January 24, 2011

Legal, Pero No Mucho

Arquivo em: Coluna — Marco Telinha @ 10:39 pm
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Eu não gosto muito de “bater” em certos assuntos porque eles são recorrentes e 101% sedimentados. E isso acabaria enchendo mais a paciência dos leitores que ajudando. Mas hoje não tem remédio. Tenho que desabafar e cuspir na cara da nossa mídia pobre, remelenta e mal lavada. O complexo de vira-latas é pouco para explicar o comportamento das “mentes privilegiadas” de nossas redações. Parecem crianças de 3 anos que fizeram o desenho de uma casa (com 3 paredes) e precisam da aprovação (elogio) do papai e da mamãe.
Mas é melhor começar do começo. Nos últimos dias vi a mesma notícia correndo pelos maiores telejornais da televisão brasileira (e talvez tenha replicado em jornais, rádios, portais…). E em todos os noticiários o apresentador exibia um largo sorriso e um ar triunfal ao dizer que:
- Site da CNN avalia o brasileiro como o povo mais legal do mundo!
Pronto, resolvemos todos os nossos problemas e somos os tais! Podem abrir a janela e gritar bem alto: somos os “mais melhor di bão” do mundo inteiro. Estão felizes? O ego tá inflado?
Agora me deixem perguntar: E daí??? Qual a importância se 5 ou 7 jornalistas da CNN, em meio à donuts e xícaras de café com creme, fizeram uma lista de “positivo e negativo” e acabaram escolhendo o brasileiro como o povo mais legal do universo? Qual o resultado prático? Qual o motivo de orgulho ao deixarmos o povo de Singapura (!!!) em 2º lugar?? Desde quando isso tem alguma relevância ou valor científico?? Dariam o mesmo crédito se um jornal da Ucrânia elegesse o brasileiro como o povo mais… mais… mais dorminhoco do universo??
Mas o lado engraçado da história e ver os pontos “positivos” que influenciaram na escolha dos brasileiros. Preparem-se!!! Foi o futebol, o carnaval e a praia (recheada de biquinis e bundas e sem ambulantes e cocô de cachorro, obviamente). Acho que daqui a 128.000 anos uma nave alienígina vai descer numa Terra desabitada e seca e após dias de pesquisa e escavações vai descobrir vestígios de uma civilização que cultuava a bola e as bundas. Nada contra as duas, mas… É patético perceber que o planeta olha para o Brasil e só reconhece isso. E é muito triste perceber que nossa mídia (ou elite intelectual) se orgulha disso. É o biscoitinho do vira-latas. O biscoitinho dado pelo adestrador de bestas.
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Aliás, a nossa mídia é pródiga nesse assunto. Acho que meu trauma com o Fantástico começou quando eu tinha 6 meses de idade e assistia a Glória Maria entrevistando os astros internacionais que (eventualmente) visitavam o Brasil. Eu estava deitadinho no berço e via a Glória Maria perguntando o que o gostosão achou da paisagem do Rio, se gostou das praias, se provou a caipirinha e a feijoada, se conhece nossa música, se gostou das mulheres brasileiras… Evidententemente o babaca já estava ensaiado pelo agente (ou contratante) pra responder tudo de acordo com o script.
