March 8, 2011

Tá Cansativo Pra Caramba

Arquivo em: Coluna — Marco Telinha @ 9:58 pm
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marcius melhem Na última coluna eu falei algo sobre a televisão brasileira já ter sido uma das melhores do mundo. E hoje o cenário é bem diferente. Mudou pra pior. Pois a publicidade está no mesmo ritmo, já foi uma das melhores do mundo. Atualmente nem consegue atender o varejão básico. Não existe muita diferença entre um comercial de supermercado e outro de cerveja ou vestuário. Tudo é óbvio, massante e burro. Se acharem que “burro” é ofensivo aos animais, posso dizer que os publicitários andam sofrendo de preguiça mental aguda.
Mesmo quem não conhece bem o mundo da publicidade já deve ter visto algum programa exibindo campanhas vitoriosas, famosas e premiadas em festivais internacionais. E praticamente todas essas campanhas são antigas, das décadas de 80 e 90. Era o tempo em que nossa publicidade quase rivalizava com a norte-americana, inglesa e japonesa. Nos últimos 10 ou 15 só perdemos terreno. Ainda que as verbas tenham se multiplicado. Prova que dinheiro e talento não são relacionados e interdependentes.
Quem analisa e acompanha de perto as novelas sabe que os autores reservam certas “armas” para inflar e sustentar uma novela. Até mesmo uma novela ruim e repetitiva. Podem anotar e conferir: criam um núcleo popular e/ou de humor, usam um tema polêmico, um personagem novo entra na estória, outro é assassinado, um “bonzinho” se revela vilão no meio da trama… Todas essa estratégias (e mais outras) servem pra dar um gás e sustentar uma estória pobre por quase 200 capítulos.
No meio publicitário existe algo parecido. Parece um grande restaurante de fast-food. Fica tudo semi-pronto e basta o freguês pedir:
… Quero um galã sarado pra tal produto feminino;
… Preciso de um atleta simpático pra lançar um novo barbeador;
… Procuro uma cantora “gostosona” pra vender motos.
Tanto faz, tem de tudo e pra tudo. Basta pegar, jogar em água fervente por 3 minutos e… Pronto! Podem servir pro povão. O publicitário preguiçoso nem suja as mãos.
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E exemplo pra situação que falei é o que não falta. Não precisam concordar comigo, peguem um papel e fiquem marcando as figurinhas carimbadas que vão surgir no intervalo. Todas encaixadas no script e no perfil que os anunciantes desejam.
Tempos atrás eu falei aqui no Tevezona sobre a Regina Casé. Ela e sua “cara de povão” estavam em 8 de cada 10 campanhas destinadas às classes C e D. Bem abaixo vinha o Lázaro Ramos e outros menos votados. Daí a Regina Casé ficou meio sem espaço na Globo e acabou (por tabela) sumindo da publicidade. Alguns meses atrás a Regina Casé voltou a telinha da Globo com outro programa “povão”, Esquenta. Povão e ruim. E, cúmulo da obviedade e preguiça mental, já temos a Regina em nova campanha da Caixa Econômica. E também em uma campanha institucional da Globo. E, provavelmente, em outras tantas.
