November 16, 2010

Tele Sonho

Arquivo em: Coluna — Marco Telinha @ 11:08 pm
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silvio santos sbt
Hoje vou encerrar (até novo fato relevante) a questão do Sílvio Santos e suas empresas. Até porque já abordei o assunto em outras ocasiões. Nada é novo pra quem frequenta o Tevezona. Já falei antes e insisto: tudo isso é fruto de perfil empresarial do Sílvio Santos. Dele e de suas empresas. Uma situação que até pode ser legal (diante de nossas leis), mas nem sempre é moral ou correta.
Qualquer pessoa que volte sua atenção para analisar os negócios do Sílvio Santos há de identificar vários pontos nebulosos. Meio parecido com essa atual jogatina pelo celular (disfarçada de quiz), ou os antigos e famigerados bingos, as máquinas caça-níqueis, o 0900, etc… Alguns até se amparam em leis dúbias, mas não passam no crivo da ética. Mesmo diante da lei a atuação de algumas dessas atividades já foi condenada e proibida.
Pois os negócios do Sílvio Santos sempre lembraram loterias disfarçadas. Mesmo o hotel Jequitimar; dizem que a intenção inicial era construir um hotel-cassino. Como o projeto de liberar os cassinos nunca foi aprovado… Até o Baú, agora transformado em loja de varejo, sempre teve o foco em sorteios e prêmios. O que menos interessava era o carnê pago pelos clientes. Ainda mais que os produtos (posteriormente adquiridos pelos clientes) eram de qualidade duvidosa e de preço altíssimo. E nem venham dizer que estou de má vontade com o Sílvio. Já dirigi uma equipe de vendas (há muito tempo) e nosso público alvo era similar ao das empresas do Sílvio. Conheci até um vendedor do Baú (namorado de uma vendedora minha), que chegou pedindo emprego pois não aguentava mais aplicar o esquema para ludibriar donas de casa e vender mais carnês. Sei muito bem como é.
O mesmo vale pra Tele Sena. O pessoal da minha equipe adorava entrar numa casa e encontrar uma cliente da Tele Sena. Eles trocavam o nosso produto por uma Tele Sena vencida. Milhares de pessoas jogavam o título no fundo de uma gaveta e não iam resgatar a metade do valor “investido”. Sendo que o nosso produto valia aproximadamente a metade da Tele Sena. Então as pessoas recebiam 1/4 do valor inicial investido. Acham que as senhoras reclamavam? Nada!! Ficavam até “satisfeitas” por se livrar do papel amassado no fundo de uma gaveta. Provavelmente iriam jogar o título no lixo. Elas e milhões de outros clientes. Imaginem o volume que fica “perdido” e acaba retornando aos cofres da empresa. Sem falar que a Tele Sena é um título de DEScapitalização. Muito diferente dos títulos de capitalização vendidos pela Caixa, BB, Itaú e demais bancos. Mas isso não interessa aos clientes do Sílvio. O foco deles e da Tele Sena é o jogo. Querem o prêmio, não resgatar o título.
Até mesmo a Jequiti Cosméticos tem um pé na jogatina. Reparem na publicidade da empresa. Metade visa divulgar os produtos, a outra metade foca na participação no Roda a Roda e nos prêmios que vendedoras e clientes podem ganhar. A mesmo história de sempre, o Sílvio sabe mexer com o imaginário popular. E brincar com a sorte é um dos pontos mais notórios.
Caso duvidem de mim, vejam a atual propaganda da Jequiti. Diz que fez mais duas milionárias no Roda a Roda. As duas juntas ganharam 1 milhão. Nem preciso de calculadora para saber que cada uma levou 500 mil. Nenhuma delas está milionária. Se é que ganhar 1 milhão seja o mesmo que ser milionário. Talvez seja no imaginário e na ignorância das clientes do Sílvio. Pois é isso que conta. A imaginação, o faz-de-conta, o sonho… E nessa hora sai o empresário de atividades duvidosas e entra o animador de auditório. Rodando e dançando, rodando e dançando
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Pode ser coincidência, mas ontem, 15/11, vi uma interessante reportagem no SBT Manhã. A matéria falava maravilhas do novo perfil dos universitários no Brasil. Todos com acesso aos bancos das faculdades graças aos programas de transferência de renda, subvenções e ao aumento do poder aquisitivo das classes mais baixas. Nem o programa eleitoral do PT teria feito melhor. Não vou dizer que a matéria é mentirosa. É muito provável que o número de universitários das classes C e D tenha ultrapassado o das classes A e B. A questão não é essa, é aquele baita cheiro de “gorgonzola” e de matéria encomendada. E olha que o SBT tem um histórico vasto em reportagens de origem incerta e destino evidente.
Eu poderia falar um monte de coisas sobre a dependência do SBT; o auxílio gigantesco intermediado pela Caixa; a necessidade de receber verbas publicitárias das estatais; a manutenção da concessão… Não estaria mentindo. Mas… E as outras emissoras? São muito diferentes do SBT? São realmente independentes do governo?
Eu também poderia falar um monte de coisas sobre o PT, o governo Lula e sua frequente tentativa de controlar a imprensa. Não estaria mentindo. Mas… E os outros governos? Era diferente na época do FHC? Ou com o Sarney? Ou com os militares? E mesmo antes de termos a televisão, o Getúlio vivia brigando com os jornais que o criticavam. E antes do Getúlio, mesmo no século passado, sempre tivemos esse embate entre imprensa e o poder governamental. Antigamento se usava mais a força para controlar as vozes discordantes. Hoje se usa o poder econômico. Mas a intenção é sempre a mesma: controle.
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Podem até dizer que eu estou exagerando, mas sempre parto do princípio de que o veículo é tendencioso. Se favorece a situação é até fácil notar suas atitudes. Fica muito evidente. Se é de oposição pode até se fingir de “poder fiscalizador” por um tempo, mas também acaba revelando suas reais intenções. Ainda mais quando só enxerga defeitos no governo (federal, estadual ou municipal) que combate.
Jornalismo isento é quase uma obra de ficção. Não é fácil ver um desenho feito com tinta preta num papel branco. Está lá, imaculado. E a gente pode jogar a tinta que quiser. Vermelha, azul, verde, roxa… Qual será a cor da verdade???

