Encontro Raso
Dias atrás eu falei sobre o Deu Olé e disse que estava mais pra um programa de “coisinhas” que esportivo. E isso não é um caso isolado na TV brasileira. Temos dezenas de exemplos. É a superficialidade se alastrando e dominando tudo. E acho que isso também ocorre com o Encontro Com Fátima Bernardes.
Já faz um tempão que defendi a idéia de usar a Fátima em algum projeto fora do jornalismo. Passou um tempo e a Globo fez essa escolha. Muito bem. Tivemos mais de 6 meses entre a concepção e o nascimento. Discussões, roteiros, equipe, platéia, temas, cenário… Tiveram tempo suficiente pra cuidar de todos os aspectos. Tempo, estrutura, pessoal e tudo mais.
Vi boa parte da estréia do Encontro e mais um bom pedaço hoje. E vou ter que repetir o sufixo “inha” que usei ao comentar o Deu Olé. Foram reportagenzinhas, entrevistazinhas, notinhas, humorzinho… Bem superficial. E abaixo da expectativa criada. Não dá pra dizer que é tudo ruim e deve-se começar do zero. Só achei que prometeram muito e entregaram pouco. Nem falo tanto por mim, eu já estava com esse pressentimento. Começando pelo horário do programa, pelo estilo, pela tentativa de ser abrangente, pela equipe. Parecia que iriam criar mais uma revista de variedades. Mas sem a famigerada receita de bolo.
Aí alguém chega e diz: “Mas o que você queria, é um programa matinal, pra um público variado, tinha que ser light mesmo”. Ok, de manhã não dá. Pode ser de tarde? Ah, de tarde o povo está acostumado com novelas reprisadas, seriados surrados, programas de fofocas e barracos. E de noite? De noite o espectador chega do trabalho querendo relaxar, vai ver novelas, um jornalismo básico, futebol… E assim vai indo nossa televisão, fugindo de pautas sérias e apostando no entretenimento leve.
E o programa da Fátima é isso, leve e raso. Dá até pra assistir, mas vocês não podem exigir mais. Eles não vão entregar.
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Pior que o prometer e não entregar da Globo, foi a Record e suas alardeadas armas pra enfrentar o Encontro. Foi patético e totalmente ineficaz. Chamar o Britto Jr e a Ana Hickman (e mais um sorteio de dinheiro) só comprovou que a emissora está acéfala. Ou que a direção entende de muitas coisas, mas não de televisão. Sem falar que a Record assinou um atestado de que não confia nos apresentadores do Hoje Em Dia e na qualidade do programa. Foi um tiro no pé.
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Voltando ao caso da Globo. Dia desses eu brinquei com a Fox Sports, dizendo que o canal é autista. Pois a Globo é muito mais autista. A “tchurminha” de lá acha que está no Olimpo. São melhores, mais belos, mais inteligentes, competentes… Semi-deuses! E, assim sendo, não erram. E se algo dá errado é por culpa do espectador, que não entendeu a mensagem.
Foi exatamente essa a sensação que tive ao assistir um Reviva especial, sobre o humor na televisão. Sim, o programa tratava do humor na televisão, não só na Globo. Pelo menos no papel. Essa programa, pra quem não viu, foi apresentado pelo Zeca Camargo e tinha uma autora, dois atores e um diretor da Globo como convidados. Esses e mais alguns entrevistados, sempre da Globo.
Parecia uma egotrip. Falaram dos antigos programas de humor, das sitcoms, do Chico Anysio, etc… Um ponto positivo foi lembrar que vários humorísticos bebem em fontes antigas; ou seja a originalidade é algo inexistente. Mesmo com uma roupagem nova. O problema foi usar N argumentos pra justificar e elogiar os programas da emissora. Fosse o desgastado Casseta e Planeta, fosse o Zorra e seus bordões cansativos. Tudo é genial e engraçado.
Aí, nos minutos finais, resolveram falar da concorrência: CQC, Pânico, Legendários e tal. Pronto, o senso crítico foi ligado. E tome falar de humor ofensivo, de piadas forçadas, de efeitos de edição pra fazer graça, de exageros… Só o Diogo Vilela ainda tentou amenizar, dizendo que o mundo atual é mais agressivo e que o humor segue essa linha. De resto pareceu que só o humor das emissoras concorrentes tinha defeitos. O que se faz na Globo é o último pastelzinho da feira. Então tá!!
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Concordo que essa avaliação do pessoal da Globo tem uma boa motivação. Vários programas perderam a mão. Outros nunca tiveram. Não vou me alongar, já falei disso várias vezes. Mas vou propor uma experiência: assistam o último programa do Pânico e comparem com algum do 1º ou 2º ano. Vai ficar bem claro que o humor virou um pequeno bloco dentro de um programa de causos e polêmicas inventadas. Não dá, isso não é humorismo.
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Dia desses eu tirei a coluna só pra analisar o SNL. Nem deu pra listar todos os problemas, mas eu abordei os principais. Parece combinado mas não foi. A direção do programa (e da emissora) já efetuou algumas mudanças e promete agir em outras. Desde o uso do “weekend update”, que o próprio Rafinha admitiu ter sido uma opção errada, até o dia de exibição. Também passando pelo enxugamento de quadros extremamente alongados.
Pode até ser que a mudança de rota não resolva tudo. Mas ajuda. Ao menos pra beliscar uns 2 ou 3 pontos de audiência.
Uma sugestão, simples mas interessante, seria criar um bloco de 7 ou 8 minutos e inserir um quadro de stand-up. Vários integrantes do SNL já fazem isso no teatro; ainda poderiam convidar outros, que não participam da atração. E iriam revezando semanalmente. Acho que funcionaria.
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Mudando da água pro suco de groselha… Outro dia eu falei sobre o uso da sigla HD em certos canais fechados. E expliquei o motivo do erro. Agora vem um exemplo disso. Parece que a ESPN Brasil vai passar pro HD. O sinal de SP já está no padrão (ainda que não seja transmitido na qualidade total). Quando entra a imagem do Rio ou de outros locais, ainda em SD, aparece a barra lateral. Menos mal que eles botaram o logo da emissora nesse espaço lateral, aquela tarja preta é muito feia.
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Hoje cedo eu passei pela Fox Sports e fui ver o guia de programação. Da tarde até madrugada é só Libertadores. Tem programa especial, dois VTs das semis, pré-jogo, o jogo, o pós-jogo, o VT da final… Se fosse só hoje já seria uma overdose brutal. O pior é que amanhã tem outra reprise da final, na sexta também, no sábado…
Por falar em overdose… a Record inventou de colocar o Chris no final do domingo. Sério! Chris hoje, Chris amanhã, Chris pra sempre! (lembram desse episódio?) Mas é melhor que ninguém reclame. A outra opção deve ser o Pica-Pau.

Na última coluna eu tratei (ainda que superficialmente) dos erros que estão afundando a audiência da Record. Erros que, em 99% dos casos, se iniciam na alta direção. Não só na Record, mas em todas as emissoras do mundo. Um ótimo exemplo é a atual crise da Rede TV. Ela já vinha se desenhando aos poucos. E sem o suporte financeiro que a Record tem… BUM!














