SBT Ainda na Briga
Hoje também vou no estilo rapidinhas, mas focado no SBT. Emissora essa que está próxima de completar seus 30 anos de vida. E, após dezenas de turbulências, a coisa não anda tão feia como muitos temiam. Independente dos especias deste mês, a diferença entre o SBT e a Record está num patamar até confortável. Muito longe do cenário catastrófico que alguns desenharam. Lembro de ter lido gente falando na possibilidade da Band roubar o terceiro lugar do SBT. Algo que, apesar dos desvios de rota e dos rompantes do patrão, ainda está bem distante. Talvez mais por culpa da Band do que por méritos do SBT. Da mesma forma que a pouca diferença entre a Record e o SBT é mais consequência das falhas e teimosias dos bispos que nada entendem de televisão. A emissora da Barra Funda já teve uns 3 anos pra abrir distância em relação ao 3º lugar. Mas isso não ocorre mais. Pelo contrário, a Record vem perdendo alguns décimos nessa briga apertada.
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De modo geral podemos dizer que a disputa pelo 2º lugar anda assim:
- equilibrada pela manhã, a Record ganha sempre com o Fala Brasil. O Hoje Em Dia não sustenta e os desenhos do SBT acabam empatando a disputa.
- de tarde a situação é parecida, os jornais da hora do almoço até rendem vantagem a Record. Mas logo entram as novelas reprisadas e o SBT recupera o terreno. O único programa da Record que conseguia constância no 2º lugar era o Chris, agora de férias. E a coisa segue embolada até o começo da noite.
- de noite é que surgem as mudanças mais sensíveis. Mesmo sem um produto forte no horário a Record consegue recuperar um eventual prejuízo diurno. Só o Ratinho e um ou outro filme conseguem brigar pelo 2º lugar.
Na média diária dá pra perceber que as duas emissoras ficam com uma pequena diferença até o horário nobre, coisa de 0,2 pra cá, 0,3 pra lá. Entra o prime time e a Record salva o prejuízo e até abre 0,8 ou 1 ponto de vantagem. Mas tudo isso com números de São Paulo, em outras praças o cenário pode ser bem diferente.
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Um dos problemas do SBT nessa briga pelo 2º posto atende pelo nome de Amor e Revolução. Acho que é a 8ª ou 10ª novela, seguida, que naufraga no SBT. Tanto que perde até o 3º lugar pra Band, e afeta em muito a média dia. Lembro que já fiz um comentário (superficial) sobre essa novela e seu autor. Mas não será hoje que vou abordar as falhas da novela. Primeiro que elas são grosseiras e amadoras; e depois acho que nem vale gastar meu tempo com algo tão baixo. A audiência é a melhor resposta pro Tiago. Talvez um dia ele aprenda que uma novela não aguenta 8 ou 9 meses no ar só com polêmicas. Mas parece que algumas cabeças premiadas da televisão brasileira resolverem que “causar” (ou o bafon) é a chave do sucesso de público. E tome “causar” em novela, em programa de humor, em reality, em programa esportivo… Se fosse assim tão simples…
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Eu já falei antes e continuo defendendo a idéia de novos formatos de dramaturgia. Ainda mais quando é difícil competir, diretamente, com a Globo, ou mesmo a Record. O SBT não tem a mesmo estrutura, elenco, equipe, dinheiro… Nisso não posso culpar o Tiago. É erro de projeto. Por mais esforço e disposição a audiência vai bater num teto baixinho. Isso é falha da direção, não de um autor ou diretor apenas. Sem esquecer a terrível mania do SBT de só exibir novelas já totalmente gravadas. Depois não dá pra alterar o rumo, atender expectativas do espectador, ou explorar melhor tramas e personagens.
Tanto pra fugir do embate direto, quanto por questão de custos, eu insisto na idéia seriados ou séries de média duração. Já fracassaram com umas dez novelas, será que não vale tentar um formato diferente?