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4 Comentários »

  1. queres q seja sincero:APOIO mesmo essa nova regulamentação(o q vcoce chama de controle).TODAS as profissões,até os deputados,tem responder quando cometem erros.por que a imprensa não pode responder por seus erros?na argentina,tem essa regulamentação de mídia q foi aprovado pelo congresso.na américa latina e até”no berço da democracia”os EUA,tambem tem leis q regulamentam tvs,jornais e jornalistas.o q acontece q não estamos maduros para discutir regulamentação da mídia.dai essa interpretação de”controle.ou tendencioso”.ainda temos q andar muito para frente nesse assunto e tratalo mais seriamente.não com essa vergonha q muita gente tem!

    Comment by leonardo-pe — November 17, 2010 @ 10:20 pm

  2. Só posso dizer que é uma questão muito complicada…torço muito que não se arruíne e nem acabe como os Bloch…

    Comment by Ramon — November 18, 2010 @ 12:56 am

  3. E quanto à imprensa, não adianta nem discutir sobre isso.

    Qualquer coisa, eles vão se fazer de vítima, vão recorrer à “‘libertinagem’ de expressão”, à memória de Herzog, qualquer coisa, mas a imprensa brasileira nunca permitirá que seja questionada. Infelizmente, nós temos que conviver com esses jornalistas de merda acima do bem e do mal…

    Comment by Ramon — November 18, 2010 @ 1:01 am

  4. É bom lembrar que controle da atividade profissional é uma coisa, controle de OPINIÃO é outra, bem diferente. O que eu falei na coluna foi sobre controlar a linha editorial de emissoras, jornais e demais veículos. E isso é coisa de ditadura.

    Comment by Marco — November 18, 2010 @ 3:37 am

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