A Volta da Audiência
A televisão não é baseada únicamente em números. Eles têm a sua importância, mas não são tudo. Precisam ser interpretados. E devem servir mais de guia do que um objetivo final (ainda que muitos pensem diferente).
Nas últimas semanas eu passei muito tempo analisando e palpitando sobre a entrada de eventos esportivos (com mais força) na grade da Rede TV. Mais pra trás eu já havia reclamado um monte sobre a extremada locação de horários no fim de semana da emissora. O cenário anterior era sombrio: ela praticamente expulsava os espectadores em direção às concorrentes. A programação própria começava, quando muito, no final da tarde. Ficava espremida e desvalorizada. E o resultado disso era uma audiência sempre abaixo de 1 ponto no sábado (0,6 a 0,8 pra ser mais exato). No domingo o Pânico conseguia sozinho alterar esses números. Mas, tirando ele a média seria igual ao sábado.
Daí os donos da emissora resolveram voltar ao esporte. Não custa lembrar que há um certo tempo a Rede TV tinha os direitos de várias competições: boxe, futebol de salão, automobilismo… O que aconteceu agora foi apenas um retorno. E, igualmente, o retorno de boa parcela da audiência. Claro que devido aos diversos problemas (já abordei isso antes) a audiência ainda está longe do ideal e do potencial. Basta ver que a 1ª rodada do Inglês, transmitida sem divulgação alguma, mal chegou em 1 ponto. No último sábado o Inglês e o Italiano já estavam se consolidando com uma média de 2 pontos. E não duvido que esse número possa dobrar (chegando em 4 pontos). Precisa ajustar algumas engrenagens ainda. E dar tempo ao telespectador também. Mais ou menos como acontece agora com o UFC. Já é um programa consolidado e com um público cativo. No último sábado (madrugada de domingo, na verdade) o UFC passou os 4 pontos em vários momentos. E tirou até o 3º lugar da Record. E olha que o MMA não é exatamente um produto popular.
Claro que uma audiência média de 1,3 ou 1,4 pontos não é o sonho dourado da Rede TV. Ok, mas se olharmos a média dos últimos meses… O crescimento foi de quase 100%. Tanto é que a emissora ultrapassou a Band em São Paulo e em Minas e perdeu de pouco no Rio.
Domingo a situação foi ainda melhor. Claro que o Pânico teve influência direta nos números. Mas a Band também tinha a sua cereja, o Brasileirão. Na disputa direta entre as duas a média do domingo ficou assim:
BH: 1,8 Rede TV X 1,7Band
SP: 2,7 Rede TV X 2,4 Band
RJ: 1,9 Rede TV X 1,8 Band
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Outra emissora que teve bons motivos pra sorrir neste fim de semana foi o SBT. Novamente ela conseguiu brigar (e até vencer) a disputa com a Record pelo 2º lugar. Foi melhor em algumas praças e alguns horários, pior em outros, mas… Esse é o ponto forte do SBT, linha de shows. Tanto é que em certos momentos a emissora até tirou a liderança da Globo.
O erro grave do SBT ocorre durante a semana. Faltam produtos bons. Filmes antigos, novelas reprisadas, desenhos velhos, seriados surrados… Quando não é isso, o SBT me inventa de forçar a barra com o Ratinho e a Cristina Rocha e seus programas populistas e cansativos. Francamente… Se analisarmos a programação diária podemos dizer que a audiência do SBT é até surpreendente. Ou alguém acha que Ana Raio dando 8 ou 9 pontos é algo lógico?? A verdade é que o espectador está dando mais ao SBT do que recebe.
Pior que isso é ver como o SBT desperdiça os melhores produtos que tem. Algumas semanas atrás a emissora esgotou todos os episódios do seriado 2 Homens e Meio. Tudo exibido no meio da madrugada, diariamente. E já começou a reprisar as 7(??) temporadas. No dia que o SBT precisar do seriado num horário mais normal… Daí vai reclamar do espectador! Sim, é mais fácil culpar o espectador que enxergar os próprios erros.
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Não gosto nada de assistir as malditas revistas dominicais. Só mesmo por acidente. E quando assisto, alguns minutos, fico mais convicto ainda que são um lixo absoluto. Pois foi isso que aconteceu no domingo passado, zapeando, acabei parando alguns minutos no Domingo Espetacular.
