Chatice Real
Os últimos dias foram muito complicados. E acho que vocês devem imaginar o motivo. Estou falando dessa overdose de notícias e fuxicos sobre o casamento real. Ou chatice real. Pois eu sou um daqueles que gostaria de comprar um dos sacos de enjoô temáticos que uma moça produziu na Inglaterra. Na verdade eu precisaria comprar uns 400 saquinhos de vômito. A mídia é irritantemente competente ao explorar um fato e repetir informações até a exaustão. Ou até enlouquecer o espectador.
Vou contar uma coisa sobre a realeza que pouca gente sabe. Antigamente, num reino distante… Calma aí, é sério. Antigamente não existiam banheiros e privadas como usamos hoje. Havia um fosso no chão e as pessoas faziam as necessidades lá. E a “política” escorria fosso abaixo. Isso nos castelos e residências nobres; o povão fazia em qualquer canto, feito um cachorro. Acontece que os reis também “obravam” nessas fossas. Mas não limpavam o … o… O “congresso nacional”. Havia um profissional encarregado da nobre tarefa de limpar o traseiro real. Pode parecer bizarro mas isso é sério. Existia um encarregado de limpar o “marquês de Rabicó” real. E vendo a atitude e o temperamento de muitos jornalistas pude perceber que a maioria deles poderia exercer tal tarefa nos dias de hoje. Sem dúvida alguma.
Nossa mídia, ainda que arrogante ao extremo, é muito parecida com o povão que fica extasiado vendo reis, rainhas e princesas. Nem posso dizer que é um fenômeno exclusivamente brasileiro. É quase universal. Estamos em 2011 e ainda existe muita gente achando que alguém vira nobre por causa da origem do sêmen que o gerou. Ou casando com um membro da realeza. O agravante no caso do brasileiro é o complexo de vira-latas. A fascinação pela realeza agravada pelo complexo é algo insuportável. (Deixa pegar outro saquinho de vômito). Mas, se acham que isso é interessante, se agrada o povaréu… Aproveitem bastante.
Eu não vou teorizar muito ou tentar compreender essa loucura coletiva diante de uma porcaria de casamento. Só gostaria muito de rir e zoar com esses “shownalistas” especializados em comentar sobre chapéus, vestidos e jóias da nobreza inglesa. Também gostaria de comemorar a primeira transmissão ao vivo do “shownalismo” do SBT. Sim, a emissora cortou alguns desenhos matinais para transmitir a festa. E também gostaria de registar o “shownalismo” da Globo tendo o seu dia de TV Fama. Adorei!!
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E nem venham me dizer que esse apetite por casamentos e príncipes é causado pela falta de assuntos mais relevantes. No começo desta semana (acho que terça), zapeando, vi uma matéria no jornal da CNT mostrando a situação no Complexo do Alemão após 6 meses de ocupação policial. E a coisa lá não está tão boa quando muitos devem imaginar. Pois a gente só pode imaginar mesmo. Raramente a imprensa se ocupa do “depois” de fatos importantes e sérios. Ficam naquele foco inicial, 2 semana no máximo, e logo procuram outro assunto que vá gerar comoção popular e audiência.
E não faltam assuntos importantes pra nossa imprensa seguir após o ardor inicial. Sem fazer um grande esforço da memória: a catástrofe na serra do Rio; a situação atual no Egito; a recuperação do Japão após o tsunami; a sequência do conflito na Líbia…
Mas isso só depois que as equipes de reportagens e apresentadores voltarem de Londres. O casamento do William e da Kate é algo fundamental em nossas vidas e decisivo pro futuro do Brasil! Tá bem…
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Acho que vou usar outro saquinho de enjoô com a etapa da Fórmula Indy em São Paulo. A Band está vivendo sua semana de Record. Resolveu colocar o assunto em tudo quanto é programa. E mais um monte de equipes pra cobrir o evento. E mais toneladas de equipamentos. E centenas de chamadas. E milhares de reportagens. Até saturar!!
Mas, por mais que façam, fica evidenciado o despreparo e desorganização da emissora. O que deveria ser algo normal vira o parto da montanha. Basta comparar com a cobertura da F1 na Globo. Na gorda tudo é preparado com antecedência e executado com precisão. Até quem não é tão fã de corridas consegue ter as informações e acompanhar TODOS os treinos e corridas. Sem falar nas reportagens estrategicamente espalhadas por todo o jornalismo da emissora. Ou nos programetes especiais, ao longo do ano. Ou na boa equipe cobrindo as etapas pelos 4 cantos. Não é um fogo de palha semanal.
A maior prova disso ocorreu no 3º Tempo do último domingo. O Milton Neves, ocupado com 259 merchans e 417 recados e abraços, acabou trocando as bolas ao falar da corrida em São Paulo. E, por duas vezes, chamou a modalidade de F1. Acabou socorrido pelo doutor, que soprou ao seu lado: “…Fórmula Indy, fórmula Indy…”
Quem sabe, algum dia, a Band aprende que deve pegar essa euforia semanal e dividir ao longo do calendário da Indy. Certamente o resultado na audiência seria bem melhor. E os fãs do automobilismo poderão ter uma alternativa bacana. Vamos aguardar… Sentados!
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Por falar no Miltão e suas asneiras… Nesse mesmo dia ele mostrou que perdeu o botão que controla o senso do ridículo. Lá pelas tantas, ao falar sobre o jogo do Corinthians, disse que o Dentinho havia saído de campo por causa de uma diarréia. E completou a “piada” dizendo que a diarréia foi causada pelo fato do jogador estar comendo uma certa planta em demasia.
Olha, não sou advogado do Dentinho ou da Samambaia, mas gostaria de saber 3 coisas:
- Isso foi engraçado?
- O Milton das Neves gostaria que fizessem piadas do tipo com sua esposa ou filha?
- Existe uma direção de jornalismo na Band que controle e oriente seus profissionais??









Outro assunto comentado é o princípio de desmonte no jornalismo do SBT. Os sintomas já vinham se revelando nos últimos tempos. Algumas semanas atrás eu mesmo citei alguns repórteres que migraram do SBT pra Rede TV. Bons profissionais por sinal. Fato esse que não teria ocorrido em condições normais de temperatura e pressão.
Não sei se os leitores recordam de coisas acontecidas num passado recente. Mas outro dia eu me dei conta que há 1 ano (aproximadamente) a direção da Band espalhava, para quem quisesse ouvir, que iria se aproveitar da Copa e encostar (até passar) no SBT. Não seria algo impossível diante da bagunça que reinava então no SBT. Também seria uma situação viável se a Band fizesse a parte dela. Mas eu conheço a Band de outros carnavais; já vi esse filme dezenas de vezes. E comentei aqui que achava muito improvável a Band ter sucesso na pretensão. Não que fosse errado pretender subir “um degrau” no ranking da audiência. Mas a pretensão precisa ser acompanhada por atos concretos e corretos.