Notícia e Brahma
A nossa televisão completou 60 anos e achei meio estranho o descaso de algumas emissoras (principalmente as maiores) com a data. Uma reportagem aqui, outra ali… Nada mais. Curioso, será que estavam com vergonha do cenário atual???
Mas ok, vamos abrindo os trabalhos. Hoje vou abordar os meus dois assuntos preferidos: a montagem da grade e a leitura da audiência. Notem que eu disse “leitura”, ver os números friamente é banal. O complicado é interpretar esses dados. Isso não é fácil e nem é uma ciência exata. Talvez por isso me atraia tanto, se fosse matemática eu iria odiar.
E para abordar estes assuntos vou “roubar” duas opiniões deixadas nos comentários da última coluna: o Marcos “00″ falou do sub-aproveitamento do É Notícia e o Terence Paiva falou que ele (ele como emissora) tinha um “belo pacote” nas mãos. E concordo com ambos. No caso do É Notícia eu já estava com o assunto engatilhado, faltando apenas uma oportunidade pra abordar. No caso do esporte na Rede TV eu já venho falando desde que vi os primeiros “sinais de fumaça”.
No meio publicitário corre um ditado antigo que diz: se você tem um produto ruim, a pior coisa que pode fazer pra ele é publicidade. Vai matar o produto rapidamente. E é bastante verdade essa teoria. Mas existe o outro lado, você tem um produto bom e … E nem sempre consegue divulgar e/ou valorizar da forma desejada. E foi nesse sentido a minha reclamação com o Terence. Se o pacote fosse ruim seria até mais fácil pra mim. Já falei sobre dezenas de programas fracos aqui; notadamente erros de concepção e execução (mais abaixo vou citar outro erro grosseiro). Mas o Inglês, o Italiano, a Série B e até o UFC tem condições de manter um patamar de 3 a 4 pontos na Rede TV. Nem vou entrar na ladainha de avaliar o quanto dariam se fosse na Globo. Todo mundo sabe o peso relativo de cada emissora. Mas, como dizem, o “se” não joga.
O É Notícia é outro caso curioso. Acho que nem a direção da Rede TV apostava muito nele. Nem eu, nem ninguém… Mas a coisa foi indo. Eu vi alguns programas isolados, aqui ou acolá. Em alguns casos não gostei muito da postura do Kennedy Alencar, muito polido, muito educado. Ainda mais entrevistando certos políticos. Mas isso é mais uma questão de temperamento do que um erro de atitude. Sei lá, talvez ele esteja certo e eu errado.
Mas, independente disso, uma coisa temos que admitir, o Kennedy é bom, inteligente, culto, preparado, experiente… Um dos melhores jornalistas da televisão (e jornal) de hoje. E acabou sendo “ajudado” pela legislação eleitoral que vigora nesta época do ano. Ele teve que sair um pouco da política e mostrou competência também ao entrevistar pessoas de outros meios de atividade.
Agora fica o “problema” pra Rede TV: domingo (já madrugada de segunda), depois do intragável Dr Hollywood, não dá. É muito tarde e muito fora do contexto. Talvez, se eu pudesse palpitar, fosse o caso de colocar o É Notícia na segunda, depois do Leitura Dinâmica 2ª edição. Quem sabe…
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Outro dia, lendo um texto no site do Edu César (Papo de Bola), vi a estranheza dele ao assistir o Amaury Jr cedinho (19h, hehehe) na Rede TV. Pois é, tem isso. Algumas coisas no causam estranheza. Essa é uma. Se bem que eu até entendi uma parte da mudança que a Rede TV fez na programação do sábado. Suponho que eles tentaram se aproveitar da debilidade da Globo e Record na faixa noturna (Zorra, Legendários e cia bela). Ok, talvez tenham acertado no diagnóstico. Mas acho que erraram na medicação. Não consigo ver o Amaury Jr “quase de tarde” e também acho que o Operação de Risco não se encaixou bem às 18h. Ainda mais batendo de frente com seu “clone” na Band.
É como falei antes, a montagem da grade é uma coisa complexa. Não é matemática, precisa ser bem avaliada e não deve ser trocada toda hora. Não é fralda de bebê ![]()
Mas eu fiquei pensando nisso há alguns dias. Vejo o UFC isolado lá de madrugada, não recebe de ninguém (talvez agora receba alguns espectadores do Mega Senha) e entrega pro maldito quiz. Tudo bem que eventos de luta são tradicionais num horário mais avançado. Só que… Será, talvez, quem sabe (caro Terence), valesse fazer um teste com o UFC após a Série B, pegando a audiência do futebol, e aí sim, entregando pro Operação Resgate?!?
