Pouco Esporte, Muito Interativo
Em diversas ocasiões falei sobre o Esporte Interativo, aqui na coluna. Não só tratando da programação e da equipe. Essas coisas podem ser ajustadas, até com relativa facilidade. Meu descontentamento maior, em verdade, é com a ideologia da emissora. Não gosto nada de sua linha gerencial. Talvez seja chatice minha, talvez por estar fora do público alvo do EI. Mas não vejo o mesmo problema com o Sportv, a ESPN, o Band Sports. Se bem que não gosto nada de certa políticas diretivas da ESPN, mas creio que isso parte da direção internacional. Mas o papo de hoje é sobre o EI.
Há alguns dias vi um trecho da entrevista (ao próprio canal) que o Fábio Medeiros concedeu. O Fábio, caso alguém não saiba, é um dos donos do Esporte Interativo. E ele, basicamente, reiterou o projeto atual, focado nas diversas mídias e na tal interatividade. O Fábio enalteceu o número de seguidores nas redes sociais, a primeira transmissão feita no Facebook, os aplicativos pra celulares, Iphone, Android e demais tecnologias. Não gosto muito dessas coisas mas até admito que devam ser usadas. O problema crucial é que a emissora está confundindo o meio com o objetivo. Eu vejo tudo isso como um meio. A emissora considera isso um fim. E aí se dá o enrosco entre minha visão e a do EI.
Qual a importância do Esporte Interativo ter feito a primeirão transmissão no Facebook? Qual a diferença se tivessem transmitido a partida no site da emissora ou em qualquer outra rede? Qual a importância disso? Será que a NBC, a NHK, a BBC, a RAI, a Globo ou a Televisa estão muito preocupadas com o feito glorioso do EI? E essa coisa de buscar seguidores no Twitter e Facebook? Por acaso o EI está competindo com a Ivete Sangalo, o Ronaldo ou o Luciano Huck? Aplicativos pra celular? Ok, outros canais também disponibilizam o serviço. Mas, gente, isso é só um meio. São uma ferramenta, não o conteúdo. Os meios são secundários. Até porque eles mudam. E ainda mudarão muito no futuro. Prova maior é o próprio EI nas redes sociais. Até um ano eles viviam catando seguidores no Twitter, agora querem fãs no Facebook. Será que no ano que vem pedirão votos no +1 do Google?
Algumas pessoas podem gostar dessas coisas, outras não gostam tanto. Independente disso é preciso saber usar tais ferramentas. Não ser usado por elas. E o EI precisa, muito, é cuidar do seu conteúdo. É o conteúdo que traz espectadores e anunciantes.
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Outro dia eu li um comentário, acho que no blog do Renan, falando que o Jogando Em Casa é provavelmente um dos melhores programas esportivos da TV aberta. Apesar de várias bobagens e da precariedade da produção, até que faz sentido. Na verdade a falta de estrutura até ajuda o Jogando Em Casa. E eles acabam fazendo um programa quase no estilo dos esportivos de rádio.
Mas o que mais ajuda o Jogando Em Casa é a ruindade dos demais programas esportivos. Já tenho uma certa idade e posso garantir que nunca vi uma programação esportiva tão ruim em TV aberta. Na verdade estamos colhendo o que foi plantado. Estamos colhendo os frutos de terem plantado vários ex-jogadores, celebridades, criadores de polêmicas, homens propaganda, fanfarrões, bonecos de João Bobo… Por mais que a pessoa goste de esporte, fica complicado. Não dá pra assistir 5 minutos sem ficar estressado.
Tá tudo errado. Muito errado. E indo da Globo até a Gazeta. Quase nada se salva.
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Mas o Esporte Interativo também foi afetado pela infantilização da programação esportiva. Um belo exemplo é o tal Zoação Esporte clube. Até o nome foi meio chupado do BEC. E o resto foi chupado desses programas de vídeos da internet, de musiquinhas, dancinhas… Uma bobagem colossal. E que passa muito longe de ser engraçado.
Eu só fico me perguntando como alguém consegue assistir um programa tão trash e tão chato. É incompreensível!
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Engraçado mesmo são os vacilos que acontecem de vez em quando. Tanto que estou pensando em criar um prêmio pra esse tipo de vaciladas. Acho que Prêmio Daniela Albuquerque ficaria bem pra tal competição. E o premiado da semana é o Jorge Iggor. No Fim de Papo do domingo passado ele tinha que chamar um vídeo com os 5 melhores golpes do WWE. Aí ele foi:
- Agora vamos passar os 5 melhores golpes da semana. Se ajeite no sofá, no chão…
No CHÃO????
