March 11, 2011

A Política das Educativas

Arquivo em: Coluna — Marco Telinha @ 8:09 am
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Eu já não sou de assistir muito as grandes redes. Já comentei sobre isso diversas vezes. Daí juntou o carnaval e eu fiquei ainda mais longe da cobertura chatonilda e dos desfiles. E, independente de gostar (ou não) de carnaval e folia, a cobertura dos festejos na televisão anda cada ano mais irritante, monótona e estupidificante. É um negócio de repetir jargões e opiniões surradas… Alguém parou pra contar quantas centenas de vezes ouviu algo sobre “tirar o pé do chão” ou “sentir essa energia” durante o carnaxé baiano?? Ou quantas vezes, durante os desfiles das escolas de samba, alguém falou em “espetáculo inesquecível” ou em “empolgar a arquibancada”? Ou alguém consegue se interessar por uma daquelas enriquecedoras entrevistas com alguma mulher-fruta nos Bastidores do Carnaval da Rede TV? E o que falar das dezenas de reportagens (sérias) sobre a indústria da folia, sobre como evitar a ressaca, sobre a preparação das musas…
Sem falar que as emissoras fazem galhofa com o telespectador. Caso da Globo, que adora uma “interação”. Há muito tempo a emissora pegou o costume de convidar o espectador a votar e dar sua opinião sobre a melhor escola. Opinião essa que, invariavelmente, conflita com o resultado oficial. Mas tá bom, passava a última escola no carnaval do Rio (eu estava esperando o Bom Dia Brasil) e ia terminando o desfile da Beija Flor. Não bastasse a popularidade da escola, tinha o “rei”, o final dos desfiles, comentarista chorando, outra indo pra área externa pra acenar pro Roberto Carlos, outro imitando o cantor… Daí vem o resultado da opinião do povo e … A Beija Flor leva uma nota baixíssima e fica nos últimos lugares. A Ana Paula Araújo e o Chico Pinheiro começam: “ah, isso é a torcida do contra” … “isso é inveja” … “a votação pelo telefone não vale nada”… “aqui é só brincadeira” … “amanhã a gente vai saber o resultado verdadeiro”… Ora, ora, que aquilo não vale bost4 nenhuma eu sei muito bem. Curioso é que os apresentadores da Gorda só lembram disso quando a votação popular desagrada eles. Assim também, até a d. Mafalda!
Claro que eu poderia fazer 30 postagens sobre as porcarias exibidas pela televisão e as bobagens ditas nesses dias de festa. Mas não vi muita coisa. Mal tive ânimo de parar 2 minutos pra ver a Nadja Haddad ou a Débora Vilalba no Recife. Nem elas compensam o sacrifício. Preferi gastar meu tempo ocioso assistindo as nanicas. E foi até bom. Pelo menos não encheu tanto a minha paciência.
      Tevezona normal e as melhores do carnaval
Segue…
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Quando falo em emissoras nanicas é pra valer. Vejo de tudo. Teve hora, na falta de opção, que eu estava assistindo corrida de cavalo na TV Jockey Club. Felizmente resta a Internet como refúgio (quase) seguro. Mas também assisti algumas das educativas e lembrei de alguns assuntos sobre elas que eu vinha sem oportunidade pra comentar. Em colunas anteriores eu já falei sobre meu descontentamento com a interferência dos governos nas emissoras, com os desmandos, o empreguismo e o desperdício do dinheiro público. Sim, o mais grave é que elas se sustentam com o dinheiro de nossos impostos. E o resultado que vemos na telinha nem de longe lembra uma televisão de qualidade.
Outro dia, vi uma chamada da TVE RS falando de sua nova programação, agora em parceria com a TV Brasil. Nem preciso lembrar que essa mudança ocorreu junto com a troca do governo estadual. Periga, daqui a 4 anos, a TVE voltar pro lado da Cultura. Isso se mudar o governo. Ou se a Cultura sobreviver até lá…
A Paraná Educativa também é complicada. No tempo do Requião ele ocupava 87% da grade. Nem precisavam gastar dinheiro com programação. Agora parece que a emissora vai de TV Brasil também. Isso se o novo governador não quiser estampar seu rostinho lá em tempo integral. Ou se a emissora não for aguardar nova mudança de logomarca e design. Parece que o único setor forte na Paraná Educativa é a arte. Todo mês entra um logo novo. O site, por exemplo, ninguém cuida. Passei lá outro dia e estava só o esqueleto. Cliquei numa seção e não havia conteúdo, fui pra outra e nada. Mais outra e nenhum artigo. Fica complicado.
