Gladiadores na TV
Acho que os leitores já devem ter percebido. Em certos momentos eu assisto os programas que gosto, normalmente. Mas em outras ocasiões eu vejo programas pra “assuntar”. Caso contrário eu fico sem pauta pra escrever essa coluna. Mas no sábado ocorreu o efeito duplo, com o UFC na Globo. Eu já estava assistindo as lutas preliminares no Combate, mas botei na Globo pra ver o que iria acontecer. Pra “assuntar”.
E vou começar pelo final, a audiência. Eu esperava bons números, mas a média foi além. Deu 16,5 e pico de 18 e pouco. Mais que o dobro da 2ª, a Record. É um índice que não deixa dúvidas. E com tendência de crescimento. Mas não passou nem perto dos 60 milhões que o Dana White (dono do UFC) falou. Menos, muito menos.
A antecipação do Altas Horas já estava prevista na Globo. Eu eu achei uma decisão correta. Mas o programa ficou meio curto, imprensado pelo UFC e pelo festival de música. Vamos ver como fica nas próximas semanas. Outro ponto importante é aquilo que eu (e outros visitantes) abordamos nos comentários, a luta poderia ter 5 assaltos ou alguns segundos. Não deu outra, 65 segundos e fim. Erro da Globo. Ela poderia tranquilamente ter reprisado uma das lutas preliminares.
A transmissão teve o jeito Galvão de ser. Não foram falhas grandiosas, mas… “Gladiadores do século 21″ é dose pra mamute. O Galvão Bueno ainda podou o anúncio oficial dos lutadores, algo tradicional nos eventos de luta. E ainda gostaria de lembrar que o queixo e a orelha são partes distintas da cabeça. O soco do Júnior Cigano passou muito longe do queixo do adversário.
Também não gostei de ver o Vítor Belfort comentando a luta. Nem tanto por ser um lutador, mas por ainda estar na ativa. Fica meio estranho. Melhor o Belfort deixar isso pra quando se aposentar.
Vou aproveitar o assunto pra abordar algo que vi na transmissão do Combate. Gosto da narração do João Guilherme, mas ele exagerou. Imagino que o diretor da transmissão falou pra ele salientar o fato daquela luta ser a primeira em TV aberta nos EUA. Mas ele não precisava repetir a informação a cada 2 minutos. Ainda mais que isso não vai baixar a taxa de juros ou o preço do petróleo. E ele não trabalha na Fox.
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Depois da luta eu me dei conta de algo que não havia notado ainda. O nome escolhido pela Globo, UFC Combate. A gente usa tanto a sigla que até esquece o seu significado. E o “F” vem de fight. E fight significa “luta”, “combate”. É uma redundância. Não custaria muito se tivessem escolhido algo como UFC Masters, UFC Premium, UFC Max ou qualquer nome pomposo que as emissoras tanto gostam.
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Semana passada, nessa de buscar coisas pra “assuntar”, fiquei vendo um pouco da abertura do programa do Jay Leno, na Record News. Eu estava buscando elementos pra falar da dificuldade de adequar esses programas americanos ao nosso público. Os assuntos são de lá, os personagens são gringos, as piadas são locais… Por mais que a gente saiba de uma coisa ou outra, fica difícil. Nesse dia a pauta estava toda focada no Haloween, algo totalmente fora da minha realidade. Mas fiquei lá, tentando achar graça em alguma das piadinhas. Não deu. E voltei a rodar os canais pra baixo e pra cima.
Mais alguns minutos e eu estava de volta ao programa do Leno. O convidado era o Justin Bieber e parei um pouco pra saber as últimas do ídolo das meninas. E ele estava contando que havia alugado o Staples Center (inteiro) só pra jantar com a namoradinha e assistir o Titanic no telão do estádio. Daí o Leno lembrou que ele havia tocado lá recentemente. O Leno usou a palavra “played” no sentido de tocar. Mas a tradução entendeu tudo errado e escreveu “… você jogou lá recentemente”. Pois é, só se o Bieber virou jogador de basquete e eu nem estou sabendo.
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Toda essa história acima é pra encaixar num outro assunto que eu já tinha em pauta. A porcaria (pra não usar outra palavra) de legendagem que temos, principalmente nas emissoras pagas. E nem é preciso saber muito de inglês, só estudei em colégio. Mas os erros e bobagens que temos nas traduções passam do tolerável. Coisa de amador. E amador incompetente.
Por isso nem soube o que pensar quando li (na coluna do Feltrin) que a Sony resolveu dublar os seus programas e séries. A legendagem do canal já é horrível. Com falhas e erros aos montes. Mas não vejo tanta gente reclamar disso. Já a dublagem desagrada a parcela do público que prefere o som original. Sem esquecer que grande parte dos espectadores nem consegue ler as legendas. Fica difícil saber o que é menos ruim.
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Agora é hora do Prêmio Daniela Albuquerque da semana. E o vitorioso dessa edição foi o Alexandre Gimenes, do Esporte Interativo. Era o Jogando Em Casa da última quinta (salvo engano) e ele estava falando sobre o Vasco, da presença do técnico Ricardo Gomes na concentração, de como isso poderia animar o elenco… E ele soltou a pérola:
- … Isso vai dar um up. Um plus a mais!!!!