Viram só como esse povo gosta de uma obviedade?!?!
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Outra corrente forte é a ala das cantoras baianas S. A. Escreveu, não leu, tá uma delas fazendo propaganda de alguma coisa. Falta pouco pra uma delas anunciar 2 produtos concorrentes. Dias atrás vi uma campanha do Governo da Bahia. Com as duas “musas” do axé. Melhor usar as 2 e não desagradar ninguém. Ou, pra não perder voto algum, usar todos os cantores possíveis. Foi o caso da campanha do carnaval do SBT e da Band. Os mesmos cantores estavam nos clipes das duas emissoras. Dava até vontade de chegar num deles e perguntar em qual emissora iria assistir o carnaxé. Mas a resposta seria fácil: “Em nenhuma. Vou ficar 24 horas por dia pulando no trio.”
Sei muito bem existem milhões de “aborrescentes” que consumiriam até um O.B. usado de qualquer celebridade de 1ª, 2ª, ou 3ª categoria. Mas eu já passei dessa fase. Ou nunca estive. Pouco me importa a maionese preferida da Ivete “eu sou gostosa” ou a tintura da Cláudia “leite condensado”. Pra falar a verdade eu tenho interesse em saber as marcas sim. Mas é pra NÃO comprar.
Cansei! Cansei de cantora baiana vendendo cerveja. Agora, e o que falar da Sandy anunciando a Devassa? É uma piada? É um humor que não consegui pescar? Eu fico assistindo o comercial e esperando a hora de surgir o Sérgio Mallandro (atrás da Sandy) gritando: Há!!! É pegadinha do Mallandro!!
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Outra coisa que já cansou a minha (pouquíssima) beleza é ver o pelotão do humor em toda e qualquer campanha, desde laxante até turbina de avião. O pessoal de criação já não gasta nem 5 minutos pra bolar uma campanha. Escrevem um bordão e chamam o pelotão do humor: Bruno Mazeo, Marcelo Adnet, Marcius Melhem, Leandro Hassum, Rafinha Bastos… Nada contra os caras, alguns são bem engraçados, mas… Será que ninguém fica enjoado de ver as mesmas caras o dia todo? Só eu??
Tudo bem que eu sou meio chato, mas acho que não sei mais qual a função de uma agência de publicidade. Foram transformadas em agências artísticas?? Se alguém puder explicar…
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Na última coluna eu falei sobre o anúncio do SBT divulgando a reprise de versão mexicana de Rebeldes. Eu vi a chamada no meio do material que a cabeça de rede envia pras afiliadas. E não estava bêbado. No dia seguinte eu li no Canal 1 a explicação: o SBT não vai reprisar a novela e a chamada foi feita só pra provocar a Record. Hmmmmm…. Será que o SBT não tem coisa mais importante pra cuidar do que brincar com chamadas??? Ou será que esqueceram que não poderiam reprisar a novela?? Que coisa, hein!!