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Parece que a interferência externa também ocorre na TBC (a educativa de Goiás). Alguém lembra daquele jornalista que pediu demissão (ao vivo), no final do ano passado, por causa de pressões políticas. Então, outro dia vi o mesmo jornalista num programa da TBC (desculpem mas não recordo o nome do jornalista ou do programa). Dizia ele que estava analisando a volta à emissora, que havia recebido apoio e liberdade de opinião por parte do governador… Curiosamente o programa em que assisti isso é apresentado por um deputado estadual. Algo muito comum neste país, o apresentador vira político, o político vira apresentador… Ou dono!
A TVE da Bahia não é muito fácil de assistir. Mas lembro de ter visto muito a cara do Jacques Wágner quando passava pela emissora. Não creio que a situação tenha mudado muito.
Outra educativa que vejo eventualmente é a do Mato Grosso do Sul. Mas essa é quase só uma repetidora da TV Brasil. Parece que só tem um jornal local. Não sobra muito espaço pro governador meter o narigão. A educativa do Ceará já tem uns 3 meses que não assisto, mas lembro que não fugia do padrão.
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As duas maiores educativas são mais conhecidas do público; ainda que nem sempre tenham audiência relevante. A TV Brasil conta com o habitual dedo do PT, e a Cultura sempre leva uma bicada dos Tucanos. Nada que cause surpresa ou desagrade o povão. Muitos até devem achar que as emissoras são propriedade de partidos e eles podem usá-las em seu favor. Ou ainda usar aquela desculpa torta de que “ah, eles fazem errado, eu também posso fazer”. Até seria, mas não com meu imposto. Já basta ver meu dinheiro sendo queimado em obras superfaturadas e nas mordomias e salários de deputados corruptos.
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Posso estar enganado, até por não assistir a Rede Minas com muita frequência, mas ela me parece um pouco menos manipulada que as co-irmãs. Raramente vejo a cara do Governador. Mal sei quem é o atual. Também não aparecem muitas inaugurações, obras, discursos… A programação conta com alguma coisa da TV Brasil, outro tanto da Cultura e mais um bocado de criação própria. Não existe uma obrigação de “partidarizar” a grade, escolhem o que for mais conveniente ou qualificado. Também considero satisfatório o nível dos profissionais da emissora. Parece que todos são do ramo.
Não estou aqui afirmando que a Rede Minas é maravilhosa e perfeita. Longe disso. Mas, analisando a média nacional (dentre as eduvativas que consigo captar), é a única que “passa de ano”.
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Mudando de tema: já falei muito sobre o jornalismo do SBT. Alguns leitores podem achar que é perseguição minha. Ok, então vejam o seguinte: madrugada do dia 09/03 (quarta) e o filme da terça-feira seguia firme. E tome filme até 2 horas e tanto. O Jornal do SBT Noite só foi começar as 2:20 da manhã!!! Nem vou citar os erros grosseiros, foram vários. O mais curioso foi ver uma matéria falando em Maria Bonita e no Dia Internacional da Mulher. Diziam “hoje”, mas já era o dia 09 de Março. Mais alguns minutos e chamam os gols da terça-feira pela Europa. No meio dos lances há um corte abrupto no vídeo, mas ainda escuto a narração dos gols. Mais 2 segundos e cortam tudo. O jornal acabou lá pelas 3:10 pra dar espaço ao 2 Homens e Meio. Mais 50 minutos e entra no ar o SBT Madrugada, gravado na véspera. Jornal esse que ainda é reprisado as 5 e 6 horas. Parece que a madrugada do SBT é o aterro sanitário do jornalismo.
Pois é, tudo isso é perseguição minha. É invenção da minha cabeça. Eu estava bêbado, drogado, tendo alucinações…

