December 4, 2011

Fora da Bancada

Arquivo em: Coluna — Marco Telinha @ 11:21 am
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fatima bernardesOs leitores do site não têm a menor obrigação de saber tudo que eu já escrevi aqui. Ainda mais que já foram milhares de tecladas. Mas eu tenho que guardar um “banco de dados” com as principais coisas que já abordei. Até por isso ainda não resolvi quando vou fazer uma limpeza e deletar as colunas mais antigas. Elas podem, eventualmente, ter utilidade. É o caso do assunto de hoje. Quero falar da saída da Fátima Bernardes da bancada do JN para embarcar no projeto de um novo programa. A idéia é colocar a Fátima na apresentação de um programa matinal da Globo.
E eu estou muito confortável pra falar sobre isso. O motivo é simples, vejam essa coluna AQUI (a parte inicial). Agora reparem na data. Sim, Agosto de 2007. O site ainda começava e eu já cobrava algumas mudanças na Globo. Reclamava da acomodação e da falta de ousadia em tentar coisas novas. E fiz isso em vários momentos. E o caso da Fátima Bernardes foi só um exemplo. Se eu gostasse de bancar a pitonisa teria um prato cheio. Não faz meu estilo. E quando cito algumas previsões acertadas é mais pra fazer graça. Pra zombar do fato de que até eu, um “zé ninguém”, consegue enxergar o óbvio. Nem é lá um grande mérito.
O lado preocupante dessa mexida na poderosa é que ela me parece mais obra do acaso (vontade da Fátima) do que um processo natural de qualquer empresa. Posso estar enganado, mas não vejo sinais evidentes de que a Globo esteja saindo de estado de letargia dos últimos tempos. A única sinalização clara é a busca de um estilo mais popular. E isso mais por necessidades mercadológicas do que por vontade própria.
Há alguns dias eu falei sobre os programas que embarcam no marasmo e ficam se repetindo infinitamente. Isso é a morte, na televisão. O mesmo vale pros profissionais. Nada contra quem opta por passar 30 anos na mesma função, na mesma mesinha, fazendo as mesmas coisas. Mas pra mim isso é uma prisão. Um castigo.
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Li algumas coisas na internet sobre essa nova fase do JN e da Fátima Bernardes. Mas não aguentei ir muito longe. Desculpa, mas o povo fala muita m*! Dá um tempo! Desde quando é preciso ter um casal na bancada de um telejornal? Pouco me importa se é um homem, um casal, duas mulheres, um gay… E o que interessa a vida pessoal do William e da Fátima? Qual o interesse se eles continuam ou não casados? Ora, deixa isso pro Nelson Rubens. Ou pra quem comprou a fantasia do casal perfeito e feliz. O meu negócio é outro. E passa muito longe de fofocas.
Também não tenho muita paciência pra esse papo maniqueista que rola quando falam do casal. Metade do povo enxerga um casal fofinho, encantado, harmônico, utópico e blá, blá, blá. A outra metade vê duas serpentes, porta-vozes do mal e causadores de todas as desgraças da humanidade. Tá bem. Pra mim a Fátima é uma profissional acima da média. Desde a época de repórter de rua, sempre cumpriu bem a sua função. E não chegou onde chegou por favor ou por motivos obscuros. E sabemos que isso existe. Bastante.
O fato é que um ciclo chegou ao fim. E é preciso ter sagacidade pra perceber a transição. Ela entendeu isso, diferente de alguns outros, que parecem um samba de uma nota só.
Se o novo programa da Fátima vai dar certo, não é possível dizer ainda. Mas já valeu pela tentativa.
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Agora vem a parte ruim da história. Os fãs da Poetisa que me desculpem, mas… Não gostei!! NADA!! Até dá pra tolerar a Patrícia, o Zeca e cia bela no Fantástico. São ótimos, especialmente pra quem NÃO vê o programa :P
A maior parte das pessoas ligou a escolha da Patrícia Poeta ao marido dela. Eu não sei; se for o caso, só confirma tudo aquilo que já falei antes. É um atestado de pouca capacidade. De qualquer modo, eu preferia alguns outros nomes. Sem me aprofundar muito, posso citar a Renata Vasconcellos, a Maria Beltrão, a Ana Paula Araújo… Isso se a cadeira for feminina. Sem esquecer que a Renata e a Ana Paula já assumiram o posto em algumas oportunidades, cobrindo folga dos titulares. E não foram mal.
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Ontem (ou anteontem) vi a entrevista do Trajano no programa do Juca Kfouri. Foi um pouco piegas, quase uma homenagem entre amigos. Mas eu estava mais interessado em algum fato novo sobre a troca no comando da ESPN, sobre o futuro da emissora e coisas do tipo. O primeiro fato relevante foi a menção ao Sportv e a avaliação da concorrência entre os dois canais. Foi mais correta que outras declarações do mesmo Trajano, em outros tempos. Também achei interessante a sua análise sobre a dificuldade de iniciar e comandar um projeto como a ESPN. Ele falou que pra coisa funcionar o chefe precisar aplicar uma dedicação total. E mais um pouco. Não tem família, passeio, folga, feriado, hora, sono… Absoluta verdade.
E isso me fez lembrar o caso de certas emissoras. Os donos passam 1/3 do tempo no exterior, 1/3 no avião, 1/3 aqui. E o resultado final é aquilo que a gente já sabe. E que eu já falei demais. Dá pra adivinhar facilmente.
Não tenho nada com a vida pessoal de ninguém. Podem viajar, passear, namorar, casar… O que não dá é pra tocar uma emissora assim. Não vai funcionar. Se a prioridade for essa, que contratem uma pessoa do ramo, deleguem poderes, estipulem metas e cobrem resultados. E fiquem só como acionistas.

