August 6, 2011

Comentaristas de Mérida

Arquivo em: Coluna — Marco Telinha @ 11:38 pm
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Alguns assuntos meio que perseguem a gente. A imprensa esportiva, por exemplo. Por mais que a gente fale, a ruindade só aumenta. E, o pior de tudo, não parece que seja casual. Tenho a impressão (ou certeza) de que as nossas emissoras estão fortemente empenhadas no processo de idiotização do esporte. E muitos espectadores estão embarcando na armadilha. Consciente ou inconscientemente. Quem não suporta tal nível de debilidade certamente vai sofrer. Ou terá que evitar os programas esportivos. Ou tirar o som na hora das transmissões.
Quando eu digo que esse processo de idiotização é planejado e generalizado, não estou apenas exagerando. É um fato. Basta que observemos. E não livro nenhuma emissora desse projeto maquiavélico, vamos do Esporte Interativo até a Gorda Redonda. Todas estão pisando na mesma lama. E isso já está começando a incomodar. Não só a mim, volta e meia alguém reclama disso nos comentários.
Acho que a primeira falha ocorre na seleção desse povo que vira comentarista de um dia pro outro. Pouco se exige deles. Talvez que sejam populares e um pouco saidinhos. E que saibam olhar pra câmera que estiver ligada. Daí pra frente podem falar a besteira que quiserem. E falar besteira não é só maltratar o português como apontaram nos comentários. Nem é fazer chacota com os argentinos como o Alexandre contou ter visto no EI. Nem só comentar lances isolados, como eu já mencionei aqui. É tudo isso, e mais um tanto de pouco entendimento de tática e técnica. Sim, é exatamente isso, tem muita gente na televisão, travestida de comentarista, que não entende tanto quanto deveria ou precisaria. E nem venham repetir aquela frase imbecil dizendo que o Brasil tem 190 milhões de técnicos. Negativo. Assim como não é verdade que basta ter sido jogador pra entender de futebol. É outra balela gigantesca. E digo mais, nem todos que entendem conseguem transmitir isso de forma compreensível e agradável.
Vou ser mais claro, digamos que temos um jogo entre Brasil e Turquia e o Denilson Show está comentando. Aposto que, em certo momento, ele vai, pela 159ª vez, repetir a estória de como foi cercado por 3 turcos na bandeirinha de córner, na Copa de 2002, e de como isso fez o Brasil ganhar a taça. Tá bom, até um bebê de 6 semanas já ouviu a estorinha. Da mesma forma que já cansou, quando alguém tenta um chute do meio-campo, lembrarem que aquele é o “gol do Pelé”. Olha, o Pelé nem fez o tal gol, ele só tentou e errou. Eu prefiro que o comentarista, neste jogo hipotético, possa saber da atual situação da Turquia, um pouco do histórico, quem são os principais jogadores, quem é e como o técnico armou o time… Tudo bem que podem mandar um produtor fazer uma pesquisa rápida na internet e trazer os dados pro comentarista. Mas, convenhamos, isso não é base pra um profissional da imprensa esportiva. Quem pega pesquisa na internet e comenta pelo vídeo sabe tanto quanto eu. Ou menos, em muitos casos. Tem muita gente comentando de ouvir falar. Apenas seguindo a manada. E mudando de opinião de acordo com a direção do vento. E eu estou falando de MUITA gente mesmo!!
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Agora eu pergunto pra vocês, o que a Milene Domingues poderá analisar ou acrescentar, que qualquer espectador medianamente informado, já não saiba? Ou será que preciso do Ronaldo Giovaneli pra saber que todo mundo é “um cavalo”?? Ou será que tenho que aguentar 3 jogos da seleção sub-20 com o Neto chamando o Philippe Coutinho de “pequeno príncipe”?? (Qualquer hora eu conto a curiosa estória de um desses apelidos de jogador). Ou tenho que ser castigado pela Glenda e Tande com aquela dança do joão bobo?? Aliás, porque não colocam o João Sorrisão na F1?? Não seria legal que o piloto, após a bandeirada da vitória, saltasse pra pista e ficasse balançando igual um imbecil?? Ora, já que o Massa não ganha nada, seria um forma de trazer a criançada pro mundo da F1. A Band também, pode muito bem tirar o Felipe Giafone das transmissões de corridas e colocar o Milton Neves pra fazer merchans e falar sobre sua infância, pilotando pelas ruas de Muzambinho.
Não querem transformar as transmissões esportivas em circo? Então que façam um circo total. Meu nariz de palhaço já está aqui.
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Na verdade, assim como falei sobre os “puliça news”, acho que o espectador é culpado, em grande parcela, de tudo isso que temos no esporte. Engole muita coisa e pensa pouco. Olha, mas não enxerga. Nesse Sub-20 mesmo, a Band passa a maioria dos jogos em VT, de madrugada. Até em jogo do Brasil fizeram isso! Tudo para não mexer no CQC (ou outro programa) que dá 5 pontos de audiência. A opção fica sendo o Bandsports, caso alguém assista isso. Igual fazem com a Indy, onde a transmissão fica em 3º plano, atrás do futebol e do 3º Tempo. Mas o povo só lembra que é a Globo que compra eventos e deixa pros canais pagos (ou na gaveta). E tome aquele discurso surrado e manipulador. Mesmo tipo de discurso que usam pra criticar a supervalorização de atletas brasileiros. Até com razão. Eu gostaria muito de ver o dia em que o Galvão Bueno diga que o Massa é muito inferior que seu companheiro de equipe, em lugar de SEMPRE buscar bodes expiatórios. Mas será que isso é diferente em outras emissoras? Já viram o Luciano do Valle narrando a Indy, com algum brasileiro passando de 19º pra 18º e ele inflamado com a grande chance de crescimento na corrida?!? Nesta semana mesmo, no Sub-20, vendo o Brasil sofrendo pra vencer (ridiculamente) a brava equipe do Panamá, só vi o Neto elogiando todos os “baita jogador” da seleção. Qual o problema em dizer que o time é ruim ou o técnico é mediano? Vão perder a enorme audiência das 3 horas da madrugada??
E, francamente, ufanismo idiota é um pé no saco. Outro dia alguém, nos comentários, falou sobre a atitude do Jorge Iggor, esculachando o estádio de S. Januário. Pode até ter razão, mas isso é quase uma regra geral. Quem já foi num estádio (salvo raríssimas exceções) sabe como é a FALTA DE estrutura deles. Mas é esse mesmo Jorge Iggor (ou qualquer outro colega do EI) que levanta a bandeira da brasilidade quando aparece um jogador, nascido no Brasil, defendendo a Alemanha ou Ucrânia. O cara já trocou de cidadania, joga por um time de lá, tá na seleção de outro país e tenho que aguentar o ufanismo vazio de um narrador berrando que o tal jogador é brasileiro. É mesmo? Pois eu acho que ufanista de verdade é quem defende as coisas boas de seu país. E tenta consertar as ruins.