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Por várias vezes eu já reclamei daqueles blocos de 30 segundos, enfiados entre 2 intervalos comerciais. Quase sempre no final dos programas e que só servem pra dar um “tchau” e rodar os letreiros. Acontecem em quase todas as emissoras, até em jornais considerados sérios.
Mas a TV fechada não faz por menos. Não estão satisfeitos com a grana que recebem das distribuidoras. Não se contentam com os intervalos gordos. Não acham feio vender horários pros infomerciais. Não, agora estão copiando o tal “bloco recheio”.
Domingo, zapeando e sem nada pra ver, parei num famoso canal cujo nome começa com W. Estava no intervalo e eu esperei uns minutos até recomeçar o seriado. Passaram 2 cenas, num bar, que, somadas, não chegavam a 90 segundos. Aí, pasmem, entrou outro intervalo. E eu fiz questão de contar, foram 9 anúncios e mais uma vinheta. Praticamente 5 minutos de intervalo!! Isso depois de 90 segundos de programa. Se isso não é fazer o espectador (assinante) de idiota, não sei o que poderia ser.


Concordo plenamente com sua opinião sobre o EI; esse Zoação chega a ser estúpido de tão ruim, insistem nessa luta de mentira do WWE, agora jogam todas as fichas no Kajuru Fofoca, como se isso fosse sinônimo de qualidade. Entendo a opinião do Renan em comparação aos outros programas das outras redes, mas dizer que o Jogando em Casa é o melhor programa da TV aberta em termos de esporte (com aquele tal de Gimenes e o “irmão careca” dele vomitando bobagens por lá) é forçar a amizade. Sem contar que o Jogando em Casa é “levemente inspirado” no Bate-Bola da ESPN. Até melhoraram a diversidade de eventos transmitidos, mas no geral o canal ainda é fraco; me parece que pensam mais no tal público alvo de moleques até 15 anos, para valorizarem tanto essa coisa de internet, que é bom, mas vc disse bem, é meio e não o objetivo final.
Sobre a TV paga no Brasil podemos fazer uma comparação com a banda larga; é cara e ruim, para melhorar ainda falta muito.
Comment by Alexandre — October 12, 2011 @ 12:58 am
O Esporte Interativo é feito pra garotos de 15 anos mesmo. Eles podem ficar o dia todo nessas redes sociais e participando das brincadeiras pelo celular. O Esporte Interativo vai “longe” assim.
Comment by Julius — October 13, 2011 @ 3:44 am
Concordo com você em boa parte do que disse. Apenas tenho uma opinião diferente em alguns pontos. Mas realmente a emissora “se perde” demais nas interatividades. Como você disse, essas interatividades mudam muito e nem todos gostam/pareticipam. Tenho Facebook, já dei joinha lá no EI mas nunca participei de nada. Até pq a tal interatividade é porca. O que é lido, em sua maioria, são abraços, piadinhas, trocadilhos….E vc citou Twitter e agora Facebook, quando começou era um mural mesmo, igual esse aqui.
Eu acho interessante o aplicativo para Iphone, assim como as transmissões via Facebook e no site. Para uma emissora iniciante e no auge da era digital, o “IBOPE” desses aplicativos pode ser usado para conseguir anunciantes, como vc citou. A inércia das grandes emissoras quanto a isso é algo que tenho como uma estratégia de mercado. Para elas, gigantes já há décadas, não sei se é interessante se arriscar. É melhor ver outras emissoras pavimentando o caminho e depois, caso dê certo, simplesmente caminhar por um caminho já desbravado.
E lembro que a própria Globo anda transmitindo vários eventos via internet. E que já, em vários países, a mídia “celular” tem entrado nos contratos de direitos de transmissão, inclusive aqui. Creio que seja uma tendência irreversível.
Quanto ao Jogando em Casa, vc está coberto de razão. A precariedade do programa faz ele ficar melhor. Afinal, eles dependem de imagens de internet para mostrar a maioria dos gols e com qualidade baixa. Então a discussão fica melhor. É quase um programa de rádio mesmo, onde não há imagem, então a discussão tem que ser interessante para prender o público. E a mediocridade dos outros programas faz ele ficar melhor ainda. Tentei mas não achei nehum programa melhor que o JEC: GE, Esp.Esp., Esp. Fant, Jogo aberto, 3º tempo, RedetvESporte, Alterosa Esporte e no Ataque….pulei algum? Em todos esses há um fanfarrão ou um defensor fanático de um clube. No caso dos programas da Alterosa, eles cairam muito ultimamente. O Alterosa no Ataque então, nem consigo assistir. Não pelo Sorin e pelo Marques, que até são bons comentaristas. Mas é pelos “jornalistas” que participam do programa.