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December 1, 2011

Marcas do Erro

Arquivo em: Coluna — Marco Telinha @ 10:43 pm
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Não sei se algum dos leitores chegou a assistir Marcas da Vida, a novidade das tardes da Record. Num dia lá eu peguei o finalzinho do programa, e não entendi nem o que era. Daí fiz um esforço pra ver em outro dia, até pra tentar “captar a mensagem”. Mas não deu, continuei boiando. Só posso dizer que me fez lembrar de um quadro do extinto programa da Márcia, onde dramatizavam “estórias reais”. E aquilo já era podre no programa da Márcia, com vida independente então…
Mas o pior foi descobrir que essa “novela da vida real” é um formato de uma produtora de “conteúdos sem conteúdo”, a Fremantle. Pior não, isso é ótimo. Serve pra confirmar tudo aquilo que penso dessas produtoras. Elas criam qualquer porcaria, jogam a isca, e esperam algum trouxa morder. O trouxa da ocasião foi algum dos gênios/bispos da Record. Azar!!
Eu só fico pensando aonde a Record pretende chegar com programas como esse Marcas da Vida ou o Escola do Amor. Ameaçar a Globo? Ah, isso não incomoda nem o SBT. Aliás, o Sílvio deve estar soltando gargalhadas a cada invencionice da Record. Qualquer coisa que o SBT coloque no mesmo horário é garantia de ficar em 2º lugar. E isso vem se tornando cada dia mais frequente. Até mesmo na média dia, em algumas praças, o SBT anda superando a Record.
No caso da Escola do Amor, apesar de tudo, ainda existe a justificativa de ser mais uma injeção financeira que a IURD aplica na Record. Não resolve tudo, mas ameniza. Já Marcas da Vida sofre do efeito contrário, é a Record que divide a receita com a Fremantle. Isso caso consigam algum retorno, a audiência está na faixa dos 3 pontos. E olha que, pelo nível do programa, 3 pontos é muito. É quase um milagre.
E aproveitando a deixa… Eu fico espantado com a falta de criatividade das emissoras na hora de escolher títulos pros programas e novelas. Os caras não conseguem imaginar nada que não tenha “amor” ou “vida” no meio. Clichê é pouco!!
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Li, no Canal 1, que a Band acabou de comprar os primeiros episódios do seriado The Walking Dead. É mais um dos seriados da Fox que eu não curto nada. Mas isso não vem ao caso. Fulano gosta, beltrano não gosta, é assim mesmo. Interessante pra mim é avaliar o comportamento da emissora. Quero lembrar que ela também comprou o 24 Horas, esse ainda dependendo da grade do ano que vem. Também temos o NCIS, que não recebe público algum do RR Soares e não consegue muito sucesso num horário tão disputado. Ainda lembro do Tio da Pesada, do Família Moderna, Las Vegas, e mais alguns menos votados.
