Esporte S.A.
Eu me divirto muito com uma turma (numerosa) que gosta da falar mal da Globo e só saber repetir aquela ladainha sobre a criação da emissora, o governo militar, campanha pelas diretas, etc… Um discurso com cheiro de nafatalina. Já pararam pra pensar um pouco no que acontece HOJE? Viram o anúncio das cidades que abrigarão a Copa da Confederações e a Copa de 14? Francamente, senti até nojo. Está totalmente evidente que querem criar uma cortina de fumaça e encobrir tudo que está errado. Ficam falando em datas, tanto de obra concluída, X jogos em tal cidade, Y em outra… Nada sobre as imposições da FIFA (que está mais preocupada com a venda de ingressos e cerveja nos estádios), nada sobre a CBF e seu ditador, nada sobre irregularidades nos projetos e nas obras… Parece que estamos na Noruega e tudo funciona perfeitamente.
Larguei o sr. Galvão e o telão touchscreen e fui olhar o Sportv. E o script era bem parecido, fugindo dos assuntos sérios e tratando de detalhes técnicos, datas, chaves, clima, probabilidades, etc… Nem pra abordar a interferência política ao se definir o número de jogos em certas capitais, em detrimento de outras com mais tradição no futebol. Talvez esse “script” explique os convidados pro debate que o Sportv realizou após o anúncio. Curiosamente eram todos de ONGs, entidades e portais. E nenhum jornalista experiente no meio esportivo. Ninguém para contrapor as tecnicidades e o otimismo vazio.
Esse discurso da Globo é muito parecido com a verborragia da Record em relação ao Pan. Tá tudo certo, não existem falhas, tudo é lindo, vamos ganhar muitas medalhas e blá blá blá. Infelizmente a realidade é um bocado diferente. O fato é que cada uma defende o seu produto e os interesses paralelos. Nada além disso.
Por mais que muitos pensem diferente eu já perdi a visão romântica desses eventos e a sua importância relativa. E esse é um dos muitos motivos que me fazem tratar essas competições como um negócio. E não vejo sentido algum em valorizar o negócio do concorrente. Podemos começar pela rivalidade entre a FIFA e o COI. Cada entidade busca valorizar o seu produto. E se preocupam mais com a venda de ingressos, direitos de televisão, patrocínios, licenciamentos e negócios correlatos. A competição é só um meio. As emissoras também estão mais preocupadas com a audiência e o faturamento que isso gera. As empresas patrocinadoras, nem preciso falar. E mesmo os atletas, ah, esses já perderam todo o espírito amadorístico da competição. Se preocupam em expor seus uniformes, as chuteiras, os bonés, garantir mais contratos de publicidade… Os incontáveis casos de doping estão aí para quem tiver dúvidas.
Gostemos ou não, esse é o esporte do século 21. Um grande e lucrativo negócio. Começou de forma amadora, virou arma de propaganda de países e ideologias e, agora, tornou-se uma super máquina de dinheiro. Ponto!
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Outro dia eu falei sobre a nova sucursal da ESPN Brasil, no Rio. E fiquei de abordar melhor o assunto dos canais esportivos pagos. Começo pelo Sportv, inegavelmente o melhor, em eventos e em estrutura. E aí dá até pra colocar o Premiere e o Combate no bolo. Mesmo com um probleminha aqui ou acolá estão muito adiante da concorrência. E diante das bobagens apresentadas pelo Globo Esporte e Esporte Espetacular, posso afirmar que o canal bate a Globo em vários aspectos.
A ESPN (Brasil, pra ser específico), tem altos e baixos. E nem vou reclamar tanto dos eventos. Sei que isso depende de verba e existem limitações. Até em decorrência das decisões da ESPN internacional. O fato de canal brasileiro ser um apêndice da matriz trás benefícios e prejuízos. O benefício mais palpável são as negociações globais. Mas elas também geram alguns inconvenientes. Falo especialmente dos esportes que, por mais que forcem a barra, não têm o menor interesse por estas terras. E pouco me importa se logo aparecer alguém falando que adora o rugby, o futebol americano ou o curling. Beleza, tem gosto pra tudo. Mas, como produto, não gera a menor repercusão na massa. Da mesma forma que é difícil engolir os intermináveis torneios de pôquer. Na ESPN e no EI. Tudo bem que isso é financiado pela indústria do jogo, mas… É esporte??
O melhor da ESPN é sua programção local. O Bate-Bola, o Sportscenter, o Loucos Por futebol e demais programas. Muito em decorrência da equipe. Ainda que eu não goste de alguns, a média é muito melhor que Globo, Band, Rede TV, Record, EI e demais. É gente que entende do assunto. Mesmo que alguns abusem da empáfia, não dá pra negar a sua capacidade.