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8 Comentários »

  1. Só para deixar claro, quando critiquei o Jorge Igor pela gritaria contra São Januário quis criticar o fato de ele dizer que “não vai à porcaria de estádio nenhum no Brasil”, o que a meu ver queima o filme dele se ele quiser ir para outra rede de TV para transmitir torneios nacionais por exemplo. Sobre as condições ruins dos estádios no Brasil ele tem boa dose de razão, apesar do jeito “bravinho” dele ser exagerado. Já fui a estádio aqui no Brasil em que a arquibancada principal é um barranco só para ter uma idéia, sem contar os problemas de falta de higiene, segurança, transporte, etc.

    Sobre o ufanismo concordo basicamente com o que você disse; penso que as emissoras de TV devem pensar: “se não exaltarmos os brasileiros, os trouxas que nos assistem vão desligar a TV”; como você disse, infelizmente, uma boa parte de pessoas é assim mesmo, concorda com isso, mas as pessoas que tem senso crítico até se ofendem com tamanhas bobagens que são ditas por muitos dos personagens que você citou. E a crítica ao ufanismo dos outros canais (fora a Globo) é evidente; tente assistir um jogo com brasileiros em campo com o Luiz Alfredo narrando, só para lembrar de mais um exemplo.

    Quando critiquei o Vitor Sérgio sobre “os argentinos” eu até lamentei, pois ele e o Rafael Oliveira são bons comentaristas, melhores que 80% dos comentaristas do Sportv por exemplo (canal que também tem sua dose de ufanismo, menos que na TV aberta, mas tem). O problema do Vitor é que ele, às vezes, parece querer ser aquilo que ele mesmo critica, o chamado “Zé graça”. O mais bizarro é a postura de um canal que se diz só de esportes, e poderia ser mais analítico e não se perder nesse ufanismo vazio que criticamos aqui.