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5 Comentários »

  1. A Rede Minas tb tem influencia do governo com uma postura bem chapa branca; o que salva é a qualidade de programas próprios como o Alto Falante (música); apesar disso eles não exibem o Observatório da Imprensa e exibem um programa fraquinho sobre mídia às quintas. Do pouco que vi nesse feriado a Paraná Educativa me parece estar passando mais programas veiculados à Tv Cultura (referente com a troca de governo, voltado mais para os lados dos tucanos).

    O duro é que não se consegue no Brasil fazer uma rede pública geral decente, onde por exemplo, não conseguem nem passar os programas de maior reprecussão (Roda Viva e Observatório da Imprensa) no mesmo horário.

    O que você está achando da TV EI estar passando reprises de jogos do Barcelona e do Milan, sem ter os direitos de transmissão do campeonato italiano e espanhol, ao invés de passar torneios por inteiro e programas de maior qualidade (quem falou que aquele Alexandre Gimenes sabe comentar deveria estar louco!)

    Sobre o carnaval, enquanto pingar na conta da Band eles vão continuar passando carnaval da Bahia. Não por coincidência, tb tem muito de $ público tb.

    Comment by Alexandre — March 11, 2011 @ 10:33 am

  2. É…
    http://espn.estadao.com.br/futebolnacional/noticia/180191_RECORD+DESISTE+DE+LICITACAO+DO+BRASILEIRO+E+DEIXA+C13+AINDA+MAIS+ESVAZIADO

    Comment by Alexandre — March 11, 2011 @ 10:39 am

  3. Bom, já disseram antes de mim, mas só reforço que a Rede Minas é “influenciada” pelo governo mineiro sim,fato que ficou insuportável na gestão anterior. Mas nada descarado, tudo implícito. Aliás, a imprensa mineira (geral)viveu tempos de censura na gestão anterior. E não é conspiração partidária minha, já que minhas ideias políticas são um pouco….diferentes…hehe

    Comment by Renan — March 11, 2011 @ 7:56 pm

  4. coitadas da Nadya Haddad e Debora Villalba.ambas não merecem passar por essa tortura chamada”carnaval de Pernambuco”!é MUUUUIUIIIIIIITO RUIM!e concordo contigo.a cada ano q se passa a transmissão desse carnabval,está ficando irritantemente PORRE!e infelizmente,não é só as tv”de Rede”.as locais são uma catástrofe.falo isso da”minha província”Pernambuco!e diga-se de passagem,o telespectador tem(MUITA)culpa nesse cartório.até no carnaval é tratado como BURRO.ou”HOMER SIMPSON”(né Willian Bonner?).

    Comment by leonardo-pe — March 11, 2011 @ 10:24 pm

  5. Pra ser franco não assistia a Rede Minas até o final de 2010, portanto não posso falar muito sobre o ex-governador. Talvez houvesse uma interferência mais velada. Na Paraná Educativa eu cansei de ver a cara do ex-governador. Horas e horas do cara falando e falando… NADA discreto.
    Sobre os programas, tem um outro chamado Harmonia (salvo engano), voltado pra música clássica. Também notei alguns programas de entrevista, debates. Nesse ponto até superam a Cultura que passa desenhos e infantis de manhã até as 18 horas.

    O EI tá de birra por ter ficado sem o Italiano, Inglês e cia… Aí negociou a reprise dos jogos do Milan e Barça. Pra quem passava futebol de Playstation… :lol:

    Sobre a Rede TV vou tentar uns contatos antes de falar algo. Mas a impressão inicial que tenho é que ela comprou algo. Mas nem sabe o que tem dentro da caixa. A surpresa pode ser desagradável!

    Comment by Marco Telinha — March 11, 2011 @ 10:57 pm

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