Baú do Jornalismo
Hoje também vou usar alguns comentários (do Alexandre) feitos na última coluna para encaixar em assuntos que já estavam na pauta. O primeiro tema é reprise, já falei sobre a (falta de) regulamentação do setor de comunicações no Brasil. E recentemente assisti uma edição do Ver TV (Rede Brasil e outras educativas) tratando do mesmo (e antigo) problema. Pra resumir, está tudo errado! Começa no poder concedente. O sujeito recebe uma concessão para explorar o serviço de radiodifusão e ninguém sabe o que foi exigido e o que será cobrado. Dizem que existe um contrato padrão. Mas poucos já viram esse tal contrato. Imaginem a mesma situação na concessão de uma rodovia. Ninguém sabe (ou define) se a concessionária precisa recuperar a estrada, se precisa ampliar, se deve investir tanto em assistência, se pode ter X praças de pedágio e quanto cobrar em cada uma… É isso que acontece com a radiodifusão. Ninguém sabe dos direitos e deveres, como cobrar algo dos donos de emissoras? E pelo comportamento deles parece que estão contentes com a situação. Não querem um contrato público e claro. Preferem pegar um jatinho, sentar no gabinete do ministro e resolver tudo entre quatro paredes.
Se o tal contrato padrão for verdade eu acho que já começamos mal. Talvez isso pudesse funcionar em 1960. Mas hoje não dá. Um canal de vendas (tipo o Shoptour), um canal comunitário ou regional, não podem seguir o mesmo padrão de uma Globo ou Record. Também é preciso definir regras para os novos formatos de televisão. O fato de passar por um cabo ou ser difundida por ondas não deve ser motivo para isentar a emissora de qualquer regra. Sem falar que as TVs mais desregulamentadas são as pagas. O que é um contrassenso. O consumidor (espectador) paga (e muito) e não tem qualquer direito. Aliás, o único “direito” dele é pagar a fatura mensal.
No Ver TV um dos convidados (da Unesco, se não me engano) listou o exemplo de vários países, tanto em se tratando de regulamentação quanto no tocante ao controle. Em vários países existe uma dupla regulamentação (para comunicações e para telecomunicações) e um duplo controle (uma agência oficial e uma comissão pública ou setorial). É algo interessante e talvez viável. Ainda mais quando, sabemos, as agências reguladoras no Brasil defendem mais o interesse das empresas do que os direitos do consumidor ou a regulamentação oficial.
Reconheço que este é um assunto chato. Mas, gostem ou não, só assim teremos uma televisão de melhor qualidade e empresas que respeitem o espectador. E antes que alguém venha falar em censura, o real conceito de regulamentação não se aplica ao direito de opinião e informação. Até os países mais desenvolvidos e democráticos (Suécia, Noruega e outros) regulam o setor de telecomunicações. E ninguém vem chorar sobre censura e opressão.
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Outro assunto comentado é o princípio de desmonte no jornalismo do SBT. Os sintomas já vinham se revelando nos últimos tempos. Algumas semanas atrás eu mesmo citei alguns repórteres que migraram do SBT pra Rede TV. Bons profissionais por sinal. Fato esse que não teria ocorrido em condições normais de temperatura e pressão.
Também temos o comportamento habitual do dono do SBT. Ele pode ser um gênio da apresentação (e vendas); mas é um aprendiz de administrador de televisão. Se tanto!! Mas eu já cansei de falar sobre o SS. Ele acha que jornalismo é botar 5 equipes na rua correndo atrás de matérias popularescas. Ok, isso funcionou bem no Aqui Agora. Dava audiência e só. E parece que o Sílvio não tirou isso da cabeça. Ou outras idéias mais infelizes ainda. Vocês lembram do “jornal da mini-saia”? Quem tiver mais de 25 vai lembrar. E do “piriri pororó”, vocês lembram? E do Casoy, que achava que a função do âncora era só virar pra câmera lateral e dizer “isso é uma vergonha”?! E da bombástica contratação da Ana Paula Padrão pra reformular e coordenar o jornalismo do SBT??
Pois é, tudo isso foi obra do dono. O mesmo que viu um VT da Raquel Sheherazade e resolveu jogar todas as fichas na apresentadora. Nem vou falar sobre ela, tudo que sei é aquele vídeo que já publiquei aqui no Tevezona. Só sei que tenho pena dela. E de todo mundo que deseja ver um jornalismo minimamente decente no SBT.
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Uma prova de tudo que penso sobre o jornalismo do SBT ocorreu no começo da semana, no SBT Manhã. Nem sei se foi na segunda ou terça, mas lembro que estavam passando os gols do Real Madri (acho) na Liga dos Campeões, ou algo assim. Volta pro estúdio e o Hermano diz que aqueles gols foram cedidos pelo EI. E completou dizendo que o Esporte Interativo havia feito uma transmissão magnífica no dia anterior, um espetáculo de vídeo, áudio, narração…!!!!! Eu juro que ele falou isso (talvez com outros adjetivos) e com um belo sorriso no rosto.