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March 4, 2011

Menos Rebeldes e Mais Rebeldia

Arquivo em: Coluna — Marco Telinha @ 3:44 pm
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amor e revolução sbt
Sempre falei que não gosto de novelas. De novelas mexicanas então… É uma questão de gosto e eu respeito aqueles que passam mal se perderem 5 minutos de uma novelinha. Cada um, cada um… Mas confesso que se eu fosse diretor da CNT, NGT ou RBTV iria meter uma 3 novelinhas mexicanas na grade. Por razões puramente comerciais. Agora…
Se eu estivesse no comando da Record, SBT ou Band, nem pensar. Nem exibindo a versão original, nem produzindo uma versão abrasileirada. Não dá. Pelo menos se alguma dessas emissoras pretende alguma coisa mais séria no mercado nacional. No caso da Record, que construiu um centro de produção, montou estúdios, ilhas de edição, equipamentos… Aí vem e anuncia que vai refilmar uma novelinha mexicana!! Rebeldes sem calça! Novelinha essa que já foi exibida há pouco tempo, no SBT. E que o Sílvio Santos pretende reprisar pra atrapalhar a rival.
Aí eu fico pensando, vamos ter duas novelas clonadas passando ao mesmo tempo? Teremos a mesma porcaria na versão dublada no SBT e na versão PT-br na Record? Essa é a televisão que já foi considerada uma das melhores do mundo? Aonde estão os autores de novelas? Cadê os assuntos que vão instigar o espectador?
E nesse ponto eu vou incluir a dona Globo no balaio. A sua novelas das 21H é uma das coisas mais chatas e monótonas já apresentadas na televisão mundial. Acho que é o caso de denunciar o Gilberto Braga ao Procon. O cara fez um retalho com personagens, cenas e situações que já foram exibidas trocentas vezes na TV. Até em novelas dele mesmo!! E agora, depois de décadas na televisão, o sujeito vem com uma estória xexelenta dessas… A novela das 19H é basicamente um remake, coisa habitual na Globo de hoje em dia. Falta criatividade, falta vontade, falta talento… Catam um texto antigo e reescrevem. A novela das 18H é outro marasmo total. Uma é de época, a outra é rural. De época, rural, de época, rural… Quando querem inovar, eles jogam algumas gotas de espiritismo ou fantasia. E é isso!
O SBT também anuncia para breve a sua próxima novela, Amor e Revolução. E no caso do SBT pouco adianta uma novela ser boa ou ruim, fica difícil sobreviver na confusão de horários e estilos. Atiram pra todo lado. Uma hora é novela mexicana, na outra é uma relíquia da Manchete, depois uma produção nova, depois uma reprise da década de 90… É o samba do crioulo doido. Aliás, esse é o samba mais tocado nas emissoras do Brasil. Disparado!! :P
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Que coisa mais bobinha essa briga do SBT com a Band pelo “carnaxé” da Bahia. Quem vê as chamadas, as reportagens, a mobilização de equipamentos e pessoal, acha que vão cobrir a chegada do homem em Marte. Mas não é nada disso. São só uns 6 ou 7 trios elétricos cercados de placas de publicidade por todos os lados. E com uma cantora de pernas de fora dando tchauzinho e mandando beijos pras câmeras e pro povo no chão. E é só isso!!
Aliás, mais um ano e eu sigo sem entender: qual a graça de ver o desfile de trios elétricos sentado no sofá de casa, comendo paçoca e tomando tubaína??
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Outro dia li uma notinha informando dos bons índices de audiência do Jornal da Cultura. Justo agora que o jornal adotou o estilo mais opinativo, com 2 comentaristas interagindo com a Maria Cristina Poli. Parece que descobriram a pólvora.
Eu não fiquei nada surpreso. Apesar de não assistir o Jornal da Cultura diariamente (o horário é meio ingrato), gosto muito do modelo. E até já falei sobre isso quando analisei outros jornais e outras emissoras. Lembro de já ter dito preferir o Bom Dia e o Jornal da Globo (em detrimento do JN e Jornal Hoje) justamente por serem (um pouco) mais analíticos e profundos. E recordo que alguns leitores concordaram com isso, dizendo gostar mais do mesmo estilo. Apesar de ser um gosto pessoal, parece que não são apenas “uma meia dúzia de gatos pingados”. Existem milhares (ou milhões) de espectadores pedindo MAIS informação.
E é preciso ver que a televisão já não é a principal fonte de informação das pessoas. Nem é a mais atualizada. Hoje temos notícias (quase) em tempo real na Internet. Muita notícia. Só que nem sempre é uma notícia compreensível ou confiável. E aí o cidadão precisa de MAIS notícia. Mas eu falo em “mais” no sentido de qualidade, não de quantidade. Quantidade a gente já tem (em toneladas) pela Internet. Muita gente, ao ligar no JN (ou outro), já viu 90% daquelas notícias ao navegar em algum portal da Internet. Pouco interessa ouvir de novo ou ver uma cena por um novo ângulo de câmera. No caso de um acidente ou alagamento da Marginal a televisão até faz bem o papel de informar. Quando chegamos em assuntos de economia, política, sociedade e demais, eles continuam com a mesma análise rasteira. Mais rasteira que prego na sola do sapato :)
Eu não espero uma mudança de estilo no JN, Jornal da Record ou outros de boa audiência. Eles estão numa zona de conforto que impede o raciocínio mais complexo ou mover a buzanfa do sofá. Mas no caso do Jornal da Band, do SBT, do Rede TV News, já é hora desse pessoal rever seus conceitos.

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