A Pauta Maluca
Eu já estava com o assunto na pauta e acabei lendo o comentário de um leitor (Cícero) com o mesmo espanto ao ver o Belas na Rede do último domingo. E não consigo imaginar um espectador (independente de sua preferência clubística) compreendendo a pauta do programa.
Mas vou começar do início; vi o jogo entre Fluminense e Guarani zapeando entre a Globo e a Band. Tudo dentro da normalidade. Sim, até mesmo a euforia do Sandro Gama fazia parte do script. Não duvidem que aquelas “puxadas de brasa” pro lado do Fluminense eram orientação de algum diretor da emissora. A Band sabe muito bem da rejeição que provoca em diversos Estados do Brasil. O “teatrinho” do Sandro é apenas uma tentativa de dourar a pílula.
Depois do jogo eu fiquei zapeando entre a Band e a Rede TV. No 3º Tempo, apesar da cara azeda dos “comentadeiros”, deram um espaço razoável aos festejos do título. Já tinham cinegrafistas no local, repórteres, o Edmundo, o Téo… Deu pra fazer o “arroz com feijão”, mas sem tempero algum. Já no Belas na Rede…
Francamente, não entendi nada!! Parece que a pauta do programa foi preparada por um marciano. Ou alguém que não sabia que o título do Brasileirão estaria sendo decidido alguns minutos antes. Só havia link no Serra Dourada (que eu tenha visto). Estava lá o Fernando Fontana e assisti ele entrevistando o zagueiro William. E o encerramento da carreira do zagueiro foi assunto forte no debate das belas. Os outros assuntos foram a venda do Elias, a participação do Corinthians na pré-libertadores, os vacilos do Tite… E, obviamente, o choro da Milene Domingues dizendo o mesmo da outra semana: “eu estou triste… nós perdemos… vamos dar a volta por cima…”
Se tinha link no Engenhão eu não vi. Link em Minas, nem em sonho. Os lances da vitória do Fluminense só depois de uns 30 minutos. Tudo bem que aí dependem de outras emissoras, mas… Nem o Esporte Interativo faz uma lambança desse tamanho. Mesmo com toda a falta de estrutura e equipe os caras vão no improviso, usam celular, Skype, imagens da Internet, megafone, sinais de fumaça… Não importa, a pauta é o título de campeão brasileiro. Pouco importa o clube, a cidade, o Estado… Até um aluno na primeira aula de jornalismo sabe que existe uma reunião de pauta e é nela que se define o que será tratado, quem será convidado, as matérias que serão preparadas… Será que depois de 11 anos de atuação a Rede TV não consegue botar um link ao vivo no Rio? E se o Cruzeiro fosse campeão? Havia um “plano B”?? Qual foi o planejamento pro programa? Ora, ora, ora…
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Ainda no embalo do futebol, vou puxar dois pontos interessantes:
- Vocês repararam na cara de pastel dos “comentadeiros” panacas que estavam com o discurso pronto pra vomitar que o Corinthians foi prejudicado pelos rivais, que pontos corridos é ruim, que houve influência externa e blá blá blá… Acontece que o Corinthians nem venceu o jogo dele. Não fez a sua parte e não pôde jogar a responsabilidade nas costas dos outros. E vamos entender que: nos pontos corridos o campeão é quem soma mais pontos. Não quem é ajudado por rivais ou tropeços de adversários.
Outra coisa que precisa ficar clara é que o Corinthians não é culpado pelas idiotices que a “Timão Press” vomita. Na verdade esses caras usam o clube em seu benefício pessoal. São um bando de PARASITAS!!
- O 2º ponto é sobre o Muricy Ramalho. Fiquei vendo os panacas da “imprensa” esportiva dando “tapinhas nas costas” do técnico, bajulando, elogiando… Metade desses caras estavam metendo o malho no Muricy quando ele recusou o convite do Ricardão Teixeira pra ser técnico da seleção. Apesar desse não ser o assunto principal do Tevezona, usem a busca e vejam o que escrevi sobre a decisão do Muricy naquela época. Aqui o discurso não muda de acordo com a direção do vento.
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Nos comentários da última coluna o Ramon demonstrou sua insatisfação com programas locais (basicamente de São Paulo) sendo jogados em rede nacional. E com o agravante de dar um tom pessoal (ou clubístico) a certos assuntos. Acho que já falei mais de dez vezes sobre isso, mas…
Outro dia mesmo comentei que conheço vários programas regionais (citei um da TV Tribuna). E também acompanho as principais redes com sua programação do satélite. Se a emissora joga no satélite o sinal de uma cidade… Acho que todos vocês sabem, por exemplo, que a Band tem blocos regionais do Jogo Aberto. Em vários Estados existe a edição local pra tratar dos clubes daquela região. É algo compreensível e até lógico. O ponto crucial é combinar X e entregar X pro espectador. Se tá combinado… Um exemplo disso é o programa esportivo da Alterosa (SBT de Minas); existem 3 participantes na bancada. Cada um torce por um clube e veste a sua camisa no programa. Cada um cumpre a sua função de puxar a brasa pra seu clube e zoar com os rivais. Nenhum espectador poderá reclamar pois o desenho do programa é aquele. Está totalmente explícito. Coisa que não acontece, por outro lado, com vários programa em rede e com supostos “comentaristas esportivos”.
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E essa coisa de programas locais transmitidos em rede não é privilégio do esporte. Temos dezenas de exemplos. Outro dia mesmo vi uma cena até engraçada no Primeiro Jornal. O Faccioli começou a falar da própria audiência (!!!), do programa, dos espectadores… Se animou e começou a mandar abraços pra quem estava em Belém, Fortaleza, Salvador, Curitiba… Daí virou pra outra câmera e chamou imagens do helicóptero mostrando um início de congestionamento na Marginal do Tietê, em direção ao interior. E foi nessa tocada por quase todo o programa.
Agora, pergunto, pro sujeito que está em Belém, qual o interesse em saber do tráfego de veículos na Marginal?? O sujeito que está em Salvador vai se preocupar se um caminhão tombou na Imigrantes? Dá um tempo!
Não por acaso a audiência de vários desses programas mal chega em 0,5 ponto em muitas capitais. Não poderia ser diferente.
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Outro dia (domingo) vi o Ver TV na TV Brasil. Não sei exatamente se o programa é reprisado e em qual dia. Mas recomendo que procurem assistir. O tema do programa era a lei de concessões de TV e rádio e a atuação do governo diante das empresas de comunicação. Não exatamente deste governo, de todos. Há coisa de 40 dias eu falei sobre isso e disse que nunca havia visto uma emissora batendo de frente com o governo ou vice-versa. E repito, isso vale pro Lula, FHC, Collor, Sarney, militares… Se a gente puxar o fio vai acabar no D. Pedro 1º.
Então, através do programa soube da última emissora que perdeu a concessão. Foi em 1970!!!! A Excelsior. Depois disso os ilustres senhores resolvem seus conflitos entre taças de champanhe e petiscos de caviar.
Depois volto ao tema, com mais calma.

Acho que todos conhecem aquela estória de botar a vaca na sala, infernizar o ambiente, e depois retirar a vaca para o alívio de todos. Pois é isso que parece estar ocorrendo nas transmissões esportivas da Rede TV. Estão criando problemas onde não haveria.
