October 15, 2011

O Pan É Meu Pastor

Arquivo em: Coluna — Marco Telinha @ 11:56 pm
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E a Record encerrou a 4ª edição da Fazenda bem longe dos objetivos esperados. Foi muito mal na qualidade do produto. Foi apenas razoável na audiência. E foi muito bem no faturamento. E é ele, o faturamento, quem garante a próxima edição do reality. Parece que os realities, ultimamente, despertam mais interesse nos patrocinadores do que no público. E isso serve como a principal justificativa para a sua existência.
Já falei por diversas vezes que não gosto de realities de confinamento ou de provas de resistência. Na verdade eu só assisti (pra valer) a Casa dos Artistas. Primeiro porque era uma novidade. Até para os participantes, que nem sabiam como agir ou o que falar. Depois tinha o Sílvio Santos, fazendo das suas. E o Sílvio, em muitos momentos, era melhor que todos os participantes do programa juntos. Mas isso já tem tempo. Hoje os realities estão em escala industrial e com roteiro pronto. Até as polêmicas e brigas são meio que ensaiadas. E os participante apenas tentam fingir que não estão fingindo. Nada mais.
E nada mais justifica as dezenas de edições do BBB, Fazenda ou o intragável Hipertensão. Quer dizer, nada além do dinheiro. A grana e a passividade de boa parte da audiência. Especialmente dos que gostam de economizar a pilha do controle remoto.
Não vou insistir muito em convencer que o formato já esta saturado e superado. Se quiserem comparar com os países mais avançados e que exploraram o formato antes de nós… Prefiro analisar pelo lado da eterna desculpa, o faturamento. Acho que isso é igual um cardápio de restaurante. O sujeito entra lá com grana no bolso e um vazio no estômago. E usa o cardápio pra escolher o prato que deseja. Vale o mesmo pra grana dos anunciantes. Exista a verba e eles vão gastar. Definir onde, vai depender do cardápio das emissoras. Tudo bem que é mais fácil fazer uma gincana com pilhas da marca X num reality que num telejornal. Mas, assim ou assado, a fábrica de pilhas (ou de chinelos) irá gastar a sua verba. Duvido muito que vá cancelar os investimentos em publicidade se faltarem os realities. Portanto…
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edir e o pan na recordAo mesmo tempo em que a Fazenda fechou sua porteira (sem deixar saudade), a Record voltou suas atenções pra o Pan. Finalmente o super-mega-hiper evento esportivo. Isso no papel, na realidade a situação é muito menos grandiosa. Ninguém precisa ser um gênio pra saber que o Pan é um evento de 2ª linha. Ou nem isso. Também não preciso repetir o que (quase) todo mundo sabe: os principais países só levarão suas equipes C para a disputa. Com isso o nível da competição acaba sendo rebaixado. A tal ponto que alguns dos nossos atletas conseguem beliscar uma medalha e ter seus 15 minutos de glória. E, talvez, garantir algum contrato de patrocínio até a Olimpíada. Nada além disso. Quer a Record goste, quer não.
Para quem gosta do ufanismo vazio o Pan é um prato cheio. Teremos algumas vitórias sobre universitários americanos e canadenses e tentaremos ficar a frente do Cuba e México no quadro de medalhas. E certamente ouviremos muitas promessas de mais empenho e sorte em Londres 12. Mas, como o brasileiro tem aquela característica de gostar de esportes onde pode ganhar… Talvez o Pan renda alguns picos de audiência pra Record. A emissora está mesmo precisando.
Além da parte esportiva, não gosto muito do Pan como evento televisivo. E o mesmo vale pras Olimpíadas. Começa que é um evento caro e que demanda uma grande e custosa cobertura. Depois ele fica com todas as competições espremidas em 2 semanas, de manhã, tarde e noite. Detonam a grade de qualquer emissora. Tanto é que a Record vai despejar as disputas menos importantes na Record News. E o que existe de “disputas menos importantes”… Nossa, é muita bobagem. A tal ponto que eu fico com a impressão que os jogos são mais vendidos pela “grife” que pelas competições. Ou, numa analogia pobre, é o sujeito que compra um bolo enorme só por gostar da cereja.
Outro fato que acho discutível é o retorno financeiro. Calma, sei muito bem que as emissoras vendem suas cotas por valores altos. Nesse ponto o evento é até lucrativo. O problema é o pacote publicitário de um Pan ou Olimpíada. Não sei se mudou muito o esquema, mas até um certo tempo as emissoras vendiam o pacote na base de X milhões de Reais para Y milhares de pontos de audiência. Acontece que o evento é curto e nenhuma emissora consegue entregar os Y pontos em 2 semanas. Nem a Globo em seu auge. Daí a saída é criar produtos anexos (minuto olímpico, boletim dos jogos, histórias da olimpíada…) ao longo de 2 ou 3 anos. Mas nem assim dá pra fechar o pacote. E as emissoras inserem mais anúncios ao longo de seus telejornais, esportivos e demais programas. Podem reparar no Jornal da Record e aquelas reportagens diárias sobre os jogos. Logo no próximo intervalo entra o patrocínio. E a emissora vai entregando os minutos que vendeu. E vai fazendo assim ao longo de 2 ou mais anos. Fato que não ocorre, por exemplo, num torneio de várias semanas, como o Brasileirão ou a F1. Nesses eventos mais extensos as emissoras conseguem entregar a audiência vendida com mais facilidade. E mesmo assim o pacote inclui programas especiais, inserções nos esportivos, nos telejornais e até o cafezinho pro cliente.
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Na última coluna eu falei sobre o Esporte Interativo e seu erro ao confundir os meios com os fins. Talvez tenha passado a idéia de não concordar com a ampliação das mídias e dos formatos de transmissão. Não é bem isso. Minha reclamação foi quanto a valorização excessiva do meio, em detrimento do fim. Por “fim” entenda-se o produto televisivo.
Até nos comentários o Renan lembrou da importância das transmissões pela internet. Sim, sim, sim… Sei muito bem disso. E já apelei para a internet, muitas vezes, para assistir alguns canais menores. Sem falar que até tenho uma seção de canais online no Tevezona. Mas, por culpa das emissoras, acabei largando mão. Cansei de ver canais off e trocas da url do streaming. E cansei de consertar links e alterar páginas.
Parece que as emissoras só lembram da internet quando não conseguem instalar mais que 2 ou 3 torres de transmissão. É um quebra galho pras pequenas. E algo experimental pra grandes redes. Ou nem isso. Um cenário bem diferente dos (sempre citados) Estados Unidos. Lá, e em outros países ricos, a transmissão WEB é uma realidade. A tal ponto que as emissoras calculam seus espectadores pela WEB e incluem isso na audiência geral. E cobram por essa audiência. Exato, cobram e faturam com as transmissões.
No Brasil o streaming ainda está engatinhando. É visto como algo marginal. E quase nenhuma emissora investe no filão. Tanto que na recente negociação da Champions League, o Esporte Interativo venceu a concorrência pra transmissão WEB. E espero que transmitam mesmo. Seja no site da emissora, no Facebook, Orkut ou qualquer lugar. Isso é só o meio. O relevante é o conteúdo.

