Mais Emissoras e Menos Produtos
Numa das colunas anteriores, falando da estreia do Gloob, meio que brincando, perguntei se haveriam desenhos suficientes pra tantos canais. É claro que não foi uma questão textual. A intenção maior era indagar se existem, de fato, bons produtos pra preencher tanto espaço. Essa mesma questão se aplica ao filmes, seriados, documentários, etc… Sei bem que as reprises já respondem a minha pergunta. Basta observar a programação de certos canais, abertos e fechados.
Quando a gente trata de canais jornalísticos, esportivos ou com programas factuais a equação não fecha. Não dá pra ficar reprisando um jogo diariamente. Ainda que algumas raposas usem o expediente. O fato concreto é que faltam produtos e eventos de qualidade. E isso vai de encontro ao questionamento feito pelo Alexandre, sobre o Campeonato Mexicano que a ESPN anuncia para breve. Nada contra o Campeonato Mexicano, Holandês, Russo, Turco ou Coreano. Nem contra o torneio sub-15 que o Band Sports estava exibindo outro dia. Nem contra o campeonato boliviano de peteca. Mas não dá. Não podemos aceitar isso num canal pago (pago com dinheiro do assinante). Tão pouco num canal aberto, que busca audiência e anunciantes.
Até 2011 o cenário dos canais esportivos já estava bem complicado. O Sportv tinha a facilidade dos eventos comprados pela Globo. A ESPN se segurava no jornalismo e nos eventos internacionais que a matriz oferecia (e que nem eram tantos). O Band Sports, sem investimento do dono, ficava com qualquer coisa que aparecesse. E o Esporte Interativo tentava alguns acordos pontuais, envolvendo federações e outros canais. Isso sem falar das redes abertas, mais focadas em eventos populares.
A entrada da Fox Sports acentuou a concorrência. O começo, atabalhoado, foi focado na Libertadores. Neste 2º semestre a situação já deve melhor. Tem a Sulamericana, Campeonato Inglês, Italiano, Argentino, etc… E isso já explica a busca por campeonatos menos famosos e importantes. Não é por opção, é por falta de opção.
A mais atingida foi a ESPN. O jornalismo até que vai bem, mas são 3 canais e não vejo produtos suficientes pra atender a demanda. Isso no caso da ESPN pretender brigar com as maiores rivais. O Band Sports pode perder, por tabela. E a tal promessa de “fortes investimentos” talvez tenha chegado tarde. Talvez nunca chegue. Falta até estrutura física e pessoal pro Band Sports. No caso do EI o estrago deve ser menor. Especialmente se o canal continuar focado no esporte amador.
Respondendo ao comentário do Alexandre, não acredito que o Campeonato Mexicano seja moeda de troca. Pelo contrário, é um produto irrelevante. Também não vejo a Fox Sports interessada nisso. Parece interessada, isso sim, no selo de “exclusivo” no canto da tela. Outro ponto importante é que ela tem um grande aporte para investir localmente. Além dos acordos internacionais. E não sei se as outras emissoras esportivas tem o mesmo suporte financeiro. E esse deve ser o próximo round dessa disputa, a negociação de eventos nacionais. Eles vão encarecer; muito.
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E os eventos vão encarecer por vários motivos, não só pela concorrência. Basta ver a audiência da final da Libertadores, 48 pontos de média (SP). Isso sem esquecer de mais uns 3 pontos em TV fechada. É um número considerável. Independente de ser o Corinthians ou outro clube.
Mas confesso que não aguentei a overdose de Timão+Libertadores de ontem. Passaram dos limites do tolerável. Só peguei um pouco do pré-jogo (na ESPN) e a final (zapeando). Então não vou tratar tanto da programação diária de ontem. Mas deu pra confirmar algo que foi mencionado em comentários antigos. O posicionamento das câmeras (Fox e Globo) era praticamente o mesmo. Especialmente nas câmeras do alto, que pegam o plano geral. Acontece que a Fox deixava o foco bem aberto, reduzindo os jogadores a pequenos “palitos de fósforo”. Já a Globo aplicou um zoom, ajudando a visualização. Parece pouco, mas faz diferença.
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Por falar em overdose… Vocês já pararam pra contar quantas propagandas o Neymar está fazendo? Pois é… Mas nem vou entrar neste terreno, o foco é outro. Desde que me entendo por gente escuto dizer que nenhuma empresa aceita dividir um garoto-propaganda com uma concorrente. Ou que duas empresas concorrentes não patrocinam o mesmo programa. Acho que vocês sabem disso.