    Comment by Alexandre — August 7, 2011 @ 11:09 am

  2. Só para registrar tb: a Band não passa corridas da FIndy ao vivo muito por causa desse ufanismo; se tivéssemos brasileiros ganhando títulos e vitórias mais frequentemente certamente eles transmitiriam mais provas ao vivo. Mas por enquanto eles ficam com o Vitinho enganando por lá.

    Justiça seja feita ao Massa: Ele talvez seja o menos ligado à esse oba-oba que a Globo tenta fazer na F1 e não ficou chorando qdo perdeu o título em 2008 e qdo deu passagem ao Alonso ano passado (postura diferente a do Barrichello).

    Comment by Alexandre — August 7, 2011 @ 9:31 pm

  3. mas pior,é Neto”apresentando”o SP Acontece.e mais grave,é gente da blogosfera”enchendo a bola”desse triste!o massa já está podre de Rico!tá nem aí.concordo contigo teve zona.a idiotização está tomando proporções gigantes!

    Comment by leonardo-pe — August 8, 2011 @ 1:08 am

  4. O pior pecado para mim é subestimar a inteligência do telespectador. Aquela eterna história de achar que o povo só assiste o jogo pq o Galvão ou o Luciano “promovem”. Pior: os narradores que passam a 2ª divisão do Brasileiro falando dos jogos e times como se fossem superesquadrões. O Luis Alfredo narrava Portuguesa x CRB como se fossem Milan X Barcelona… muita forçação de barra. E estes comentarista de programas policialescos: ô chatice.. o Facioli lê as notícias como se estivesse vendo pamonha num carro com auto-faltante, precisa gritar tanto???

    Comment by Lops — August 8, 2011 @ 10:11 am

  5. É isso aí. E aquela história do Datena comentar jogo agora…haja paciência pra aguentar Datena, Neto, Ceará e Luciano do Valle na mesma transmissão.
    Mas essa ridicularização das transmissões esportivas tem como maior culpado os espectadores que dão audiência para essas “meridas”, independente da emissora.
    Falta senso crítico.

    Comment by renan — August 8, 2011 @ 5:33 pm

  6. A Band perdeu a moral com essa volta do Datena. Agora ele manda em tudo lá, falta só comprar a emissora do Saad.

    Comment by Julius — August 8, 2011 @ 10:26 pm

  7. A facilidade que se tem pra ser comentarista, também é a mesma de ser narrador no Esporte Interativo. Todo dia aparece um nome novo, e nenhum dá certo…os dois Luis Felipes são de doer.

    Dentro do que nós sempre falávamos sobre o baixíssimo nível da equipe deles, parece que eles estão tentando amenizar alguma coisa com o retorno do Henrique Marques…ainda não salva aquela aberração do Alexandre Gimenes querendo apresentar o Jogando em Casa até nos dias que é “convidado”, mas, por outro lado, ruim não é.

    Quanto ao Jorge Iggor, dá pra resumir em uma frase. Ele diz as coisas certas, mas da forma errada. Não há motivos pra sair esculhambando tudo, pra ele nada presta, num existe nada bom ou certo, ou é horroroso, ou é espetacular. É um troll no sentido mais amplo da palavra, infelismente.

    Sobre o Rafael Oliveira e o Vítor Sérgio, apesar dos pesares, ainda são dois dos melhores comentaristas de todas as TVs, inclusive as fechadas. Junta eles dois, o PVC, Mauro Beting e o Antero, só pra zuar, seria um dream team.

    E sobre o André Henning, está acontecendo o que eu já suspeitava…ele está se tornando o Galvão do EI. Não apresenta mais o programa que foi feito pra ele, o Jogando em Casa, dificilmente narra algum jogo, só quando é do Brasil, e olhe lá, pq já ví o Luis Felipe Freitas fazendo isso e parece ser quem mais incentiva esse ufanismo, pelo menos por lá. Mas mesmo assim, arrisco a dizer que no dia que ele sair de lá, o que deve demorar, o EI vai acabar…

    Comment by Ramon — August 10, 2011 @ 11:10 pm

  8. Agora justiça seja feita…o EI está transmitindo TODOS os jogos do Sub-20 ao vivo…tô vendo o do Brasil nesse momento. Exceto aos que são simultâneos.

    Ah se voltasse pelo menos a Premier League…

    Comment by Ramon — August 10, 2011 @ 11:11 pm

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