisão passa por novas rotas. Virou um negócio de família. Ou uma ação entre amigos.
A televisão parece um ônibus lotado em dia de chuva. O povo quer é entrar. Depois é que vai ver se viaja em pé, sentado ou encoxado. E, até por consequência, quem está dentro não quer sair. De jeito nenhum!
Essa regra vale pra todas as emissoras, desde a Globo até a menorzinha. Podemos ver como se monta o elenco de uma novela dessas que enche a nossa paciência diariamente. O autor só escreve se tiver a companhia das filhas. O diretor só fica “motivado” se o namoradinho dele está no elenco. E o elenco é um amontoado de “filho de fulana” e “filha de fulano”. Ou, em último caso, o critério é se cercar de amigos. E temos a mesma patota nos seriados de humor, nas novelas ou nos filmes. É só pegar uma folha e anotar quem aparece nas novelas de A, B ou C. A variação é mínima, quase sempre em papéis secundários. De resto são os mesmos eleitos de sempre.
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A sensação de que a televisão é um “negócio familiar” não fica restrita à Globo. Escolham qualquer emissora, o SBT por exemplo. O Raul Gil e o Carlos Alberto de Nóbrega são dirigidos pelos filhos. No caso da Praça ainda há vaga pra (ex) esposa, cunhado, filho… E se o “cabeça” mudar de emissora podem apostar que leva o “pacote” junto pra outra.
Na Band o esquema é bem parecido, assim como na Record. Na Rede TV a presença das esposas, amantes e namoradas já provocou diversas crises. Uma guerra de egos onde o que menos importa é a capacidade. E nem importa se a esposinha do dono definiu sua carreira vendo o rótulo do Toddy (maldito achocolatado
). Elas podem, elas mandam e ponto final.
Raramente (do verbo “quase nunca”) se vê alguém descolado da carreira de um parente. De momento posso citar o Guto Franco (filho do Moacir), só como exemplo. Também é incomum ver um ator, como o Lúcio Mauro Filho, que teria capacidade de estar em qualquer emissora, independente da ajuda paterna. Mais raro ainda é um caso como o da Fabiana Karla que conseguiu um teste após fazer plantão na porta da Globo. São excessões.
Não vou afirmar que todos os “filhos de alguém” que estão na televisão são desprovidos de talento. Uns tem, outros nem tanto, outros nada… Qualquer generalização seria incorreta. O problema é viver atrelado ao emprego do papai ou do marido ou de algum amigo chegado. A psicologia já nos ensinou que chega um momento em que é preciso cortar o “cordão umbilical”. Voar por si. Se libertar. Ou, no caso das emissoras, diminuir o nepotismo, que elas tanto condenam (pelo menos no discurso).
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Já imagino que algum leitor deve estar pensando que tudo isso é bobagem, as emissoras são empresas privadas e o dono pode empregar quem quiser. Sim, pode colocar a esposa como apresentadora, a filha como diretora, o cunhado como ator, a empregada, o papagaio… Por mim… Só não vão me convencer que todos estão ali pelo talento. Nem a pau, Juvenal!
E pior que tudo isso é ver como os critérios de contratação são estranhos e incompreensíveis. Dia desses eu estava reparando na gloriosa Rede TV. Será que existe um diretor artístico lá?? Fico na dúvida. Ainda mais quando lembro das últimas figuras contratadas: Mirella, Adriana Bombom, Íris ou a presença constante da Ana Carolina. Participar de algum reality idiota virou critério decisivo no currículo. Aliás, decisivo não é a palavra correta, deveria dizer que é o ÚNICO!! Simples assim:
- Olha, a anta não consegue respirar e pensar ao mesmo tempo, mas… Participou de um reality famoso.
- É mesmo? Pode contratar… E não esqueça de ensinar que ela deve apontar o microfone pra boca do entrevistado quando ele estiver falando.
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Vocês conhecem aquela piada horrível do português que escorregou numa casca de banana e no dia seguinte, ao ver outra casca, disse: Oh, meu Deus, lá vou eu escorregar de novo.
Pois é assim que a Band atua. Parece piada mas é verdade. Uma verdade surreal. Outro dia eu estava vendo uns 2 minutos do Pop Corn (aquele sensacional programa de pegadinhas surradas e vídeos da Internet). Daí liguei os neurônios. Ano passado a Band pegou o Otávio Mesquita (piloto de 5ª), juntou com uma apresentadora modelete (com suposto carisma entre os jovens), a Cicarelli, e inventou um programa horrível pros dois. Tiro na água.
Este ano a Band pegou o Otávio Mesquita (piloto de 5ª), juntou com uma apresentadora modelete (com suposto carisma entre os jovens), a Luize Altenhofen, e inventou um programa horrível pros dois. Outro tiro na água.
Será que em 2011 a Band vai pegar o Otávio, juntar com outra modelete….


Acho que não existe pior elenco que na rede TV! todos lá são contratados na base do favor. As esposas dos donos então nem se fala.
Comment by Andrade — August 13, 2010 @ 8:43 pm
Realmente a panelinha das novelas da Globo é flagrante: dá sempre pra descobrir quem é o diretor vendo se a esposa está trabalhando. Mas pior que a mediocridade e futilidade da Rede TV não há. Não sobre um programa que preste! E até um escândalo ver que gente tão sem talento e objetivo tenha tanto espaço, e tanto dinheiro para ter uma emissora própria. O programa melhorzinho é o Pânico…
Comment by Lopes — August 14, 2010 @ 7:48 pm
e o engraçado é q essas emissoras de tv no acham um bando de IDIOTAS!esse”pop corn”é só isso?piadas e vídeos da net?meus parabens teve zona por ter sobrevivido a isto.e pior,esse horário da tarde na tv aberta brasileira na semana(nos finais de semana tambem)é uma tragedia!realmente estamos num mato sem cachorro.a tv brasileira vai ter se reinventar mesmo!
Comment by leonardo-pe — August 15, 2010 @ 12:12 am