As vezes o EI se perde mesmo, mas eu reconheço que já melhorou. Uma coisa simples e que sempre cito é a quantidade de eventos “não futebolisticos” que estão transmitindo. Já citei vários e na última semana veio o Campeonato Mundial de Boxe. Qual emissora se interessaria em transmitir o evento? Nenhuma.
Tudo bem que eles tiveram que buscar alternativas, mas buscaram. e dá IBOPE ou se gostamos ou não, isso não vem ao caso. Tanto se reclama do “monoesportivismo” da mídia brasileira, o EI é o único canal aberto a abrir espaço para esses esportes “olímpicos”. Uma pena que são eventos “sazonais”.
Quanto ao conteúdo, não tenho nada a acrescentar. Se uma emissora que tem 70% de sua grade em dias de semana vendida para terceiros (pelo menos na parabólica) é pq falta conteúdo. E dinheiro.
E pra fechar, não aguento mais o Jorge Iggor. Agora com dois “Gs”….É uma soberba, um achismo que me irrita. Está aí outro problema do EI, a quantidade de profissionais “meia boca”. Mas isso é outra história.
Comment by renan — October 13, 2011 @ 10:14 am
Bem lembrado Renan sobre o Sorin; assisti umas 3 vezes esse programa da Alterosa e ele é DISPARADO o melhor comentarista ali, com bom conhecimento sobre futebol internacional inclusive; não sei se ele é sempre assim e se puxa a sardinha muito para o lado do Cruzeiro, mas ele parece ter capacidade de ser um bom comentarista; o Marques é meia-boca a meu ver e os outros, fraquíssimos mesmo.
A ESPN tb passou esse Mundial de Boxe, mas realmente em TV aberta o EI até buscou alternativas de eventos; o problema, além dos eventos serem sazonais, é o ufanismo das transmissões em que temos brasileiros competindo, chega a ser patético; como o Marco já disse algumas vezes, uma boa aquisição seria o NBB (basquete).
Comment by Alexandre — October 13, 2011 @ 11:45 am
@Alexandre, ninguém disse que o Jogando em Casa é a 8ª maravilha da tv. Mas, como o Renan disse, se a gente olhar o EE, 3º Tempo, Rede TV Esporte, GE, Esporte Fantástico, SP Acontece (que nome!!)… Não dá!!! Digamos que ele ganha por W.O.
O EI está quase fazendo um espelho (na tv aberta) da ESPN. Esse Mundial de Boxe por exemplo. E outros eventos sazonais também. E eu acho muito bom terem sido “obrigados” a buscar esses eventos. Mesmo sem tanto apelo. Qualquer coisa é melhor que lotear pra terceirizados.
Logo que der vou tratar um pouco sobre TV na internet.
Comment by Marco Telinha — October 13, 2011 @ 8:38 pm
Entendi o raciocínio de vocês, só é difícil para mim considerar um programa que tem aquele Gimenes, Henning, e mesmo o Jorge Igor (que virou esse porre que o Renan falou) o melhorzinho ou menos pior. Para mim o formato é ok, e com a presença do Vitor Sergio e do Rafael Oliveira a coisa melhora um pouco, mas mesmo assim a ruindade e o excesso de palhaçada é regra maior ali.
Também não acho a ESPN 100% perfeita; por exemplo, transmitem hoje a segunda divisão de futebol da Inglaterra (bom só para quem é fanático por futebol, o que até é meu caso, mas para quem não gosta, não acho que seja o ideal), quando poderiam passar eventos de outros esportes, mas acho que em termos de qualidade de comentaristas e idéias, é o canal que aproxima mais da qualidade que imagino, apesar de ter erros também.
Comment by Alexandre — October 13, 2011 @ 11:49 pm
2a divisão do futebol ingles.essa ESPN Brasil?é dose!podia passar outros esportes ou até mesmo nosso Brasileiro.mas,como pertence ao grupo DISNEY,é um sonho distante!
Comment by leonardo-pe — October 14, 2011 @ 1:57 pm