Acho que assisto telejornais desde os 10 anos e nunca vi cena semelhante. O máximo que as emissoras fazem é botar o selo (marca) da emissora que cedeu as imagens. Algumas até fazem a molecagem de “esquecer” o próprio logotipo sobre o selo da concorrente. Agora, um elogio tão escancarado… Será que aquele comentário do Hermano foi redigido e estava no TP? Ou será que o lado pai falou mais alto e ele resolveu homenagear o filho com uma opinião pessoal?? De qualquer forma é algo inédito pra mim.
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No sábado passado vi alguns pedaços do Legendários que comemorava 1 ano no ar. Nem tanto por vontade e mais pra saber como anda aquilo. E vi outra cena inédita. Inédita e bizarra. Se bem que qualquer das cenas reprisadas seria inédita, praticamente não vejo o tal programa. Não suporto o Mion, não aguento aquele humor (????) forçado e nem gosto do estilo do programa. Agora, ver o Mion patolando o Zezé é um pouco demais. Nem sou moralista ou santinho. Mas aquilo é totalmente dispensável. Ainda mais quando repetiram a cena umas 15 vezes, em câmera lenta e close.
Podem me xingar do que quiserem, mas não ligo a TV pra assistir um homem pegando no bilau do outro. Não mesmo. Talvez o bispo goste, eu não!!
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Por falar na emissora do bispo… Ontem parei uns 3 minutos no Jornal da Record, mais por causa da loira bonita (cobrindo a folga da Ana Paula) do que pelas notícias. Já estava no final do jornal e eles mostraram a matéria principal que irá passar no próximo Domingo Espetaculoso. A matéria será sobre…Façam uma cara de espanto, por favor. A matéria será sobre amigos brigando por causa de um prêmio da loteria (na vida real). Mesmo tema da novela que estréia em Maio.
E, pra fechar o jornal, entra uma reportagem da Anelize Camargo mostrando os bastidores das gravações da novela. Perderam a reportagem?? Não se preocupem, a Record vai produzir mais 482 matérias iguais pra falar da nova atração. E não se esqueçam, a Record é a emissora oficial dos jogos olímpicos. Anotem na agenda, será em 2012


A regulamentação tá bem atrasada como vc falou. Mas precisa ser séria e pra valer.
É melhor vc ir ler um livro no lugar de ver Legendários e outros lixos. Ou vai ver o Mion pegando na pistola do outro mesmo. E o Mion tem jeito de gostar da coisa. Não boto a mão no fogo por ele.
Comment by Julius — April 24, 2011 @ 1:25 pm
Sobre o “jornalismo” do SBT você disse tudo, só sobre o SS outro dia estava pensando sobre o quanto ele ajudou a Record nesse crescimento que na verdade foi muito provocado pela inércia e inúmeros erros que ele comete; ele perdeu o Pica-Pau (que é um bom desenho e hj é o “cola-tudo” recordiano), o formato da Casa dos Artistas que, misturado com o BigBost@, resultou na Fazenda, o Ídolos (que não cria ídolo nenhum, mas é um programa que causa alguma repercussão e faturamento). Além disso até o jornal da mini saia, a meu ver, inspira um pouco o Fala Brasil, ao colocarem duas mulheres na apresentação, o que certamente causa o aumento da audiência do “desgraça news” matinal da Record em relação ao fraquíssimo programa que a Globo exibe no horário. Não que ele fosse um modelo de jornalismo, mas a idéia de usar duas mulheres apresentando era do SBT tb, provando que a Record copia não só a Globo.
Sobre a regulamentação é algo que, se o governo não vier a público e explicar, em qualquer espaço que tenha, a necessidade de se fazer essa regulamentação, continuaremos a conviver com essa mentirada da grande mídia, de que isso é censura. Ou o governo enfrenta a questão ou ficaremos nisso aí mesmo; acho difícil uma mobilização da sociedade com tantos outros temas discutidos e com o bloqueio midiático sobre o assunto.
Sobre os outros assuntos, acho que nem merecem comentário…
Comment by Alexandre — April 24, 2011 @ 1:45 pm
essa turma q faz o”legendários”,só está fazendo o”pé-de-meia”.só pode ser.aliás:o”sofrimento televisivo”Brasileiro nos finais de semana começas as 14:00 de sábado e vai até o”Domingo Maior”(risos)!e o”melhor do Brasil”,continua aquelas palhaçadas do”vai dar nada”batizado de namoro.com aquelas homenagens CHATAS q nem a plateia aguenta?
Comment by leonardo-pe — April 25, 2011 @ 1:07 am
O Hermano já foi um grande correspondente. Hoje tá perdido no SBT. E esse comentário dele sobre o jogo do filho só mostra final de carreira dele.
Sobre o Marcos Mion,se o único problema fosse pegar no bilau dos amigos, mas isso é só uma parte. O Legendários consegue fazer o Zorra Total ser um humor inteligente.
Comment by Andrade — April 26, 2011 @ 5:19 am
não é começas é COMEÇA as 14:00.desculpem a falha!e nem a turma Andrade,aguenta o”zorra total”teve gente q comemorou os joos do Brasileiro-2011 no Sábado a Noite achando q a Globo transmitiria os jogos ao vivo.pena q será no pagar pra ver e na tv por assinatura!
Comment by leonardo-pe — April 26, 2011 @ 1:08 pm