O ponto negativo desse meu palpite é que a mudança é meio violenta. O UFC tem tranquilidade com a concorrência na madrugada. O ponto positivo é que haveria um foco forte no público masculino no horário que citei. Futebol, UFC, OR, todos visam um público semelhante. A ala feminina vai continuar na novela, no Rodrigo Faro, Raul Gil, nem adianta pensar nisso.
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Um outro assunto (que citei antes) é a leitura da audiência. Dia desses, passando no Esporte e Mídia, vi uma nota sobre a audiência do futebol na quarta passada. Aí o articulista (do UOL, se não me engano) completou a informação ressaltando que a novela estava com 40 pontos no seu último minuto e logo após a audiência caiu para 30 por causa do futebol. Como se isso fosse algo negativo, depreciativo e marcante.
Ora, ora, ora… Desculpem mas não é assim que se avalia a audiência. Ou alguém aqui vai imaginar que todas as “donas de casa desesperadas” que assistiam a novela vão seguir com Fluminense X Corinthians?? Ou que todos os torcedores do SPFC ou Palmeiras também vão seguir na Globo?? Ou, ainda, se alguns não vão preferir assistir o jogo na Band?? Ou na tv por assinatura??
Negativo, a fuga de 10 ou mais pontos é até normal. Público de novela é um e do futebol é outro (isso de modo geral). A d. Mafalda, por exemplo, assiste novela até sonhando. Imagina acordada ![]()
Se alguém quiser discutir audiência que vá avaliar tudo:
- o que tinha na concorrência
- quanto recebeu, quanto manteve, quanto entregou
- qual o piso, qual o teto
- quanto o programa perde nos intervalos
- variação de acordo com quadros, eventos ou convidados
- histórico
E isso pra não esticar no assunto. Um exemplo do que falo é o começo da noite de domingo. O futebol entrega 6 ou 7 pontos pro 3º Tempo. E, quase sempre, o Miltão entrega 2 ou 3 pontos pro programa seguinte. Já o Belas na Rede (ou o Bola, anteriormente) recebe meio ponto da Faa Morena. Meio ponto e um cartão de “boa sorte” hehehehe… Não podemos avaliar igualmente os desiguais. E não devemos pronunciar julgamentos precipitados.
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Agora apaguem a última frase. Vou emitir um julgamente precipitado… hahahaha. Mas é que, francamente… Lembram do que falei antes sobre um produto bom e um produto ruim. Então, em alguns casos a ruindade é tanta que não precisamos assistir mais que um programa para saber o final da estória. E esse foi o caso do Brahmeiro F. C. que estreiou no Esporte Interativo. E eu ainda dei o azar de ver o “piloto ao vivo”.
Não dá. Torcedor gritando e cantando em cenas filmadas com uma “Tekpix” da vida é dose. Até a Globo chegou a tentar uma bobagem parecida (há um ano, no Globo Esporte) e rapidamente desisitiu da idéia.
Pois a Brahma e o EI resolveram teimar. E fizeram pior. Ainda juntaram uma “repórter brahmeira”, versão brasileira da madame Larissa Riquelme, pra entrevistar jogadores e torcedores. Mas a moça… Melhor eu me calar. E, pra fechar o pacote, a empresa ainda tenciona criar um factóide com a moça e o programa. Um factóide de nada, um viral de vento. E, pra derrubar tudo, o Esporte Interativo resolveu se agarrar no projeto e divulgar a bomba 719 vezes ao dia. UFA!!!
Olha, tomara que o Esporte Interativo esteja faturando muito com a parceria. Tomara que a receita pague o salário de dezenas de funcionários e mais algumas contas no final do mês. Tomara que ainda sobre algum lucro pra investir em equipamentos, cenários e eventos. Caso contrário… No caso da Brahma, só espero que vocês entedam mais de fabricação de cerveja do que de programas esportivos. Pois o Brahmeiro F. C. lembra mais a cerveja depois que esta passou pelo aparelho renal.
