May 7, 2011

CorNETO

Arquivo em: Coluna — Marco Telinha @ 11:42 pm
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craque neto corNETOEu estava esperando juntar assunto sobre a imprensa esportiva (se é que posso falar assim) para encaixar tudo numa coluna só. E nem é difícil, a fartura de problemas é notável. E vou começar pela pitonisa do futebol, o crack Neto. Outro dia falei sobre as brincadeiras entre ele e o Miltão no 3º tempo, que já passaram do suportável. Mas o maior problema do Crack Neto nem é esse, são os vícios da profissão que ele adquiriu com o tempo. Com o agravante de ter sido mordido (418 vezes) pela mosca azul.
Nem é preciso concordar comigo, assistam a participação do Neto (em jogos ou nos programas esportivos) e digam se ele não está pegando os piores hábitos possíveis. Só para citar os principais:
- O Neto está sendo levado pelo momento. Basta um clube estar em boa fase ou algum jogador realizar 3 partidas boas e ele começa a cornetar o Mano Menezes: “Quero ver o Mano chamando alguém do Cruzeiro… O Fred merece voltar pra seleção… O Damião está arrebentando no Inter…” Olha, isso é a coisa mais comum no futebol. Altos e baixos acontecem com todos. Nem é pra defender o Mano (tenho restrições severas ao trabalho dele), mas se ele usar esses critérios vai acabar o ano convocando mais de 100 jogadores e sem definir o time base.
- Outro defeito grave é que o Neto praticamente só comenta lances. Claro que parte dessa responsabilidade é dividida com a Band que teima em manter narrador e comentarista no estúdio. E comentar os lances isolados é muito mais fácil. Pra que eu preciso do Neto me dizendo que o lateral está cruzando da intermediária (sem ir ao fundo) se eu já estou vendo os lances pela TV? Qual a utilidade do cidadão comentar lances e chutes?
- Mais um problema grave é a mania de tentar adivinhar tudo. Nem falo tanto dos palpites, ele e muitos outros gostam de tentar adivinhar placares e campeões. O chato é quando o Neto fica tentando adivinhar até quem vai entrar durante o jogo. Ora, o clube leva 1 goleiro reserva, um zagueiro, um lateral, um ou dois meiocampista e/ou atacantes. Em 90% dos casos o técnico só escala um dos 3 últimos, meias ou atacantes. Os outros só em caso de contusão, expulsão ou péssima atuação. Não é tão fantástico acertar 1 palpite em 3 possibilidades.
Brabo mesmo foi ver o Neto na semifinal entre Palmeiras e Corinthians. Além de tudo que já citei ele resolveu adivinhar os jogadores relacionados pra cobrança de pênaltis. Como acertou ficou lá exultante e se achando o tal. Então ele se empolgou e veio a palhaçada final, o Neto tentou adivinhar quem iria perder o pênalti decisivo. Só que ele não falava isso abertamente. O jogador chegava pra bater e o Neto começava: “Fulano estava sentindo caimbrãs… Sicrano nunca bateu pênalti… Beltrano é novo, pode tremer numa hora dessas… Onde já se viu deixar zagueiro bater pênalti? Eu nunca deixaria…” E os jogadores (de ambos os times) iam convertendo as cobranças. Todos!! Ele tentou aplicar o golpe da falsa pitonisa e errou em todos os lances. Podem pegar o VT do jogo e ver se estou mentindo. Quando chegou a parte de cobranças alternadas o Neto resolveu desligar o “secador oral”. E aí o atleta do Palmeiras perdeu sua cobrança!
- Pra finalizar, o Neto está com a tão comum “miopia esportiva”. Umas 2 semanas atrás, passando pelo Yahoo, vi a manchete do blog do Neto, onde ele dizia que o Ronaldinho Gaúcho estava devendo no Flamengo e ainda não tinha justificado a contratação e coisa e tal. Curioso, hein… Levou 4 meses pro Neto enxergar isso? Eu, do alto da minha insignificância, disse duvidar do resultado prático de sua contratação antes mesmo da definição do clube pra onde ele iria. Podem usar a busca interna, caso não recordem.