Nem vou entrar no mérito da qualidade deste ou daquele seriado. O fato é que a Band tem alguns produtos na mão. Mas não está sabendo usar de maneira eficiente. Alguns estão no aguardo, outros são usados, outros mudam de dia e horário constantemente, outros foram pra gaveta, outros eu nem sei… Até parece que a emissora tem dezenas de programas de qualidade pra ficar desperdiçando assim.
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Ainda no segmento… Lembro do meu comentário após a estréia de Big Bang Theory no SBT. O horário era inadequado. Também não houve a divulgação necessária. E, não querendo ofender ninguém, o público diurno do SBT não é do tipo que vá gostar (entender) um seriado sobre nerds, ciência e tal. O seriado é adequado pra um público específico. Diferente de um Arnold, Chaves, ou Um Maluco no Pedaço.
A consequência desse erro de avaliação foi uma audiência baixa. E a retirada do seriado do ar. Em seu lugar o SBT colocou um programa de vídeos da internet, com a Helen Ganzarolli e um cara fantasiado. Voltou ao popular. Masé bom lembrar que o Big Bang Theory ainda pode ser útil. É só definir o horário certo.
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Outro dia falei sobre os acordos e desacordos entre distribuidoras de TV paga e as redes de televisão. Daí o Alexandre lembrou de alguns canais abertos que faltam na Via Embratel. Pois eu lembro bem da época do lançamento da Via. E até reclamei de sua estratégia inicial, sem qualquer rede aberta nos pacotes. Ela só contava com umas 40 emissoras fechadas. E a justificativa da Via era de que o assinante poderia continuar vendo esses canais na parabólica analógica (sinal aberto).
É claro que foi uma mancada. E a Via tratou de se acertar com as grandes redes; só faltando a Rede TV. Mas eu acho que ainda falta. E isso vale pra Via e pra todas as demais operadoras. Creio que há uma supervalorização de alguns canais fechados, especialmente os estrangeiros. Talvez por questões de marketing. Mas o fato real é que grande parte dos espectadores acaba assistindo mesmo as grandes redes, seus “filhotes” com sinal fechado, e os canais estrangeiros dublados. Basta ver o ranking de audiência dos canais fechados.
Não quero dizer que sei mais que os diretores das operadoras. Nem sofro de xenofobia. Mas eu gostaria muito de ver um “pacotão básico”, com todas as grandes redes, as nanicas e até algumas emissoras alternativas. E aí os canais fechados entrariam como um recheio, um “plus a mais”. Sem falar que a entrada dessas pequenas emissoras nem representaria uma grande despesa pras operadoras. A maioria desses canais já sofre pra pagar o aluguel do transponder nos satélites. Qualquer “10 Reais” já dá pra conversar.
Só pra citar alguns nomes de canais que poderiam entrar nesse “pacotão”: Mix, Gazeta, CNT, MTV, Rede Brasil, Agromix, Conexão MS, Ulbra TV, NGT, Rede Minas, Cinebrasil, Paraná Educativa… Podem não ser o último pastel da feira, mas eu prefiro isso que a NHK ou a España.

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