November 1, 2011

Medalha de Lata Pra Record

Arquivo em: Coluna — Marco Telinha @ 10:29 pm
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pan na recordO Pan acabou e já é possível avaliar a primeira transmissão, de porte, que a Record realizou sozinha. E nem vou tratar da importância do Pan ou o resultado (mediano) que o Brasil teve. Vou falar do pouco que vi e do comportamento da Record. É importante; mesmo que a Record prefira exaltar o (suposto) sucesso de sua transmissão e tente convencer (ou iludir) uns e outros. Aqui isso não funciona.
Vou começar pelo básico, a geração das imagens. Aí nem posso reclamar da Record, mas o nível foi bem inferior ao do Pan do Rio. Nesse ponto o Brasil fez melhor que o México. E nem vou falar da geração de imagens da olimpíada de Londres, lá o desnível será enorme. Mas eu esperava um pouco mais do Pan de Guadalajara. E esperava muito mais daquilo que cabia à Record. O nível dos narradores, comentaristas e repórteres deixou a desejar. Em alguns momentos passou disso e irritou mais que o tolerável.
Parte do problema se explica pelo perfil da equipe montada pela Record. Os narradores, que estão muito longe de se comparar aos melhores da TV, pareciam muito enferrujados e concentrados em seguir o script ufanista e exaltado. Os comentaristas, ex-atletas em absoluta maioria, só serviram para acompanhar o discurso “pachequista”. E comprovar que não basta ter estado no campo ou ginásio para entender e analisar. Mas nesse ponto a Record apenas repetiu o erro da Globo, Band, Rede TV e cia. bela. Os repórteres escalados deixaram evidente que não basta esforço e boa vontade. Quase nenhum tinha o conhecimento básico do esporte. Mesmo das modalidades mais populares. Praticamente só serviram pra mostrar o cotidiano da vila e a alegria dos eventuais medalhistas.
Mas o erro maior nem foi dos comentaristas e repórteres. A falha é da Record, que praticamente nem tem uma equipe esportiva e passa esse sufoco na hora de uma competição tão concentrada. Tenho certeza que teremos o mesmo problema em Londres. Não aposto nem 0,50 que a Record vá investir em gente do ramo até lá.
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Outro fato que mostra bem a pouco importância do Pan foi a audiência obtida pela Record. Tirando algum jogo de futebol ou vôlei, ou finais da natação, o resto ficou abaixo da média da emissora. E isso considerando que em muitos momentos era a média do Tudo a Ver, do Chris, do Pica-Pau… A média geral do Pan nem chegou aos 8 pontos (em SP). E isso é praticamente a média dia da Record. Ou menos que a média do domingo. Tanto é que a Record cortou o Pan no domingo retrasado. Tudo pra evitar uma derrota pro SBT.
Neste domingo (30/10) aconteceu pior. Especialmente se considerarmos que era o dia do encerramento, com várias finais. No meio da tarde (antes da partida do Brasileirão), peguei o controle e comecei a rodar pelos canais disponíveis. Quando passei pela Record vi um quadro de piadas, no programa da Ana Hickman. Logo a Ana, que agora patrulha até o teor das piadas. Continuei rodando os canais e cheguei na Record News. E passava a maratona, já na parte final, e com um brasileiro na liderança. Não pude deixar de rir ao lembrar das milhares de vezes em que a Record repetia seu slogan de “emissora do esporte olímpico”. Ou será que o slogan mudou pra “emissora do esporte que não atrapalhe a Ana Hickman e o Gugu”?? Também fiquei lembrando do povaréu que tanto reclama da Globo comprar eventos e jogar no Sportv ou em alguma emissora menor. Qual a diferença entre a Globo e a Record nessa hora?
Mas ok, parei 2 minutos pra ver a chegada da maratona. Eis que o narrador fez uma pergunta ao Róbson Caetano, que comentava a competição. Mas ninguém respondeu. E a transmissão seguiu só com o narrador. Estranho, pensei comigo mesmo, deixa ver o que tem na Record. Mudei de canal e lá estava o Róbson (e o Maurício Torres) no flash da maratona. Jogaram o Róbson Caetano de uma transmissão pra um flash na Record!! Só pra mostrar o minuto final mesmo. E logo depois seguir com a “loira comprida”. Pois é, assim é fácil ser a “emissora do esporte olímpico”. Muito!
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Vendo esse desrespeito da Record com o fã do esporte ou com o espectador que prentendia assistir o Pan, parei pra refletir um pouco. E até admito que foi uma falha minha, tão desinteressado no Pan, que nem percebi isso antes. Minha e de outros comentaristas de televisão, que fizeram ainda pior. Vi gente parabenizando a Record News por ter exibido certas modalidades (menos populares) pela primeira vez em TV aberta. Mas como assim, cara pálida???
Vejam só, a Record comprou o Pan e exerceu o monopólio que lhe era permitido. Mandou uma equipe mequetrefe pra Guadalajara. Fez uma transmissão fraca. Se valeu da Record News pra descarregar as competições menos importantes. Ignorou as disputas que aconteceram no domingo e/ou que coincidiram com seus programas principais. No último dia de competições não mostrou nada além de flashes perdidos no meio da programação. E ainda vem gente dando os parabéns???? Ô amiguinho, tá recebendo quanto?? Pois é bom que estejam recebendo bem pra “vender” a opinião. Falar bobagem de graça é coisa de amador.
Ainda lembro do seguinte, todos esses que parabenizaram a Record (e Record²) devem captar o sinal das duas emissoras. Beleza. Mas e o cidadão que não tem a Record News em sua região e não tem parabólica, como fica? Vai ficar torcendo por um flash no meio do programa do Faro, do Gugu ou da Ana Hickman? Alguém lembrou dos milhões que não podem ver a Record News? Ou será que esses não contam?
O desempenho dos atletas brasileiros não foi grande coisa. Como eu imaginava. Mas o desempenho da Record foi muito pior. Leva uma medalha de lata por esse Pan.
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Outro dia o Alexandre (nos comentários) me alertou sobre a saída do Trajano da direção da ESPN. Depois acabei vendo mais informações na própria emissora e pela internet. Também lembro que já critiquei certas atitudes do Trajano. Algo normal, discordo de certos pontos de vista e de várias opiniões do Trajano. Mas nem por isso vou desconsiderar todo o trabalho dele, tanto na ESPN, quanto em outros meios. Especialmente pelo tom democrático implantado na emissora. E também pelo nível da equipe, acima da maioria das equipes esportivas que conhecemos.
O lado positivo é que escolheram o João Palomino pro lugar do José Trajano. Me parece ter sido uma boa escolha. Até onde sei. Mas digo isso com um pé atrás. Não acompanho a carreira do Palomino de longa data; é coisa recente. Nesses casos prefiro fazer uma análise parcial. Diferente de outros casos, quando acompanho o trabalho das pessoas há muito tempo. Tipo o Juca Kfouri, que lembro desde a Placar, passando pela Globo, pelo Cartão Verde…
Resta ver até onde o pessoal da “Disney Sports” vai dar autonomia e suporte ao Palomino. Espero que sim.

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