Mentiras na Latinha

Outro dia li um texto no blog do Renan onde ele descia a lenha nos programas esportivos das rádios mineiras. Não acompanho as rádios de Minas (só algumas TVs de lá), mas sei bem como é a coisa em quase todo o país. E nem é de hoje. Ouço rádio esportivo desde uns 7 ou 8 anos. Graças ao rádio aprendi muita coisa sobre o esporte e agucei meu interesse pela mídia. Mas o tempo foi passando e fui percebendo coisas estranhas e mudanças incoerentes de opinião. Nem reclamava tanto por um clube ter mais espaço que outro. Eu já sabia do interesse comercial envolvido nisso. O duro era ver como as opiniões e críticas mudavam em certas situações e diante de certos personagens. Até chegar ao ponto em que, num belo dia, um dirigente poderoso, alvo de fundadas e merecidas críticas, liga pro estúdio e exige entrar ao vivo no programa. É atendido e começa a trovejar contra o comentarista. E esse foi rateando, gaguejando e retirando todas as críticas que recém havia feito. Mais uns minutos e o comentarista já estava rasgando elogios calorosos e dizendo que, apesar de tudo, queria ter um presidente assim em seu clube.
Outro fato pitoresco (e muito famoso) ocorreu com o Galvão Bueno narrando um jogo entre Brasil e Argentina. Lá pelas tantas, animado com a atuação do zagueiro Aldair ele iniciou um inflamado discurso enaltecendo as qualidades do jogador. Dois segundos após terminar os elogios o Aldair comete um erro bisonho e a Argentina marca um gol. Pronto, lá foi o Galvão reclamar da idade do jogador, da forma física, disso, daquilo…
Também posso lembrar da equipe esportiva de uma emissora que transmitia muitos eventos esportivos. Equipe essa que acabou (quase totalmente) rifada após fortes boatos de que recebia um “por fora” pra elogiar certos jogadores pertencentes a empresários. Não sei dizer se haviam provas do fato, mas os rumores eram constantes e alguns desses jornalistas cairam num ostracismo pesado.
Fica difícil apontar o dedo para apenas um repórter de uma rádio do interior. Ou criticar um setorista. A imprensa esportiva, em absoluta maioria (incluindo os famosos e poderosos), comete os mesmos erros. Uns recebem presentinhos de jogadores e técnicos, outros participam das baladas e bebedeiras dos craques da moda, outros se travestem de representantes da torcida, outros precisam agradar as fontes e diretores de clubes e federações, outros falam obviedades ululantes para ficar bem com a massa, outros seguem a cartilha da emissora e criticam ou elogiam de acordo com interesses comerciais ou acordos de bastidores, e por aí vai… Eu, há muito tempo, parei de dar crédito pra esse pessoal. O que eles falam no microfone não difere muito do que descarregam no vaso sanitário. E as duas coisas têm o mesmo valor. Ao menos pra quem tem um mínino de lucidez e informação.
Só como exemplo, perdi 90 minutos da minha vida assistindo o “sensacional” empate na estréia do Brasil na Copa América. O Brasil, caso não saibam, é aquele país que veste uma camisa com uma tarja verde e, apesar de “melhor do mundo”, não vence a poderosíssima Venezuela há 3 jogos. O desempenho do time do Teixeira foi aquele que se viu, nem vou comentar. Pra mim o Brasil jogou peteca. Sabem como é peteca? Tapinha pra lá, pra cá, pra lá, pra cá… e ninguém sai do lugar. Pois bem, a equipe da Globo (ainda que saiba bastante e tenha capacidade profissional) resolveu, pela milésima vez, inventar desculpas imbecis pra encobrir o fiasco. Era a grama fofa, era a areia que prendia a bola, era o nervosismo da estréia, era o adversário recuado… Ah, vão chupar um parafuso até virar prego!!! A grama só é fofa pra um time? Só os brasileiros ficam nervosos na estréia? Os adversários devem jogar só com um defensor para que nossos habilidosos atacantes tenham bastante espaço pra pedalar, rebolar e fazer 20 gols?? Até quando vão continuar iludindo o espectador com essas (e outras) mentiras porcas?? Até quando vão viver de vender ilusões e fabricar ídolos de barro?? Será que nunca cansam??? Pois eu já cansei de todos vocês. Há muito!!!
