
Alguns assuntos meio que perseguem a gente. A imprensa esportiva, por exemplo. Por mais que a gente fale, a ruindade só aumenta. E, o pior de tudo, não parece que seja casual. Tenho a impressão (ou certeza) de que as nossas emissoras estão fortemente empenhadas no processo de idiotização do esporte. E muitos espectadores estão embarcando na armadilha. Consciente ou inconscientemente. Quem não suporta tal nível de debilidade certamente vai sofrer. Ou terá que evitar os programas esportivos. Ou tirar o som na hora das transmissões.
Quando eu digo que esse processo de idiotização é planejado e generalizado, não estou apenas exagerando. É um fato. Basta que observemos. E não livro nenhuma emissora desse projeto maquiavélico, vamos do Esporte Interativo até a Gorda Redonda. Todas estão pisando na mesma lama. E isso já está começando a incomodar. Não só a mim, volta e meia alguém reclama disso nos comentários.
Acho que a primeira falha ocorre na seleção desse povo que vira comentarista de um dia pro outro. Pouco se exige deles. Talvez que sejam populares e um pouco saidinhos. E que saibam olhar pra câmera que estiver ligada. Daí pra frente podem falar a besteira que quiserem. E falar besteira não é só maltratar o português como apontaram nos comentários. Nem é fazer chacota com os argentinos como o Alexandre contou ter visto no EI. Nem só comentar lances isolados, como eu já mencionei aqui. É tudo isso, e mais um tanto de pouco entendimento de tática e técnica. Sim, é exatamente isso, tem muita gente na televisão, travestida de comentarista, que não entende tanto quanto deveria ou precisaria. E nem venham repetir aquela frase imbecil dizendo que o Brasil tem 190 milhões de técnicos. Negativo. Assim como não é verdade que basta ter sido jogador pra entender de futebol. É outra balela gigantesca. E digo mais, nem todos que entendem conseguem transmitir isso de forma compreensível e agradável.
Vou ser mais claro, digamos que temos um jogo entre Brasil e Turquia e o Denilson Show está comentando. Aposto que, em certo momento, ele vai, pela 159ª vez, repetir a estória de como foi cercado por 3 turcos na bandeirinha de córner, na Copa de 2002, e de como isso fez o Brasil ganhar a taça. Tá bom, até um bebê de 6 semanas já ouviu a estorinha. Da mesma forma que já cansou, quando alguém tenta um chute do meio-campo, lembrarem que aquele é o “gol do Pelé”. Olha, o Pelé nem fez o tal gol, ele só tentou e errou. Eu prefiro que o comentarista, neste jogo hipotético, possa saber da atual situação da Turquia, um pouco do histórico, quem são os principais jogadores, quem é e como o técnico armou o time… Tudo bem que podem mandar um produtor fazer uma pesquisa rápida na internet e trazer os dados pro comentarista. Mas, convenhamos, isso não é base pra um profissional da imprensa esportiva. Quem pega pesquisa na internet e comenta pelo vídeo sabe tanto quanto eu. Ou menos, em muitos casos. Tem muita gente comentando de ouvir falar. Apenas seguindo a manada. E mudando de opinião de acordo com a direção do vento. E eu estou falando de MUITA gente mesmo!!
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Agora eu pergunto pra vocês, o que a Milene Domingues poderá analisar ou acrescentar, que qualquer espectador medianamente informado, já não saiba? Ou será que preciso do Ronaldo Giovaneli pra saber que todo mundo é “um cavalo”?? Ou será que tenho que aguentar 3 jogos da seleção sub-20 com o Neto chamando o Philippe Coutinho de “pequeno príncipe”?? (Qualquer hora eu conto a curiosa estória de um desses apelidos de jogador). Ou tenho que ser castigado pela Glenda e Tande com aquela dança do joão bobo?? Aliás, porque não colocam o João Sorrisão na F1?? Não seria legal que o piloto, após a bandeirada da vitória, saltasse pra pista e ficasse balançando igual um imbecil?? Ora, já que o Massa não ganha nada, seria um forma de trazer a criançada pro mundo da F1. A Band também, pode muito bem tirar o Felipe Giafone das transmissões de corridas e colocar o Milton Neves pra fazer merchans e falar sobre sua infância, pilotando pelas ruas de Muzambinho.
Não querem transformar as transmissões esportivas em circo? Então que façam um circo total. Meu nariz de palhaço já está aqui.
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Na verdade, assim como falei sobre os “puliça news”, acho que o espectador é culpado, em grande parcela, de tudo isso que temos no esporte. Engole muita coisa e pensa pouco. Olha, mas não enxerga. Nesse Sub-20 mesmo, a Band passa a maioria dos jogos em VT, de madrugada. Até em jogo do Brasil fizeram isso! Tudo para não mexer no CQC (ou outro programa) que dá 5 pontos de audiência. A opção fica sendo o Bandsports, caso alguém assista isso. Igual fazem com a Indy, onde a transmissão fica em 3º plano, atrás do futebol e do 3º Tempo. Mas o povo só lembra que é a Globo que compra eventos e deixa pros canais pagos (ou na gaveta). E tome aquele discurso surrado e manipulador. Mesmo tipo de discurso que usam pra criticar a supervalorização de atletas brasileiros. Até com razão. Eu gostaria muito de ver o dia em que o Galvão Bueno diga que o Massa é muito inferior que seu companheiro de equipe, em lugar de SEMPRE buscar bodes expiatórios. Mas será que isso é diferente em outras emissoras? Já viram o Luciano do Valle narrando a Indy, com algum brasileiro passando de 19º pra 18º e ele inflamado com a grande chance de crescimento na corrida?!? Nesta semana mesmo, no Sub-20, vendo o Brasil sofrendo pra vencer (ridiculamente) a brava equipe do Panamá, só vi o Neto elogiando todos os “baita jogador” da seleção. Qual o problema em dizer que o time é ruim ou o técnico é mediano? Vão perder a enorme audiência das 3 horas da madrugada??
E, francamente, ufanismo idiota é um pé no saco. Outro dia alguém, nos comentários, falou sobre a atitude do Jorge Iggor, esculachando o estádio de S. Januário. Pode até ter razão, mas isso é quase uma regra geral. Quem já foi num estádio (salvo raríssimas exceções) sabe como é a FALTA DE estrutura deles. Mas é esse mesmo Jorge Iggor (ou qualquer outro colega do EI) que levanta a bandeira da brasilidade quando aparece um jogador, nascido no Brasil, defendendo a Alemanha ou Ucrânia. O cara já trocou de cidadania, joga por um time de lá, tá na seleção de outro país e tenho que aguentar o ufanismo vazio de um narrador berrando que o tal jogador é brasileiro. É mesmo? Pois eu acho que ufanista de verdade é quem defende as coisas boas de seu país. E tenta consertar as ruins.