Tá Cansativo Pra Caramba
Na última coluna eu falei algo sobre a televisão brasileira já ter sido uma das melhores do mundo. E hoje o cenário é bem diferente. Mudou pra pior. Pois a publicidade está no mesmo ritmo, já foi uma das melhores do mundo. Atualmente nem consegue atender o varejão básico. Não existe muita diferença entre um comercial de supermercado e outro de cerveja ou vestuário. Tudo é óbvio, massante e burro. Se acharem que “burro” é ofensivo aos animais, posso dizer que os publicitários andam sofrendo de preguiça mental aguda.
Mesmo quem não conhece bem o mundo da publicidade já deve ter visto algum programa exibindo campanhas vitoriosas, famosas e premiadas em festivais internacionais. E praticamente todas essas campanhas são antigas, das décadas de 80 e 90. Era o tempo em que nossa publicidade quase rivalizava com a norte-americana, inglesa e japonesa. Nos últimos 10 ou 15 só perdemos terreno. Ainda que as verbas tenham se multiplicado. Prova que dinheiro e talento não são relacionados e interdependentes.
Quem analisa e acompanha de perto as novelas sabe que os autores reservam certas “armas” para inflar e sustentar uma novela. Até mesmo uma novela ruim e repetitiva. Podem anotar e conferir: criam um núcleo popular e/ou de humor, usam um tema polêmico, um personagem novo entra na estória, outro é assassinado, um “bonzinho” se revela vilão no meio da trama… Todas essa estratégias (e mais outras) servem pra dar um gás e sustentar uma estória pobre por quase 200 capítulos.
No meio publicitário existe algo parecido. Parece um grande restaurante de fast-food. Fica tudo semi-pronto e basta o freguês pedir:
… Quero um galã sarado pra tal produto feminino;
… Preciso de um atleta simpático pra lançar um novo barbeador;
… Procuro uma cantora “gostosona” pra vender motos.
Tanto faz, tem de tudo e pra tudo. Basta pegar, jogar em água fervente por 3 minutos e… Pronto! Podem servir pro povão. O publicitário preguiçoso nem suja as mãos.
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E exemplo pra situação que falei é o que não falta. Não precisam concordar comigo, peguem um papel e fiquem marcando as figurinhas carimbadas que vão surgir no intervalo. Todas encaixadas no script e no perfil que os anunciantes desejam.
Tempos atrás eu falei aqui no Tevezona sobre a Regina Casé. Ela e sua “cara de povão” estavam em 8 de cada 10 campanhas destinadas às classes C e D. Bem abaixo vinha o Lázaro Ramos e outros menos votados. Daí a Regina Casé ficou meio sem espaço na Globo e acabou (por tabela) sumindo da publicidade. Alguns meses atrás a Regina Casé voltou a telinha da Globo com outro programa “povão”, Esquenta. Povão e ruim. E, cúmulo da obviedade e preguiça mental, já temos a Regina em nova campanha da Caixa Econômica. E também em uma campanha institucional da Globo. E, provavelmente, em outras tantas.
Viram só como esse povo gosta de uma obviedade?!?!
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Outra corrente forte é a ala das cantoras baianas S. A. Escreveu, não leu, tá uma delas fazendo propaganda de alguma coisa. Falta pouco pra uma delas anunciar 2 produtos concorrentes. Dias atrás vi uma campanha do Governo da Bahia. Com as duas “musas” do axé. Melhor usar as 2 e não desagradar ninguém. Ou, pra não perder voto algum, usar todos os cantores possíveis. Foi o caso da campanha do carnaval do SBT e da Band. Os mesmos cantores estavam nos clipes das duas emissoras. Dava até vontade de chegar num deles e perguntar em qual emissora iria assistir o carnaxé. Mas a resposta seria fácil: “Em nenhuma. Vou ficar 24 horas por dia pulando no trio.”
Sei muito bem existem milhões de “aborrescentes” que consumiriam até um O.B. usado de qualquer celebridade de 1ª, 2ª, ou 3ª categoria. Mas eu já passei dessa fase. Ou nunca estive. Pouco me importa a maionese preferida da Ivete “eu sou gostosa” ou a tintura da Cláudia “leite condensado”. Pra falar a verdade eu tenho interesse em saber as marcas sim. Mas é pra NÃO comprar.
Cansei! Cansei de cantora baiana vendendo cerveja. Agora, e o que falar da Sandy anunciando a Devassa? É uma piada? É um humor que não consegui pescar? Eu fico assistindo o comercial e esperando a hora de surgir o Sérgio Mallandro (atrás da Sandy) gritando: Há!!! É pegadinha do Mallandro!!
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Outra coisa que já cansou a minha (pouquíssima) beleza é ver o pelotão do humor em toda e qualquer campanha, desde laxante até turbina de avião. O pessoal de criação já não gasta nem 5 minutos pra bolar uma campanha. Escrevem um bordão e chamam o pelotão do humor: Bruno Mazeo, Marcelo Adnet, Marcius Melhem, Leandro Hassum, Rafinha Bastos… Nada contra os caras, alguns são bem engraçados, mas… Será que ninguém fica enjoado de ver as mesmas caras o dia todo? Só eu??
Tudo bem que eu sou meio chato, mas acho que não sei mais qual a função de uma agência de publicidade. Foram transformadas em agências artísticas?? Se alguém puder explicar…
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Na última coluna eu falei sobre o anúncio do SBT divulgando a reprise de versão mexicana de Rebeldes. Eu vi a chamada no meio do material que a cabeça de rede envia pras afiliadas. E não estava bêbado. No dia seguinte eu li no Canal 1 a explicação: o SBT não vai reprisar a novela e a chamada foi feita só pra provocar a Record. Hmmmmm…. Será que o SBT não tem coisa mais importante pra cuidar do que brincar com chamadas??? Ou será que esqueceram que não poderiam reprisar a novela?? Que coisa, hein!!