Sorte do Vasco que não foi um “plus a menos”


Na questão do Justin Bieber teve o All-Star Game em Los Angeles esse ano e acho que eles podem ter acertado meio “sem querer”, pois o moleque jogou lá sim esse ano num jogo que reune celebridades na sexta-feira, antes do jogo principal de domingo: http://en.wikipedia.org/wiki/2011_NBA_All-Star_Game. Mas certamente muitas vezes as dublagens e legendas nos canais pagos são terríveis, com atrasos e imperfeições.
Sobre esse boçal do EI, algum amigo (não me lembro quem foi) que escreve no site aqui o definiu bem em outra ocasião: aberração.
Sobre a Liga Europa que você me respondeu no outro post, penso que a ESPN bobeou também, lamentávelmente teremos menos opção de jogos e menos qualidade na transmissão.
Comment by Alexandre — November 14, 2011 @ 3:09 pm
Fala que vc não completou “É TETRA!” depois que o Galvão ficou berrando “Acabou!”
Nem tenho nada mais a falar sobre o UFC. Só quro saber que vão continuar dessa maneira. Ou mesmo se vão exibir o programa todo sábado. E acho que o Combate é por causa do canal pago da Globo, não?
E o Justin Biba jogou no All Star mesmo, foi até MVP dos artistas. Mas não sei o contexto da frase, ele pode ter “playbackado” lá recentemente.
Ninguém aí fica incomodado com a gesticulação do Alexandre Gimenes? Pq eu fico! Caramba, quantos gestos largos!
Comment by renan — November 14, 2011 @ 7:02 pm
Na verdade o Leno falou Played no sentido de tocar (play the piano, play guitar…). Tanto que o Bieber confirmou ter feito um show e disse ter feito amizade com os responsáveis pelo estádio e eles liberaram o Staples num dia em que não havia nada. Sobre o dia do All Star Game eu sei que ele estava lá. Ele e a Rihanna, não é mesmo, Renan??
Comment by Marco — November 14, 2011 @ 8:32 pm
a foto do Galvão com o vitor é a mais engraçada dessa coluna.e até esquisita(risos).agora,como tem publico q gosta dessa selvageria.e são os mesmos q assistem programas tipo”Brasil Urgente”.
Comment by leonardo-pe — November 15, 2011 @ 12:28 am
hehehe…rihanna…vc é quem sabe todos os lugares que ela esteve e eu que sou “fã” da moça ne…hehe
Comment by renan — November 15, 2011 @ 10:08 am
Não vi a entrevista do Leno com o Bieber, apenas lembrei desse detalhe pois tinha visto o AllStarGame; se o erro foi relacionado com o que ele disse (de fazer um show) então, ok. Faltou dizer que a Record 2 exibe o Leno muito pelo motivo de sempre: para copiar a Globo, que exibe o concorrente dele (David Letterman) no GNT. Até nisso a Record leva desvantagem pois o Letterman a meu ver é melhor nas entrevistas e mais sarcástico nos comentários. O Leno é muito “bonzinho” para meu gosto.
Além disso existe uma forma de se tratar os EUA aqui que me incomoda muito: chamá-los de AMERICANOS. Ora, americanos somos todos nós, desde quem nasce no Chile até na Guatemala. Norte-Americanos é menos ruim, mas tb se refere a quem é do México e do Canadá. O correto seria chamá-los de estadunidenses (qdo vejo a CNN em Espanhol é assim que eles são chamados e penso ser o mais certo). Isso para mim é mais uma prova do complexo de vira-lata que temos por essas bandas.
Comment by Alexandre — November 15, 2011 @ 1:46 pm
Essa cara do Galvão Bueno na foto tá muito comédia. Quero ver se agora ele vai achar um novo herói nacional no UFC. Provavelmente sim.
Não gosto de programas legendados. Cansa muito.
Concordo com o Alexandre sobre o Leno, ele não é tão bom quanto a Record tenta passar.
Comment by Julius — November 15, 2011 @ 2:56 pm
Como registrei no site do Renan, coloco aqui um clipe que ilustraria bem a transmissão do UFC na Globo (ainda que eu não seja fã): Sepultura – Atitude: http://www.youtube.com/watch?v=LumfYx9Xr0w
Comment by Alexandre — November 15, 2011 @ 4:34 pm
Você viu o Ver Tv sobre as coberturas policiais de risco no Brasil? Passaram muito pelo ponto em que foi discutido aqui, a espetacularização das coberturas policiais: http://www2.camara.gov.br/tv/materias/VER-TV/205343-VER-TV-ANALISA-A-COBERTURA-DE-RISCO-FEITA-POR-JORNALISTAS-E-CINEGRAFISTAS-(BL.1).html
Comment by Alexandre — November 17, 2011 @ 1:03 pm
Pois é, Alexandre. Eu não havia visto o Ver TV mas a idéia é meio essa. Uma coisa é a cobertura jornalística, dentro dos limites. Outra, bem diferente, é transformar a violência num show de televisão. Nunca vou aceitar a segunda proposta. E vou continuar reclamando, enquanto tiver esse meu espaço.
Comment by Marco Telinha — November 17, 2011 @ 2:23 pm