Esporte e Circo
Outro dia fui instigado a falar sobre um assunto já habitual aqui no Tevezona, o rumo estranho e idiota que as transmissões e programas esportivos vem tomando. O motivo dessa nova investida foi um debate promovido sobre o tema no Ver TV. Como não consegui ver o programa (ou a reprise), agradeço ao Alexandre que passou o link pro vídeo no site da TV Câmara. Por lá vi os 2 primeiros blocos. E concordo com grande parte das opiniões dos convidados do programa. Ainda mais que muitos dos assuntos eu já havia abordado aqui.
Quem lê a coluna há mais tempo deve lembrar de quantas vezes já critiquei a Band, a Record, a Rede TV, o Esporte Interativo e, mais recentemente, a Globo. Especialmente quanto ao nível dos programas e sua busca (equivocada) pela infantilização. Recordo que algumas pessoas acharam que eu estava de perseguição contra essa ou aquela emissora. Como se eu fosse culpado pelo conteúdo desses programas. Como se a janela fosse culpada pela paisagem. Ora, eu só ressaltei os fatos. Fatos públicos e evidentes.
Um dos pontos citados no Ver TV (pela Kátia Rubio) é a interferência da televisão no esporte. E isso é fato, basta ver as mudanças nas regras do vôlei. Ela paga pela transmissão e, por motivos diversos, acaba interferindo no “espetáculo”. Interfere porque deixam. E interfere buscando seus próprios interesses. Do mesmo modo que interfere numa novela. Erra ela e erra quem permite isso. Outro aspecto citado pela Kátia Rubio é que a televisão trata do esporte como algo menos sério. Permite coisas (e brincadeiras) que não vemos em outras editorias. Isso também é fato. E é uma decisão consciente. As emissoras (baseadas em pesquisas e/ou conceitos firmados) entendem que precisam aumentar a base do seu público alvo. E, já tendo o grosso do público masculino, tentam atrair as mulheres e crianças. Até entendo isso, só não sei se essa é a forma correta. O esporte pode (e deve) ser popular, mas não precisa ser idiota ou popularesco.
Um dos erros do Ver TV (comentado pelo Alexandre) foi focar as críticas na Globo. Não que ela não mereça as pancadas; deveria levar o triplo. O problema é aquele que eu já abordei quando citei um filme que passou na TV Brasil. O filme exibiu cenas muito mais pesadas que O Astro, mas como “ninguém” viu… Sem falar que bater na Globo é modinha, agrada os pseudo-intelectuais e faz sucesso com o povão. Basta ver a reação tímida diante do monopólio tácito imposto pela Record, detentora das olimpíadas e Pan. Se fosse a Globo, choveriam críticas e campanhas na internet. Se a Globo comprasse a Indy e só transmitisse metade das provas em tv aberta… Mas como é a Band, poucos se lembram do fato. Enfim, é assim que o povo se comporta. Fala mal, mas não deixa de assistir.
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Eu, talvez pela idade, adoto uma tática diferente. Quando um programa torra a minha paciência, deixo de assistir. Salvo por algum fato pontual ou para colher dados que interessem ao propósito da coluna. Um exemplo recente ocorreu com o Esporte Espetacular (ou espetaculoso). Eu já vinha no meu limite extremo. E há umas 2 semanas eu estava no computador (ou na internet) e deixei a tv ligada no EE. Nem prestava muita atenção. Lá pelas tantas aparece a Glenda anunciando novidades na tal dança do gol e no João Sorrisão. Parece que querem transformar aquilo na Dança dos Famosos do futebol. E eu já olhando feio pra Glenda. Mais uns minutos e começam a mostrar os gols do sábado. Por sorte eu já havia visto os gols pela Internet, no dia anterior. Mas parei pra rever. Pra ver e ouvir a narração ridícula que ela e o Tande faziam. Um texto certamente criado pelos redatores do Zorra Total. Ainda tinha a edição engraçadinha pra divertir o “respeitável público”. Passou um gol do Cruzeiro, onde o Roger dava um passe em profundidade pro companheiro, e eles cortam o lance pra dizer que foi um presente igual aos que ele dá pra Deborah Secco. E pra isso inseriram umas imagens dela na novela. Num outro jogo, onde a defesa do Botafogo se atrapalha e permite um gol do América mineiro, a edição inventa de botar a música do antigo programa dos Trapalhões como trilha. E daí pra pior.
Isso até pode ser engraçado pra alguns. Certamente é. Mas eu só queria ver os gols e lances. E já sei que não será mais no Esporte Espetaculoso. Nunca mais! Tenho outras opções. Felizmente.
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Ontem a Rede TV teve o seu dia de gala. O UFC Rio rendeu números bem altos pra emissora, faltando muito pouco pra atingir a liderança no Ibope. No melhor momento (na luta do Anderson Silva, ao que parece) ela passou dos 11 pontos de pico, num empate técnico com a Globo. Mesmo a média foi muito boa. Tanto que, ao final do dia, acabou meio ponto na frente da Band, 2,1 contra 1,6.
A transmissão teve algumas falhas técnicas. Por várias vezes o áudio do patrocínio entrou junto da narração. As entradas pra entrevistas, no estúdio móvel, estavam com um delay grande, até confundido o Fernando Navarro em uma ocasião. Em outro momento vazou um áudio que não consegui identificar a origem. Felizmente as lutas foram acima da média que deixaram esses problemas em segundo plano.