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Acompanhei a estréia do Agora É Tarde (mas perdi o 2º programa). É precoce pra definir uma opinião final. Ainda mais que o programa teve altos e baixos. Digamos que faltam alguns ajustes de sintonia. Mas nem se compara (pra melhor) com outros projetos da Band, como o tal Formigueiro. Da mesma forma que o Danilo Gentili não se compara com o Marco Luque. Considero ele (e o Adnet) um dos melhores nomes da nova geração de humoristas, apresentadores, repórteres, modelos e manequins
Talvez por isso eu tenha achado o Danilo travado demais. Quem sabe por recomendação da emissora. Mas creio que ele pode fazer mais que aquilo. E sem tanto nervosismo. E sem medo de ser politicamente incorreto ou incomodar alguém com perguntas mais ácidas. Se é pra ler as perguntinhas que a produção combina com o convidado a gente já têm o programa do Jô.
O formato do programa é meio saturado; seja pelos americanos que já o fazem há séculos, seja pelo Jô Soares. Talvez por isso o Agora É Tarde tenha investido também em quadros e curiosidades. Acertadamente. O entrosamento entre o Gentili, o Mansfield, os outros humoristas e a banda ainda está longe do ideal. Mas isso é totalmente compreensível (o programa é novo), e nem seria correto cobrar isso neste momento.
Na questão da data do programa acho que a Band acertou ao colocar uma edição na quarta e errou com a quinta-feira. Na quarta, obviamente, recebendo do futebol (e com um público mais ou menos similar) dá pra esperar bons índices. Já na quinta… Olha, tudo bem que o sábado é muito ingrato, mas eu arriscaria colocar o Agora É Tarde após a reprise do CQC. Se o Legendário crava 10 pontos no horário…
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Finalmente o Fantástico (o sono da vida) deu uma dentro. Eu já havia visto algumas reportagens do Clayton Conservani no Esporte (joão boboca) Espetacular e ele sempre produzia matérias excelentes. Então resolvi zapear um pouco pelas bandas da Globo no domingo. Perdi 1 ou 2 minutos iniciais da reportagem de estréia do Planeta Extremo. Mas o nível é aquele mesmo do Conservani. Nota 9,5. Tiro 0,5 pelo tempo da matéria, não precisava daquele bloco final. Mas recomendo aos que não viram. Pena que o quadro fica perdido no monte de lixo e besteiras do Fantástico.
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Nos comentários da última coluna o Renan perguntou sobre a audiência do Mundial de Futebol Feminino na Band. Eu vi a estréia e a audiência já havia sido boa. Lembro de alguns momentos com 5 e 6 pontos. No meio da semana eu não vi o jogo e nem a audiência. Mas ontem a Band fez um estrago na concorrência dominical. O jogo (e as jogadas da Marta) garantiu 5, 6, 7, 8, 9… Chegou a beliscar 10 pontos. Até no intervalo deu por volta de 5 pontos!! Mas na média ficou em 6,5, um ótimo índice considerando a concorrência e o tipo de público do dia.
No caso do futebol feminino eu não fiquei surpreso. Espanto maior eu tive com a Fórmula Truck, que entrou na sequência. Ok, a corrida recebeu uma boa audiência do futebol, mas segurou bem. Não fez feio e ficou entre 4 e 5 pontos. Muito boa audiência. O Sub-17, pegando uma concorrência mais feroz ainda, rendeu perto disso também.
No caso da Globo ela se deu bem com a “pelada” da seleção. Chegou a picos de 38 em São Paulo e mais de 40 em outras praças. Pelo nível do espetáculo era pra ter dado 3 ou 4 pontos. Saiu no lucro e arrebentou a concorrência.