Passaram-se algumas décadas e nada mudou na Brasilândia. Só aumentou o número de artistas famosões. Mas basta o sujeito descer do avião pra aparecer uma nova Glória Maria e perguntar sobre a paisagem, sobre o futebol, a música, as mulheres… E as respostas continuam as mesmas; nem pra atualizar. Só sabem citar as coisas mais básicas: Tom Jobim, carnaval, caipirinha, Flamengo… Sim, todos são flamenguistas. Ou vocês já viram algum que torça pelo Santos, pelo Grêmio, Cruzeiro, Portuguesa…? Mas outro dia vi uma dessas entrevistas e chorei de rir. Perguntaram pra algum astro qual cantor brasileiro ele conhecia. E o cara começou com aquela ladainha de Tom Jobim, João Gilberto e… e aí ele disse que havia escutado um cantor novo. E ficou olhando pra um lado e outro pra ver se algum assessor dava uma dica. De repente deu um estalo e lembrou: Era o Toquinho!!!! Hahahahaha. Coitado do Toquinho, mais de 40 anos de carreira e agora ele vira um “cantor revelação”.
Mas tudo bem, o errado não é quem responde. Errado é quem pergunta!!
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Por falar em perguntar… Vocês já repararam como pouca gente (da imprensa) sabe perguntar?? Falta conhecimento e falta raciocínio pra elaborar questões mais profundas. 97% das perguntas ficam naquela coisa de: “algum disse X, o que você acha disso?” ou “e sobre tal coisa, o que você tem a declarar?” Não passam muito disso. E, pior, qualquer que seja a resposta o entrevistador não reage ou improvisa, segue com as mesmas perguntinhas que estão rabiscadas no bloquinho.
A coisa é tão ridícula que, numa situação hipotética, poderemos ouvir o seguinte diálogo:
Repórter: Você está pronta pro carnaval deste ano?
Ivete: Não muito… acabei de chegar do médico e ele disse que só tenho 2 semanas de vida.
Repórter: E você acha que isso vai atrapalhar sua agenda de shows??
:lol:
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Ainda sobre o mesmo assunto… Não sei se é causa ou consequência, mas… Já perceberam como a maioria dos telejornais não mostra mais as perguntas dos repórteres?? Sim, a edição corta tudo e monta só as respostas. A coisa é tão exagerada que em certos momentos fica difícil entender qual era o assunto. Quase que temos que adivinhar a pergunta.
E a prática não é exclusividade de uma emissora ou programa. Está alastrada. Mas não venham dizer que fazem isso porque a pergunta pode ter sido feita por um profissional da concorrência ou que estão economizando tempo. Existem meios de contornar os dois problemas e a desculpa não cola.
Aliás o problema não é restrito à televisão. Peguem um jornal e vão encontrar dezenas de “fulana declarou isso”, “beltrano declarou aquilo”… Parece que a função do jornalista é apenas repetir o que alguém declarou. Coisa que até um gravador baratinho é capaz de fazer.
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Alguém acha graça naquele sambinha xexelento que a Globo lança em todo início de ano pra falar de sua programação? Francamente… Coisinha dispensável!!!
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O Flávio Ricco defendeu a média dia de 24 horas no lugar da atual que vai das 7h até a meia-noite. Já falei antes e repito: média dia é de 24 horas! Se alguém se sentir prejudicado que vá chorar na cama.
E digo mais, já passou da hora do Ibope mensurar melhor a audiência das parabólicas. Também já abodei o assunto e volto a insistir. Não é tão difícil medir a audiência das parabólicas (ou mesmo dos canais pagos). Até por ser mais precisa e realista ao levar em conta o país todo e não uma cidade ou outra.
E num futuro não muito distante, penso eu, teremos que saber também a audiência das emissoras que transmitem via Internet. O setor ainda é muito bagunçado aqui no Brasil. Mas em países mais avançados já é uma realidade cada vez mais forte. Mais dia, menos dia…