Resta saber se os bons índices de audiência não vão atiçar alguma emissora concorrente. A Globo eu acho improvável, neste momento. Mas pode pintar alguma outra. É melhor a Rede TV amarrar bem esse contrato.
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Curioso é ver como o público se divide em relação ao UFC. Ou a pessoa gosta, ou não suporta. É raro ter alguém que acha “mais ou menos” interessante. E isso é até compreensível. Difícil pra mim é entender quem assiste o WWE (atualmente no EI). Qual a graça de ver uma “luta coreografada”?? E ainda tem gente que acha que aquelas lutas são pra valer. Eu mesmo conheço algumas pessoas que pensam assim. Vai entender…
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Nos últimos dias eu li algumas notas tratando do eterno problema do jornalismo da Record, sua submissão aos interesses da IURD. E é aquela mesma coisa de sempre, todas as emissoras noticiaram a visita do Papa à Espanha e o encontro com os jovens. Mesmo encontro que ocorrerá no Rio em 2013. Mas o jornalismo da Record ignorou totalmente o fato. A ordem lá é só citar os fatos negativos. Esses são repetidos e reprisados exaustivamente.
Mas tenho que ser justo, a Record não ataca só a igreja católica. Ela é contra todas as concorrentes. Podem anotar e depois me digam se a emissora já deu espaço para outras religões ou seitas. Eu nunca vi.
O que eu vejo mais é o jornalismo da Record cometendo alguns erros grosseiros. Ontem, nas legendas de rodapé da Record News, passavam duas notícias seguidas. Na primeira escreveram assim:
“Mulher é condenada HÁ 18 anos de prisão…”
Na notícia seguinte a gramática mudou:
“Ciro Gomes é condenado A pagar cem mil…”
Tá certo, se fosse prova de gramática teriam tirado nota 5.


Gostei da transmissão do UFC. Apesar dos patrocínios né, tava irritante…acho que o Eder e o Belfort estavam sem retorno lá na Arena.
E a Globo já está de olho hein. Na internet passou todas as lutas.
E nem sei o que é pior hein, o Esporte Espetacular ou o Esporte Fantástico. Dois lixos. O da Record é uma cópia né, então por natureza já nasceu pior. Forçam reportagens com gente “famosa”, tentam ser engraçadinhos….não conseguem nada….
Comment by renan — August 29, 2011 @ 11:01 am
Pra mim a Globo tá sim de olho no UFC. Mas ela só compraria os direitos de transmissão para tirar o UFC da Rede TV e com certeza colocaria as lutas no horario da madrugada.
Comment by Daniel Alves — August 29, 2011 @ 12:43 pm
Concordo com o Renan o “programa” da Record consegue ser pior ainda que o EE (apesar de tudo).
Não vi nada de UFC, então passo.
Nesse negócio de Luta Livre, a que era pelo menos engraçada era a dos “Gigantes do Ringue” que era exibido na Record e na Gazeta nos anos 80/90; era ruim, mas era bom, se é que me entendem; isso do EI é só para preencher horário mesmo e prova que nem tudo que é bom nos EUA é bom para o Brasil.
Sobre o Ver TV vc tocou num ponto interessante que é o fato da editoria de esporte ser colocada por muita gente meio como coisa menor, sendo que é uma parte do jornalismo; não que tenha de ser algo amarrado e sem graça, mas deve ter como objetivo a informação não a palhaçada que estamos vendo ultimamente. E concordo em relação com as mudanças de regras e sobre a moda de bater na Globo.
Sobre o jornalismo da Record acho que essa coluna do Ricco diz bem sobre o assunto: http://televisao.uol.com.br/colunas/flavio-ricco/2011/08/29/record-insiste-em-produzir-jornalismo-de-qualidade-duvidosa.jhtm
Comment by Alexandre — August 29, 2011 @ 1:16 pm
Gostei da coluna. Não sou muito fã de lutas mas acho que tem público pra isso. E a Globo pode levar vantagem se negociar os direitos em tv aberta.
Sobre o jornalismo da Record, é algo tão falso e manipulado que nem perco tempo vendo. E pelo erros de português relatados, devem contratar qualquer obreiro pra redator da emissora.
Comment by Julius — August 29, 2011 @ 8:26 pm
e a infantilização do Brasileiro.ou melhor:IDIOTIZAÇÃO!este aqui esá ficando com quase tudo de Irritação.uma pergunta Básica:por que querem a saída do Rioco Teixeira da CBF agora?não era pra ter pedido isso antes?oportunismo barato.se eles da imprensa apoiam,eu não.
Comment by leonardo-pe — August 29, 2011 @ 9:50 pm
perdão:é Rico Teixeira.e não rioco(risos)!sobre a moda de”bater na BOBO”é moda q esá no meu pacote de IRRITAÇÃO.infelizmente,tem gente q não tem personalidade.até por que personalidade não se compra na prateleira do Supermercado.
Comment by leonardo-pe — August 29, 2011 @ 9:55 pm
@ Leonardo, acho que agora, após 3 décadas, descobriram que o Ricaço Teixeira é o único responsável pela sujeira do futebol brasileiro. Antes eles pensavam que ele era a versão feminina da Madre Teresa.
Comment by Marco Telinha — August 30, 2011 @ 3:24 am