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6 Comentários »

  1. sobre os”shows da vida Real?”vou de certa forma discordar.culpa tambem do PÚBLICO(telespectador)!q de uma forma ou de outra,mantem isso no ar!sobre o Pan,é isso aí q voce falou!

    Comment by leonardo-pe — October 16, 2011 @ 1:20 am

  2. Cara, vc está certo sobre o EI. Relmente falta conteúdo. Só fiz aquele comentário porque acho interessante a iniciativa deles em transmissões via internet/celular. Mas eles ainda tem muitas coisas mais importantes pra trabalhar do que ficar se vangloriando de apps e facebook.

    Sobre o Pan eu fiz comentários lá no blog. Mas não gostei do que vi, e vi com olhos imparciais.
    Não gostei da cobertura da Record, que está exatamente como previ, porca.
    Não gostei nada da estrutura do PAN. Coisa física também. Parece um torneio amador. Falta informação (pra jornalistas e torcedores) e eu fiquei com a impressão que faltava iluminação no complexo de natação.

    Comment by renan — October 16, 2011 @ 9:51 pm

  3. Bom texto sobre a “cobertura” da Band sobre a FIndy: http://colunistas.ig.com.br/victormartins/2011/10/15/o-grupo-bandeirante/

    Sobre os assuntos da coluna concordo plenamente com tudo que foi dito, principalmente em relação ao Pan.

    Comment by Alexandre — October 17, 2011 @ 1:45 pm

  4. Eu acho que o Pan vai micar na Record. Eu sou um dos que não assistirá nada.
    É inacreditável saber que a Record prepara a 5ª edição da Fazenda. Será que não cansaram da baixaria?

    Comment by Andrade — October 17, 2011 @ 9:08 pm

  5. Pra quem ficou (ou está) de saco cheio com o Pan na Record, um vídeo satirizando o Edir e a cúpula da emissora:

    Ri um bocado com isso.

    Comment by Marco Telinha — October 17, 2011 @ 11:31 pm

  6. O Pan, apesar de toda pompa, é uma competição que no fundo não vale nada, melhores atletas dos EUA nem vão, só serve pros países latinos ficarem competindo, brincado de primeiro mundo. Até os juízes são caseiros, e sempre são um jeitinho de ajudar os atletas da casa.

    Comment by Lopes — October 18, 2011 @ 2:23 pm

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