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Nos comentários o Terence Paiva explicou algumas coisa, concordou com algumas críticas minhas e ainda informou que vai usar mais as “belas” nas transmissões. No caso da Juliana até pode ser, apesar de que eu ainda preciso solidificar meu conceito sobre ela. Se for a Marília é tranquilo. No caso da Milene, hmmmmm… Aliás, porque você não pega logo a Cris pro esporte? Fica ela lá, uma perna no Good News, outra no esporte. Já falei aqui que ela é pouco aproveitada na emissora. Como entende do riscado…
O Leonardo critica o jornalismo da Band.
O Marcos 00 diz que gosta do SBT Brasil mas não curte o B.O. e acha que a Joyce Ribeiro merecia coisa melhor. Pois é, lugar de B.O. é na delegacia, não na tv.
O “David” diz que eu falei mal do Éder Reis. Devagar, eu falei que ele precisa “crescer” em experiência, que ainda precisa fazer seu caminho. Não vejo isso como dizer que o Éder é uma “josta”. Nada disso!! Mas, acho que o “David” poderia se identificar melhor ao fazer comentários. Do jeito atual fica chato. Não é mesmo, meu caro??????


“será q estavam com vergonha do cenário atual”:SIIIIIIIIM!e não é só a Band q está com o jornalismo ruim.o SBT,a RECORD e(pasmem)a GLOBO!desculpa o q vou dizer.mas,se juntar os 4 canais citados,não dá 1 jornal q preste!e outra,concordo q a cristina”tchuque-tchuque”lyra,deveria ser melhor aproveitada na REDETV!poderia ser no”Belas Na Rede”!
Comment by leonardo-pe — September 19, 2010 @ 1:10 pm
O EI só tá se complicando com essa…eu fico me imaginando como uma emissora que ocupa mais da metade do seu dia com propagandas, tem mais anúncios dentro dos seus programas, tem aqueles caça-níqueis pelo celular, faz parceria até pra um programa, e ainda parece tão amadora e pobre. Imagem ruim, fazem um escândalo encima de um programinha que nem é essas coisas e ainda varrem a equipe, Rafael Ribeiro, Araldi, Felipe Santos, Rolim, provavelmente por falta de dinheiro. Ou eles são muito baratos pra demanda interna, ou não investem como deveria, ou tem alguma coisa muito errada aí…não sei a audiência deles, mas talvez o que os segura são suas “mesas-redondas”…
E quanto à homenagem dos 60 anos da TV, passou um documentário muito bem feito pela ESPN Brasil. Muito bem feito e daria pra ser reprisado, inclusive…
Comment by Ramon — September 19, 2010 @ 2:17 pm
Pois é, Ramon. É bem assim que vejo a atual “cara” do EI.
O Rafael Ribeiro foi pra Record, o Rolim pediu o chapéu, Araldi idem, o Felipe Santos nem sei dizer, o Kajuru durou 3 semanas… A audiência raramente passa de 0,5 em SP. Na parabólica não sei ao certo.
Comment by Marco Telinha — September 19, 2010 @ 3:42 pm
Bem amigo, coloquei meu nome no corpo do comentário, mas vamos lá, não tenho problemas em dizer novamente meu nome David Ramos Zanetta, é claro que sei que você não quis dizer que o narrador do UFC era ruim. Só não achei legal, o fato de você se colocar na condição de crítico e não conhecer bem o trabalho de quem você critica. Não conheço o Eder Reis, assim como citei o Cléber Machado, também não o conheço sou um publicitário amante de esporte, talvez um narrador frustrado..rs…só resolvi escrever porque achei injusto, mas reconheço que este é o seu espaço e a idéia não é polemizar. Um abraço e acho legal da sua parte, o fato de você observar os comentários que fazem dos seus comentários. Afinal, todos nós estamos de olho no que ocorre na tv. Um abraço e valeu!!!
Comment by David Ramos — September 20, 2010 @ 2:33 pm
Bem, caro Davi, acontece que não quero polemizar sobre quem você é ou deixa de ser. Ainda mais quando não te vejo pessoalmente digitando o comentário. Mas tenho informações internas (do site) e sei de onde veio o comentário, o ip, hostname e coisas do tipo. Ninguém é tão anônimo na Internet quanto imagina.
Mas, tudo bem, use o nome que desejar.
Comment by Marco Telinha — September 20, 2010 @ 4:53 pm