Mas eu falei da mosca azul, que anda picando o Neto toda noite. No 3º Tempo do último domingo ele fez algo que virou rotina, avaliou o desempenho do também comentarista Edmundo. Gozado, então agora também é tarefa do Crack Neto avaliar a atuação de seus colegas de equipe? Sério mesmo? Então ele virou o Galvão Bueno da Band???
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Na semana passada eu não acompanhei a participação do Ronaldo Nazário no microfone da Globo, mas nessa deu. E, como era de se imaginar, não há muito pra analisar. O Ronaldo não acrescenta nada. E acho muito difícil que passe da fase de Pelé. Ou seja, da fase de celebridade.
Vamos começar pelo modo que o Ronaldo fala, ele pegou um cacoete horrível e não consegue completar uma frase sem 4 ou 5 interrupções com pausas e infindáveis “eeeehhhhh”. Sempre achei que isso era uma orientação de seus assessores para evitar que o Fenômeno soltasse alguma palavra inadequada durante as entrevistas. Agora virou um vício. Depois é preciso considerar que o Ronaldo nunca foi, enquanto jogador, muito ligado em tática, técnica ou em opinar de forma segura e clara. Não confio que vá mudar em 2 ou 3 meses. E, pelo que vi no jogo entre Real e Barça, ele ainda pensa como jogador e evita criticar amigos ou ex-companheiros. E, convenhamos, se é pra ficar em cima do muro podem trazer o Falcão de volta. Com a vantagem do Falcão ter mais inteligência e fluência verbal.
Mas nem todos devem estar reclamando da participação do Ronaldo Nazário. O Caio Ribeiro, por exemplo, deve estar felicíssimo. Eu nunca havia notado o Caio tão firme e correto em seus comentários. Bastou botar ele perto do Fenômeno e (espantosamente) seu desempenho triplicou. :lol:
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Nos comentários da última coluna o pessoal (Cléh, Alexandre, Leonardo…) entrou num animado papo sobre uma opinião mais áspera do Jorge Iggor. Eu não assisti essa cena relatada pelo Alexandre. Mas lembro do Jorge Iggor expondo sua opinião (contra os campeonatos estaduais) em dezenas de oportunidades. É um direito dele; muitos são contra os estaduais, outros são favoráveis. Conhecendo o jeito do Jorge Iggor (meio troll em muitas vezes), imagino que o Alexandre reclamou mais da inflexão. Uma coisa é não gostar dos estaduais, outra é dizer algo como “… finalmente acabou esse lixo, essa porcaria que não vale nada, essa perda de tempo…” Tudo bem, os estaduais valem menos que o Brasileirão, a Libertadores, são meio previsíveis, mas e se o EI estivesse exibindo uns 2 em parceria com a Globo? Será que o Jorge Iggor diria o mesmo?
Vamos ver por outro ângulo, qual o maior público do Esporte Interativo? São Paulo, Rio, Minas?? Ora, se o público de São Paulo ou do Rio torce, vibra e acompanha seus estaduais isso não vale nada pra emissora? A emissora prefere virar as costas pro seu público e enaltecer o Campeonato Argentino ou a Liga da França?? Será que o público do EI só interessa na hora de assinar torpedos? Vocês acham que a Globo exibe 5 novelas por dia por gosto pessoal? Não, é pra atender o público. E mesmo que o gosto seja discutível ele deve ser respeitado. Sem falar que, qual emissora rejeitaria exibir os estaduais? Nem a “gorda”. E vai demorar muito pra ela largar o osso.
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Já tem um bom tempo que eu tento não desviar muito da pauta. Mas hoje vou pedir licença. Recentemente, no blog do Renan, os estaduais também foram tema e eu acabei deixando minha opinião sobre isso. Até porque o blog dele é mais voltado pro esporte mesmo. E vamos combinar uma coisa, cada um defende a sua opinião, de acordo com seus conceitos. Mas no meio esportivo é muito comum que alguns profissionais se esqueçam de guardar certa distância do fato que analisam. E confundem a preferência pessoal com o que deveria ser uma análise mais técnica. E eu percebo isso em certos assuntos, como os estaduais ou a fórmula do mata-mata. Não vou me alongar nisso, poderia escrever 50 páginas de argumentos, mas vou lembrar duas coisas sobre os tão maltratados estaduais:
1- Concordo totalmente que os estaduais não são tão relevantes quanto em outros tempos, quando mal tinhamos rotas aéreas ligando o território nacional por completo. E hoje eles não são tão importantes para os grandes clubes. Servem mais como laboratório. Mas existem os clubes menores, e estes precisam ter vida (e atuação). Muito vão querer lembrar que os clubes pequenos não interessam, que na Inglaterra eles jogam a 4ª, 5ª, 6ª… 19ª divisões. Ok, mas aqui não é Inglaterra. Não vamos cair nessa lorota besta. Aqui nem a 3ª divisão é viável sem um forte subsídio. E só recentemente ela começou a ser exibida em tv aberta.