O que falta na ESPN é estrutura. A nova sucursal é o mínimo do mínimo. E, como o Alexandre comentou na última coluna, eu gostaria de ver uma redação em Porto Alegre, em Belo Horizonte, no Recife… Resta saber se isso também depende do “sim” da matriz. Mas, de um jeito ou outro, já é tempo. Até porque a ESPN é um canal bem distribuído. E conta com patrocinadores de grande porte. Não vejo motivos para um “não”.
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Ainda tenho espaço pra falar um pouco do Band Sports. É, fácil, o pior dos 3 canais. Os eventos são de 3ª linha, e quase nada é gerado no Brasil. A estrutura é precária. Tanto que, me pergunto, se a Band, ao invés de criar um novo canal pago, não deveria investir primeiro numa estrutura melhor pros canais atuais. Ou seja, uma nova instalação, separando os canais pagos da emissora mãe.
A equipe e o foco do Band Sports têm muito do “jeito Band de ser”. Na equipe, na estrutura, na grande concentração em São Paulo. E, sejamos justos, pra ela é muito mais fácil ampliar sua abrangência do que pra ESPN. Dá quase pra fazer o mesmo esquema do Sportv, cuja central é no Rio mas usa a redação de São Paulo,de BH, a RBS, a Globo NE, e até algumas afiliadas. A Band tem emissoras e afiliadas em todas estas cidades. Mas o Band Sports não usa nada. Ficam lá num estúdio de 3×3, as mesmas figuras, sem material próprio, sem equipes regionais… Gostaria muito de saber o motivo de tanto relaxamento.
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Um dos motivos de exigir um pouco mais dos canais pagos é o atual cenário desse meio. Bem diferente de uns 10 ou 15 anos atrás, quando os canais viviam na dependência da Net ou Sky. Hoje o leque se abriu muito e os canais podem distribuir sua programação na Telefonica, na Via, na Oi, nas regionais à cabo e, mais recentemente, na GVT. Sem esquecer da Nossa TV, do R. R. Soares, é claro.
Também posso lembrar que a base de assinantes já representa uma fatia boa da população. Falta crescer muito ainda, mas já é alvo de boas verbas de publicidade. Especialmente nos canais mais populares. Não é por outro motivo que vários canais estão se desmembrando e criando “filhotes”. Isso só ocorre porque a grana está entrando. Então é preciso exigir mais qualidade, não só quantidade.
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E encerro essa coluna com um fato auspicioso para quem não aguentava a gritaria, as bobagens e os rojões do Ronaldo Giovaneli. Ele foi demitido da Rede TV na semana passada. Para alívio dos meus ouvidos.
O motivo da demissão foi um patrocínio oficioso que ele arrumou. O fato provocou a demissão dele e do diretor de esportes da emissora, Sidnei Bortotto. E, lembrando alguns fatos recentes, fiquei com a impressão de que o Ronaldo provocou a sua demissão. Forte impressão.
Independente disso, surgem rumores de que a emissora pode extinguir o Rede TV Esporte. O que não é uma decisão lá muito correta. Acho que uma mudança de horário (e mais conteúdo) ajudaria mais.


Um dos motivos de apreciar mais a ESPN é o fato de, mesmo tendo os direitos de um torneio, eles não se furtam a criticar o que está passando, pelo menos em termos de futebol, isso incluindo a Copa, que me parece eles já têm os direitos; em relação à qualidade da equipe concordo plenamente; em comparação ao Sportv, os comentaristas da ESPN são bem melhores; no Sportv praticamente só dá para salvar o Lédio Carmona, o restante é bem fraquinho, incluindo o patético André Rizek e o Renato Mauricio Prado (vulgo Chico Lang flamenguista).
Claro que na ESPN muita coisa não é boa; o Juca Kfouri, quando dá seus arroubos corinthianos (inclusive o Linha de Passe não está tão bom como já foi, ainda sendo melhor que o Bem Amigos), transmissão de esportes norte-americanos como beisebol, um exagero de VTs de futebol em detrimento de outras modalidades; inclusive sobre isso, penso que a ESPN poderia ter tentado antes ter adquirido as competições Sul-Americanas de futebol ao invés de tentar dar murro em ponta de faca pelo brasileiro (isso lá pelos idos de 97). Aí realmente a matriz não colaborou. Sobre o Bandsports concordo plenamente, inclusive já estão reprisando aquele programa asqueroso de discussão que passa só para SP (SP Acontece).
Sobre o ex-goleiro, o risco dele parar na Band não pode ser descartado, então não podemos comemorar muito; sinceramente para passar aquele Rede TVEsporte, realmente é melhor começar tudo do zero (ou quase, podem deixar a Paloma,rs…recomecem em termos de conteúdo e participantes).
