Exploradores e Mentirosos
Quem lê a coluna há mais tempo já deve ter percebido que não sou corinthiano. Mas não tenho nada contra. E nem faço parte da turma do “torcer contra”. E sempre que citei o clube foi por causa da “Timão Press”. Ou pela exploração excessiva que a maioria das emissoras faz ao cobrir o clube. Mas isso é a nossa mídia esportiva. Não é culpa do clube. Mesmo que ele se beneficie, indiretamente, pela exposição massiva. As emissoras se beneficiam muito mais. E mais ainda os ex-jogadores, corneteiros e demais exploradores que fizeram do clube um novo ganha-pão. Ou alguém acha que eles estariam na mídia se torcessem pela Portuguesa ou tivessem jogado no XV de Piracicaba? Então é bom deixar tudo bem claro: meu problema é com esses panacas, nada contra o Corinthians, que é muito maior que esses “peixinhos de tubarão”.
Pois bem, na quarta passada, casualmente, assisti o Jogo Aberto. Um pouco depois de me deliciar com a primeira-dama do Tevezona, no Rede TV Esporte. E, obviamente, os torcedores de microfone, estavam atacados. Todos davam a vitória como certa, diziam que o Tolima é fraco (até com razão), diziam até que a não presença do Roberto Carlos iria ser positiva. O “craque Neto”, por exemplo, disse que o lateral reserva (Fábio Santos) estava em melhor forma, poderia apoiar mais, poderia cobrir o zagueiro, poderia isso, aquilo… Completou dizendo que havia sido o melhor lateral esquerdo do Brasileirão de 2010!!
A ladainha dos torcedores de microfone é a mesma de sempre. Nunca dizem a verdade que pode desagradar a massa. Preferem mentiras e demagogia. Ainda mais quando não estão preocupados com o Corinthians de verdade. O real interesse deles é com seus altos salários e com a audiência de seus programas. E, obviamente, com sua popularidade pessoal. O Corinthians pra eles é puramente um negócio, é bom o torcedor entender isso. E esse é o único ponto que me incomoda nesse assunto. Já tive uma coluna esportiva e senti na pele (figurativamente) a antipatia e o destempero de alguns fanáticos quando se faz uma crítica construtiva. Era a época do Kia, dos fundos de investimentos, do presidente que não largava o “osso”… E eu ficava falando: “…Olha, isso não vai dar certo… Esses caras só estão explorando o Corinthians… Não vão dar nada, vão é tirar… São um bando de picaretas…” Já os programas esportivos, os jornais e rádios viviam babando os ovos dos safados e se degladiando pra ver quem teria o Kia ao vivo no domingo. Era um orgasmo múltiplo quando viam o tal iraniano no estúdio. OK, é passado!
Mas o mais engraçado desses torcedores de microfone é ver como eles mudam de discurso de acordo com o vento. Na quinta… Vocês viram os programas esportivos?? Era o Ronaldo Giovaneli batendo pézinho e jogando coisa no chão, era o doutor com cara de velório, era o Neto com explicação pra tudo… Hahahahaha. Nem perdi mais tempo vendo o Chico Lang, Xico sei lá do que e demais humoristas. Foi o suficiente pra mim.
Mas, apesar de não contente pela derrota do clube, fiquei muito feliz em ver a máscara dos mentirosos cair. Os falsos corinthianos mostraram o quanto valem. Mostraram que são engenheiros de obra pronta. Mostraram que são os profetas do passado. Ou algum corinthiano (de verdade) viu algum deles falando alguma verdade na hora em que aconteceu? Só como exemplo:
- Eles disseram algo sobre a patotinha que existe (há muito tempo) no time?
- Falaram sobre o esquema pra derrubar o Adilson Batista no ano passado?
- Criticaram o descompromisso total do Ronaldo gorducho?
- Algum deles falou de quem foi a culpa do Corinthians ter deixado escapar um título (talvez o mais fácil de sua história) quase ganho? Sim, eu vi eles jogando a culpa no SPFC, no Palmeiras, no Papa, no Saci… Ora, ora, ora, se o Corinthians tivesse feito a sua parte não precisaria de ajuda de rival algum.
- Alguém viu o presidente ser criticado após vender o principal jogador do clube (Elias)? Como se explica o clube ter tanto dinheiro pra alguns e não ter grana pra segurar o melhor jogador? Será que a lição de 2009 não foi aprendida??
Isso tudo e mais umas 20 outras questões. Mas tratar de coisa séria não dá Ibope. Legal pra esse povo é “jogar pra galera” e encontrar algum bode expiatório. E continuar enrolando os torcedores de verdade.
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E já que estou no tema: tá difícil assistir esse Sub-20 na Band. Começa que tudo é feito no estúdio. Nem reportagem tem no estádio. Em vários momentos o Nivaldo Prieto ficou “vendido” e disse coisa errada por não ver as sinalizações da arbitragem e ter momentos de “sombra” por causa do replay. Tudo bem que não é culpa direta dele, mas…
Também sei que não é fácil comentar vendo um jogo pelo monitor. Especialmente a parte tática. Mas o lado técnico é possível sim. E eu continuo sem aceitar o Denílson como comentarista. Pode ser simpático, engraçadinho, gente boa, sei lá mais o que… Mas é abaixo da média. E olha que a média já é muito baixa. Ele deixa passar muita coisa e fica comentando lances isolados. E, francamente, se eu já estou VENDO o jogo, não preciso do Denílson pra dizer que o atacante pegou muito por baixo na bola (e isolou-a) ou que o lateral deveria ter cruzado em vez de chutar em gol. Se fosse numa rádio até que teria utilidade.
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Nos comentários da última coluna, o pessoal falou muito sobre os apresentadores de “puliça news” que ganham a confiança do povo e acabando entrando (ou tentando entrar) no mundo da política. Daí me lembrei de 2 pontos interessantes e que esqueci de citar na ocasião.
Primeiro é bom lembrar que o noticiário policial é algo normal e faz parte do cotidiano de um jornal, rádio ou televisão. O que eu critico aqui é o policialesco fajuto. Os defensores de “frascos e comprimidos”. Aqueles que buscam a violência pela violência. Essa gente parece um pouco com os torcedores de microfone que citei acima. A diferença é que esses vivem às custas da violência. E não venham dizer que estou inventando ou exagerando. Há menos de 1 mês tivemos o caso de uma repórter de uma afiliada da Record que mantinha contatos com traficantes para obter acesso fácil aos assassinatos e roubos. Caso isolado? Bem, lembro de um caso ocorrido no Amazonas (salvo engano) onde o apresentador de um desses “puliça news” participava diretamente de assassinatos e violência. E sempre chegava antes na cena do crime. Ele fazia os 2 papéis, puliça e bandido. E se a gente procurar bem vai encontrar vários outros casos de “relações incestuosas” entre a imprensa, a polícia e até os bandidos.
O segundo fato relevante é que muita gente pega um assunto desses e vem com aquele papo de que esse tipo de programa (e apresentador) popular faz sucesso no Norte e Nordeste, que eles fazem o papel de defensores de uma parcela desassistida da população, que são a voz do povo, que são o retrato da carência cultural, etc… Sim, assisto muitos programas dessas regiões e sei que os programas popularescos são a festa das emissoras. Pelo menos no Ibope. Mas… Será que isso só ocorre nos Estados mais pobres??? Vamos olhar um pouco pra São Paulo, Rio… Como foi que o Celso Russomano ficou popular e virou deputado?? E qual é a nobre tarefa do sr. Wagner Montes no Balanço Geral do Rio??? Quem tem telhado de vidro…