Mas o interesse em preservar os clubes pequenos não é um ato de caridade. Na verdade eles formam mais jogadores que os grandes. E são eles que formam os jogadores que vão abastecer os grandes clubes. Mesmo a divisão de base de clubes grandes é abastecida, em boa parte, pelos pequenos. E, convenhamos, o estadual do Rio é pouco interessante pra o Flamengo ou Fluminense, mas o estadual do Maranhão é tudo para os clubes de lá. Sem o estadual eles simplesmente fecham as portas. E, vale lembrar, o Brasil não é só Rio e São Paulo.
2- O segundo ponto é geográfico. A Inglaterra é do tamanho de Minas, ou Bahia, sei lá. Não cabem estaduais na Inglaterra do mesmo modo que não caberiam regionais em Minas Gerais. Isso se Minas fosse um país. Basta olhar um mapa e analisar, podemos colocar uns 7 ou 8 países europeus no Brasil, e ainda sobra espaço. Poderiamos dizer (a grosso modo) que o Brasileirão é o nosso torneio continental; e os estaduais são os campeonatos de cada “país”.
Se acham que estou falando muita bobagem, peguem o campeonato mais rico do pais mais desenvolvido do mundo: a NBA. Até a NBA (e seus Bilhões) usa uma certa regionalização, divindo os clubes em leste e oeste. E eles não fazem isso por achar mais “bunitinhu”.

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May 3, 2011

Fórmula Erro

Arquivo em: Coluna — Marco Telinha @ 10:50 pm
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band tvVou contar uma coisa: quando era moleque, no colégio, inventei com uns colegas de repetir um bordão (meio bobo) quando aconteciam coisas não muito boas. Bastava uma caneta cair no chão, alguém tropeçar no pátio, aviso de teste surpresa, lá vinha um de nós repetindo: “Deus castiga”! Depois de um tempo a gente cansou da brincadeira. Mas acabei lembrando dela ao ver o “circo de horrores” em que se transformou a etapa de São Paulo da Indy. Sem esquecer que no ano passado já haviam cometido uma lambança colossal.
Fica até difícil iniciar uma análise de tudo que aconteceu lá. Foi um festival internacional de erros. Mas tudo democrático, uma parte é responsabilidade dos organizadores, outra da IRL, outra da Prefeitura de SP, outra da Band… Todas as decisões foram questionáveis. Quando era pra apertar o botão verde apertavam o vermelho, quando era a hora do vermelho apertavam o verde… O resultado final foi aquele, praticamente não tivemos corrida.
Em favor dos organizadores eu só posso dizer duas coisas:
- Podemos prever mas não controlar o clima.
- Haviam compromissos com emissoras, horários de satélite, público presente, patrocinadores, logística, etc…
Tirando isso não salvo nada. Muita coisa precisa ser repensada se desejam que o evento tenha sucesso nas próximas edições. Começando pelo circuito. Não consigo entender a não utilização de Interlagos. Gastam milhões para construir, reformar, manter um autódromo (de boa qualidade) e a Indy me inventa de montar um circuito de rua e arquibancadas móveis. É um gasto e transtorno que não consigo assimilar. Se quiserem realizar a corrida nas ruas é o caso de se avaliar outra cidade. Também não sei se a data atual é a melhor pro evento. De outra forma só posso continuar dizendo: Deus castiga!