Sobre o mercantilismo do esporte, assino embaixo.
Comment by Alexandre — October 24, 2011 @ 10:49 pm
É bom lembrar tb que, em termos de conteúdo, o Sportv dá suas pisadas na bola, como dar tanto espaço para aquela pelada chamada Showbol; o que salva realmente é a condição de ter a maioria dos eventos dos outros esportes (sem contar claro o futebol, apesar de que a transmissão do Premiere não é tão boa assim em termos técnicos e de comentaristas escalados). Fazem o básico, até por não terem concorrência; do Combate eu não falo, pois não conheço.
Comment by Alexandre — October 24, 2011 @ 10:52 pm
Alexandre, no caso do Premiere algumas partidas sofrem com comentários infantis e narração meia-boca. Mas, convenhamos, são 4 ou 5 partidas, mesmo dia, em cidades diferentes… Não dá pra ter uma equipe decente em todos os jogos. Mas no Sportv a média é bem melhor.
Esse showbol é tão ridículo que até esqueci. E vou continuar esquecendo
O Ronaldo Rojão já teve convite da Band. Talvez seja por aí. Ou pra Gazeta, concorrer com o Lang.
Comment by Marco Telinha — October 24, 2011 @ 11:13 pm
JUca Kfouri,Fernando Calazans e José Trajano,estão ultrapassados.o tempo deles se foi e eles ainda não perceberam!o Mauro Cezar Pereira é de longe o mais porre.mas é muito melhor q os 3 juntos!sobre essa copa-2014,sinceramente:estou torcendo para q chegue e termine!não suporto!sem falar na”Babação de ovo”q a Globo vai dar aos”meninos”Neymar(cracaço segundo Galvão)e por aí vai.aliás:esses jogadores q temos só jogam por causa da Globo.no domingo,o time sub-20,q ganhou o mundial esse ano,saiu do Pan!
Comment by leonardo-pe — October 25, 2011 @ 2:58 pm
Concordo em relação ao Calazans, realmente ele é um cara que vê futebol apenas como algo bom no passado e não se esforça em se atualizar realmente. Apesar disso de lembrar do passado ser algo louvável, tem de ser feito na medida certa, o que ele não faz. O Trajano pode não ser o melhor analista de jogo, mas é o cara responsável pela ESPN ter uma postura mais crítica e com comentaristas de mais qualidade. O Juca é meio mala mas é um sujeito inteligente, que analisa o esporte por outro viés. E o Mauro Cezar é bom, mas precisa ser menos ranheta de fato.
No Sportv temos o Milton Leite como um bom narrador e os outros são razoáveis; o Luis Carlos Jr. tem um grave defeito de às vezes “narrar pra dentro”, ou seja, baixar muito o tom de voz e isso é meio irritante. Os demais são medianos.
Comment by Alexandre — October 25, 2011 @ 6:14 pm
Tem tanto tempo que não assisto a programas esportivos na hora do almoço que nem sabia dessa boa notícia! O RedeTV esporte não fará falta nenhuma se sair do ar. A Paloma sim, fará falta.
Essa parada de “engrandecer” o produto chega a ser irritante. Acabei de chegar em casa e parei na Record, estava passando um “boletim” do pan. Só mostraram as imagens da derrota do Brasil no handebol. Sem reportagem, sem mais nada. Só imagens. Aliás, tem sido assim na Record: ganhou, é o melhor do mundo. Perdeu, foda-se!! Vá se catar pra lá! Basquete feminino, por exemplo.
(É claro que não é só a Record né, mas teria tanta coisa pra falar que acho melhor fazer um post lá…hehe)
No resto eu boiei. Não tenho muito contato com os canais fechados, então vou ficar com as impressões de vocês. Acrescento que o Milton Leite é um narrador acima da média. Até nos tempos de FIFA2001 o cara já era muito bom…
Comment by renan — October 25, 2011 @ 7:20 pm
Sobre a Copa, Pan e Olimpíada e o que as tevês fazem você está certo. A Globo defende o lado dela, a Record o dela e vai assim.
Sobre os canais fechados eu vejo muito pouco e não vou falar muito, mas só pelo fato de não terem os Neto, Denilson, Ronaldo, Dr. Osmar e tais, já está muito bom.
Comment by Andrade — October 25, 2011 @ 10:25 pm
Enquanto isso, a FIFA não considera os jogos olímpicos como um torneio oficial, tanto que “desobriga” os times de liberarem os jogadores para jogarem as olimpíadas, e, por outro lado, algumas seleções não usam os brasões de suas confederações nacionais de futebol…
É cobra comendo cobra…
Comment by Ramon — October 28, 2011 @ 11:53 am