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9 Comentários »

  1. e este q vos fala,viu essa”IMPORTANTÍSSIMA”matéria,falada pela Renata Maranhão no”Leitura Dinâmica”(REDETV).aí eu fiquei pensando:nossa,mas q descoberta científica!concordo contigo.pouquíssimos jornalistas Sabem perguntar.mas,isso tambem tem o dedo das nossas faculdades.aquilo q venho falando há um certo tempo.os caras nos tratam como”IMBECIS ÚTEIS”!

    Comment by leonardo-pe — January 24, 2011 @ 11:14 pm

  2. no Brasil só existem 2 clubes(segundo a”grande mídia”):Flamengo e Corinthians!o Resto,já diz o nome.eu não acho graça no”Sambinha”da TV GLOBO.aliás:o carnaval é a HIPOCRISIA em forma de festa.mas,a turma gosta dessa hipocrisia,paciencia!seriedade,não é o forte.o negócio é folia!

    Comment by leonardo-pe — January 24, 2011 @ 11:20 pm

  3. O fato é que é altamente necessário a medição das audiências das parabólicas e das fechadas. Sim, até pq existem canais abertos dentro dos pacotes, e pelo que eu saiba, suas audiências não são contabilizadas…

    Mas, mais importante do que isso, é o uso mais frequente de valores de outros grandes centros do país…na hora de falar das médias, das alegrias, dos delírios da Record quando ficam 30 segundos em primeiro lugar, por exemplo, só levam em consideração os números da grande São Paulo. O correto seria levar somente a média nacional, pareceria mais coerente…

    Comment by Ramon — January 25, 2011 @ 10:27 am

  4. Ah, e esse samdinha da Globo…eu só posso adaptar daquele clássico de Vampeta:

    “Eles fingem que cantam, e eu finjo que assisto.”

    É uma coisa tão pouca que nem merecia uma crítica mais pesada…

    Comment by Ramon — January 25, 2011 @ 10:31 am

  5. Não existe telejornal no horário nobre no Brasil; o que existe são “revistas de variedades” como os “jornais” da Band e do SBT ; até no tom dos apresentadores, que parece que estão rindo da cara de quem assiste, já podemos ver que não há seriedade ali. O jornal da Rede TV! ainda é prejudicado por ter poucas afiliadas, mas tb segue a mesma linha. O da Record (clone) não dá para levar a sério e o da Globo, em muitos momentos, se preocupa mais em falar dos EUA do que do Brasil de forma séria; mas tb esperar o que de um jornal em que o apresentador chamou os telespectadores de “Homer Simpson”…

    Como você mesmo já disse quem quer jornais um pouco (mas bem pouco) mais analíticos tem de ver o Bom Dia Brasil e o Jornal da Globo, que são menos ruins. O Leitura Dinâmica a meu ver é o único que não se assume como jornal, no que faz muito bem; é mais um resumão de variedades, tanto que praticamente não tem reportagens mesmo.

    Concordo plenamente em relação à média de audiência ser medida de forma mais ampla.

    Comment by Alexandre — January 25, 2011 @ 2:47 pm

  6. Nossa vc tocou num ponto q me irrita muito, tem certas perguntas q me fazem mudar de canal(principalmente as que fazem para os “astros” internacionais. To cansada de “O que vc achou do povo brasileiro?”), é sério, baixa o Saraiva em mim! Tenho tolerância zero com essas coisas. Não é possível q se passe anos numa faculdade pra fzer perguntas desse tipo, as vezes penso q uma criança seria mais criativa.

    Comment by Suelie — January 25, 2011 @ 5:18 pm

  7. @Ramon, pior que a Record urrar quando fica 30 segundos na liderança em SP é pescar a audiência de uma cidade específica (Fortaleza, Belém ou Brasília) e divulgar isso como se fosse uma realidade NACIONAL. Coisa que NÃO é. Se usarmos esse tipo de critério até algumas afiliadas da Rede TV conseguem beliscar a liderança (ou vice) em algumas praças, por míseros minutos.

    @Alexandre, o Leitura Dinâmica é até legal, mas não é JORNALZÃO. É um jornal cultural. Acho que só na Cultura fazem algo parecido.

    Comment by Marco Telinha — January 25, 2011 @ 8:33 pm

  8. o Leitura Dinâmica é uma”Revista Eletronica de variedades”.da qual é o programa legal de se assistir.menos nas matérias imbecis,feito essa”pesquisa”q a nossa Renata Maranhão disse com muito orgulho.mas,ela é modelo de profissão,damos um desconto!a turma tá irada mesmo teve zona!

    Comment by leonardo-pe — January 26, 2011 @ 12:13 am

  9. @Leonardo, então umas das ideias aqui do site é exatamente separar o joio do trigo (frase velha pacas!!). Tem programa legal e tem porcaria. E cada um de nós define isso de acordo com seus critérios. Idiotice é achar que TUDO é bom ou que TUDO é ruim. Mesmo no Leitura Dinâmica, no caso de quem assiste, existem matérias boas e lixos absolutos. A gente é que deve fazer a seleção e NUNCA aceitar tudo que nos é imposto pela tv ou mídia. ABS

    Comment by Marco Telinha — January 26, 2011 @ 1:54 am

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