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Outro problema tradicional do SBT é o jornalismo. Mesmo com a pouquíssima credibilidade, a Record está vários passos adiante. Primeiro o SBT precisa dar uma “cara” ao seu jornalismo. Depois precisa de investimento e tempo. E conhecendo o Sílvio Santos não dá pra imaginar que ele ofereça as três coisas conjuntamente. Com o agravante que o jornalismo não permite tanto improviso quanto outros produtos. É preciso persistência e paciência. E um pouco de qualidade, se não for pedir demais.
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Os setores onde o SBT ainda exibe alguma musculatura (programas de auditório e filmes e seriados) também apresentam considerável saturação. No caso de filmes e seriados não há como atender tantas horas mensais com produtos de ponta e inéditos. Isso não existe em nenhuma emissora brasileira. Talvez só em umas 4 ou 5 no mundo. Ou se reduz o tempo desses produtos, ou se compra mais, ou se apela pra reprises. É óbvio que as emissoras escolhem a última alternativa.
Nos casos dos programas próprios vejo um exagero em formatos já existentes. São 2 ou 3 programas de dança e talentos, o mesmo em programas de ajuda (pra casais, namoro, de moda, etc…), o Ratinho em versão normal e “turbo”, até o Casos de Família vai ter o seu genérico, o Quem Convence Ganha Mais. Seria mais saudável variar esse “cardápio”. Mesmo que uma fatia do público goste, o perigo de enjoar existe e é grande.
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Alguém deve estar pensando que só apontei as falhas e problemas na programação e que o sucesso é originado pelos erros das rivais. Nem tanto assim. O primeiro ponto positivo é que o SBT parou de mexer tanto na grade e inventar programas fadados ao fracasso. Até porque isso custa caro. Depois o SBT até consegue fazer direitinho o esquema de passar audiência de um programa pro subsequente. Não que seja 100% (isso é impossível), mas faz bem melhor que, por exemplo, a Band. Também é bom lembrar que o SBT tem um baixo índice de rejeição, diferente da Record. E usa isso em seu benefício. E completo enaltecendo a grade ainda intocada por seitas e pastores milagreiros. Por mais que a grana fácil seja atrativa, o estrago na grade é considerável. E até esta data o Sílvio Santos conseguiu resistir a tentação.


O primeiro problema para mim do SBT é a falta de um jornalismo decente, algo mais sério, pois o que está hj no ar é risível. Depois as séries produzidas aqui seriam boas opções.
Tb acho que alguns programas, mesmo esses mais “moderninhos” são meio repetitivos, poderia haver uma separação e seleção do que presta ou não; acho que existem coisas que poderiam ter saído da grade há muito tempo(excesso de reprise de novelas e filmes, Ratinho, Christina Rocha).
Os erros da Record contribuiram para esse cenário, cabe ao SBT encontrar uma cara.
Quem tb ainda precisa definir sua cara é o EI (lá vou eu criticar de novo); outro dia vendo um jogo do Sub-20 alguém mandou uma brincadeira pelo twitter, facebook, essas coisas, chamando o Vitor Sérgio de “argentino”; o comentarista respondeu: “eu não, eu sou homem”; posso estar fazendo papel de chato reclamando dessas coisas do canal,mas acho que eles tem de definir se serão um canal de esportes de qualidade, ou mais um canal fraco de ufanismo barato e brincadeiras de mau gosto.
Comment by Alexandre — August 4, 2011 @ 2:16 pm
Concordo com bastante dessas coisas sobre o SBT. Mas ela deve investir mesmo é no popular, essa é a cara do SBT.
O Alexandre tá certo sobre o EI. Um problema claro lá é a capacidade do pessoal. Se juntar o QI de uns 7 não dá 1 (sujeito normal). Até o Vitor Sérgio, o menos ruim, tá me decepcionando.
Comment by Andrade — August 4, 2011 @ 7:04 pm
É, é duro conseguir alcançar o segundo lugar dessa maneira: jornalismo porco, ausência de esportes na grade, novelas repetidas….
Os bispos da Record parecem esses bilionários donos de times: ninguém sabe de onde veio o dinheiro, eles gastam muito em nomes duvidosos e supervalorizam o seu produto. O resultado final não é lá muito agradável.
Comment by renan — August 5, 2011 @ 3:10 pm