Passava uma “reportagem” (se é que posso usar essa palavra) sobre a vida empresarial do Eike Batista. Já aviso que não sou parente, amigo, vizinho, funcionário ou simpatizante do empresário. Na verdade, na verdade… Acho ele bem antipático e arrogante. E caso tenha problemas judiciais e fiscais, não é função da Record investigar, julgar e condenar. Se é que a salada feita pelo Domingo Espetacular (ou Espetaculoso) pode ser chamada de investigação.
A matéria misturou dados (discutíveis) de uma revista internacional para mensurar a fortuna do magnata. Falou de seus barcos e aviões. Como se um homem com 46 Bi de dólares fosse viajar de ônibus. Ele tem um Legacy? Ok, e qual o avião dos bispos da IURD? Seria um Phenom?? Qual a grande diferença? Qual o problema se ele deu uma Mercedes no aniversário do filho? Queriam que ele desse um skate? E qual o problema se o filhou namorou uma panicat ou se a ex-mulher do Eike posou nua ou usou uma coleira no carnaval?? Qual a irregularidade fiscal se o Eike namora uma jovem advogada?? Ora, ora, sr. Paulo Henrique Amorim… Isso não é jornalismo. Isso é shownalismo espetaculoso. Pode até fazer sucesso com um certo público, mas não vale nada. Se quiser fazer jornalismo investigativo é melhor contratar alguém mais capacitado. E se focar em fatos concretos, não em namoros e presentes de aniversário.
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Já não bastasse o Hipertensão na Globo, a Record estreia hoje a 3ª temporada de sua Fazenda. É mais do mesmo. E do mesmo lixo. Quem lê a coluna deve ter reparado que não comentei nada sobre o Hipertensão. Sim, não vi 1 segundo sequer. Tudo que sei foi por ler alguma notinha na Internet.
No caso da Fazenda não será muito diferente. Só assistirei alguns minutos acidentalmente. Ou se houver algum fato retumbante. De resto é uma coisa cansativa e batida pra mim. Seja o BBB, o Hipertensão, a Fazenda ou o Busão. Não consigo nem identificar algum diferença (além do cenário) entre os programas. Parece um ajuntamento de idiotas para que outros (mais idiotas ainda) fiquem espiando seus hábitos e reações. Tá bom, muito interessante. Se eu quiser espiar os outros é só abrir a janela do meu apartamento, tô cheio de vizinhos…
Mas, só pra voltar ao meu foco, acho que a Globo errou ao escalar o debate dos governadores para enfrentar a estreia da Fazenda. Pelo menos eu não teria feito essa opção. Em todo caso… Agora são 21:52 e vou publicar a coluna em 5 minutos. Só saberei a audiência depois disso. Acho que vou publicar os números da audiência nos comentários. Vamos ver quem acerta.

Quem acompanha o Tevezona há mais tempo já percebeu que o meu nível de cobrança varia de acordo com o tamanho de cada emissora. E, em alguns casos, com o limite da minha (curta) paciência. Tento não cobrar, por exemplo, da Gazeta coisas que seriam difíceis até pra Record ou Globo. Não é justo. E isso ocorre também com o Esporte Interativo; tento tolerar e relevar um bocado de coisas. Mas o limite se aproxima.
Agora apaguem a última frase. Vou emitir um julgamente precipitado… hahahaha. Mas é que, francamente… Lembram do que falei antes sobre um produto bom e um produto ruim. Então, em alguns casos a ruindade é tanta que não precisamos assistir mais que um programa para saber o final da estória. E esse foi o caso do Brahmeiro F. C. que estreiou no Esporte Interativo. E eu ainda dei o azar de ver o “piloto ao vivo”.
Mas nem tudo são flores; temos os espinhos. Existem muitos problemas na programação esportiva das nossas estimadas emissoras.
Algumas semanas atrás eu citei aqui a transformação da audiência no Rio de Janeiro. Mais que em qualquer outra cidade, é lá onde a Record e o SBT conseguem incomodar (e muito) a “poderosa”. Justo o Rio, habitualmente chamado de “quintal da Globo”. Pois neste último domingo o fenômeno se repetiu. A Record conseguiu passar a Globo – mas não na média diária como alguns sites divulgaram. O índice apresentado registrou a audiência entre as 7h (da manhã) e a meia-noite. Mas mesmo assim é uma ocorrência surpreendente. E vale lembrar que no domingo retrasado foi o programa Sílvio Santos que deu um banho, liderando com folga no final da noite.