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Na parte da transmissão a coisa não foi lá muito bem. A confusão da corrida acabou se alastrando para a equipe da Band. Praticamente só salvo o Felipe Giaffone. Ele sim tentou coordenar um pouco o raciocínio e agregar informações úteis para quem assistia. Já o Luciano do Valle (como lembrou o Leonardo nos comentários recentes), pelo amor de Deus! Deu até pena ouvir uma transmissão tão confusa e com tantos nomes trocados. Por mais cartaz e fama que ele tenha, duvido muito que o Théo José teria feito tanta lambança.
Mas isso nem é o pior. Eu canso de ouvir o pessoal criticando o Galvão Bueno por N motivos. Com razão em muitas coisas. Acompanho a F1 desde os 8 anos, vi muita coisa. E eu também já cansei do discurso ufanista buscando um novo ídolo, um sucessor do Senna. Da mesma forma que não suporto as desculpas para os erros e fracassos de pilotos brasileiros. Mas o que podemos falar da Band e do seu narrador oficial? Fazem diferente? Analisam o desempenho dos brasucas com isenção? Comentaram sobre as falhas na organização da prova? Citaram o transtorno causado pela finalização da corrida na manhã de segunda?
Francamente… O que eu vi foi o competente trabalho para ocultar as arquibancadas (vazias) na segunda-feira. Todas as câmeras estavam focadas na pista e não se moviam um centímetro sequer em outra direção. Definitivamente, esse não é o melhor modo de proceder.
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Também não é um procedimento correto quando emissoras misturam (de forma proposital) as informações jornalísticas e a publicidade. Eu acompanho a afiliada da Rede TV em Rondônia, SGC, pelo B4. E já estava pra falar aqui sobre uma prática que deve ocorrer aos montes, Brasil adentro. Explico: essa emissora também tem aqueles programas popularescos na hora do almoço. Já falei sobre esses programas e nem vou tocar no assunto agora. O que incomoda mesmo é ver que entre as reportagens eles inserem ações de propaganda. Mas não são ações normais, eles botam uma repórter, com o microfone (e a capa com o logotipo da emissora), fazendo propaganda de empresas e fingindo que aquilo é uma reportagem. Um espectador mais desavisado pode pensar que a repórter está mesmo informando sobre as promoções da farmácia X ou Y.
A gente tende a achar que isso ocorre em emissoras menores, em regiões distantes, mas não é bem assim. Na sexta passada, acidentalmente, deixei a TV na Band enquanto estava na Internet. Lá pelo meio do Jornal da Band escuto o Casoy lendo uma notinha sobre uma seguradora multinacional que estava transferindo seu escritório regional (dos EUA) para São Paulo. E finalizou dizendo que a seguradora tencionava ampliar sua participação no mercado brasileiro. Amiguinho, isso é press release. Isso é notícia pra página 8 de um jornal de economia. Pra parte inferior da página! E notinhas como essa são lançadas às milhares por todas as empresas. Dá pra montar um jornal (impresso) inteiro com essas notas. Notas essas que são muito diferentes, por exemplo, de uma grande aquisição ou de um investimento bilionário de alguma empresa. Tão difentes que eu só posso acreditar que a notinha passou antes pelo departamento comercial da Band. Justo a Band que se vangloria tanto de sua ética e isenção. Tá bom!!!
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Falei na SGC (de Rondônia) e gostaria de lembrar que essa é uma daquelas afiliadas “vai como quer” da Rede TV. Na semana passada ela até transmitiu a Liga da UEFA e o campeonato Italiano e Inglês. Mas até aquela data ela vinha ocupando o horário de quase todas as partidas com programas locais e horários alugados. Mas não é só o futebol que eles cortam, isso ocorre com diversos outros programas. O Rede TV Esporte, por exemplo, era exibido até o final de Março. Daí resolveram tirar pra colocar um religioso e um espaço de vendas.
Nunca fui contra os programas regionais, mas é preciso ter um mínimo de coerência e organização. Existe espaço pra programação em rede e pros regionais. Basta ajustar tudo. E ninguém (incluindo o espectador) perde nada. Um bom exemplo da coisa correta é a TV Capixaba, afiliada da Band no Espírito Santo. Exibe toda a programação principal da Band e utiliza os horários ociosos com seus programas locais. Programas até bons se considerarmos o que se vê em muitas afiliadas por aí.

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