O curioso é que o Neymar é patrocinado por uma fabricante de desodorantes pros pés. Agora ele aparece anunciando um desodorante pro “subaco”. O agravante é que essa segunda empresa também tem um desodorante pros pés, recém lançado. E usa o mesmo nome do desodorante axilar que ele está anunciando. Isso não tá cheirando bem…
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Nisso de fugir da overdose de Libertadores acabei parando um tempinho na Globo News. Foram só uns 30 minutos, mas o suficiente pra arrumar assunto pra pauta. Assunto que já tratei várias vezes. Vejam só:
Foi no Em Pauta, e lá pelas tantas começaram a abordar o 4 de Julho. Ao fundo deu pra ouvir o correspondente (em NY) dizer que iria comemorar o 4 de Julho. Parece que ele já tem o visto de cidadão americano. Isso e algo mais. No bloco seguinte ele começou a contar que fizeram uma pesquisa e constataram que boa parte dos jovens de lá não sabia o ano da independência e nem de quem os EUA se libertaram. E foram tratando da falta de informação sobre o resto do planeta, por parte dos americanos, e blá blá blá… Nisso a correspondente (de Brasília) resolveu contar sobre uma colega (americana) de sua filha, que não sabia nada sobre a Monalisa, museus, França e etc… E, brilhantemente, chegou a conclusão que a culpa era dos imigrantes asiáticos, africanos e latinos. Pois é, “malditos” imigrantes que foram lá baixar o nível cultural da elite mundial.
Já falei tanto sobre essa mentalidade de índio aculturado. Não vou me repetir. Vocês que tirem suas conclusões.


Sem querer defender tanto a ESPN, mas acho que, para quem gosta de futebol, o Mexicano é menos ruim do que a segunda divisão da Argentina e mesmo o Russo. É uma opção mais próxima para quem quer ver jogadores que podem até vir a jogar aqui no Brasil e a rivalidade lá é grande, os estádios são mais lotados do que aqui por exemplo; os problemas no canal são outros a meu ver:
- Já até imaginei que eles pudessem montar um canal específico para futebol (ESPNFUT por exemplo), já que falam e transmitem tanto; seria uma opção diferente e atrairia muitos fanáticos pelo esporte; o problema é que nem fazem isso e, muitas vezes, não dão a atenção devida à outros esportes. Ainda que possamos culpar um pouco a Globo, que cerca as competições mais atraentes de vôlei, basquete e outros, falta à ESPN um espaço mais definido a outras modalidades.
- O que é o Paulo Sérgio como “comentarista” do canal? Para quem não se lembra, era aquele cara que foi para a Copa de 94 e até hoje ninguém sabe o porque. Se ele, depois de ser um jogador apenas razoável, fosse um comentarista acima da média, até justificaria sua presença, mas ele é de um nível bem fraco (ou seja, na média dos ex-jogadores). Só pode estar lá pelo fato do canal passar mais jogos do Alemão na próxima temporada e ele dividir espaço com o Wenzel, mas até para isso, existem outras pessoas mais capacitadas na emissora.
Comment by Alexandre — July 5, 2012 @ 12:33 pm
Sobre a overdose da Libertadores: Pela ocasião até era razoavelmente compreensível, o problema é a overdose nos outros 11 meses do ano…Felizmente fugi de tudo. Ficou só faltando falar sobre a ESPN que realmente a matriz poderia investis mais por aqui para ajudar nessa briga, mas será que não faz pelo fato de querer manter as contas “em ordem” demais?
Neymar assina contrato com o Santos até 2014; o presidente do Santos diz que “o Brasil voltou a segurar seus craques”, mas esquece de mencionar que vendeu um monte de jovens em sua gestão e que nem foi seus comandados que revelaram o Neymar (mas isso até não vem ao caso); o fato é que, como a Copa será no Brasil e ela, antes de tudo, é uma “feira do futebol”, mais do que um evento eminentemente esportivo, é interessante deixar um garoto propaganda por aqui mesmo até a época da competição; depois ele é vendido e os lucros são divididos.
Sobre o complexo de índio estadunidense que temos por aqui é algo que salta aos olhos de fato, concordo plenamente. Tudo de lá é lindo e maravilhoso e o que não chega a ser, tem de ser discutido e analisado por vários E.P.N (especialistas de porcaria nenhuma). Sobre as câmeras da FOX já tinha alertado isso no jogo da Vila Belmiro (ainda bem que não “torci junto” ontem, nem contra).
Comment by Alexandre — July 5, 2012 @ 12:58 pm
Faltou ainda dizer (desculpe-me por alongar as mensagens): Decisão ridícula da Globo em não passar a 1ª partida final da Copa do Brasil, com o jogo acontecendo às 21:50 mesmo assim. Aí é que a overdose dá seus sinais, durante todo o ano; por isso também que muitos jornalistas não vão à estádios ultimamente: medo da reação das torcidas que vêem o claro privilégio da mídia a 1 ou 2 times.
Comment by Alexandre — July 5, 2012 @ 1:06 pm
eu não aguentei essa overdose q veio desde DOMINGO!e concordo com o comentário 3 do Alexandre!
Comment by leonardo-pe — July 5, 2012 @ 1:24 pm
campeonato mexicano é horroroso mas pelo menos é melhor que 2ª divisão do Argentino e Campeonato Russo.Engraçado é o Sportv ter comprado a Série C e nenhuma outra emissora ter pensado nele.
Comment by Fernando Clemente (@nandoclemente) — July 5, 2012 @ 3:05 pm
Sobre a bela da outra coluna: Realmente a Clara Albuquerque é linda também, mas mantenho o pedido para um repeteco da Mariana Monteiro; aliás, não sabia que ela tinha trabalhado na Bandeirantes da Bahia, você é um cara atento!
Comment by Alexandre — July 6, 2012 @ 8:10 am
@ Alexandre, sobre a ESPN tem 2 falhas razoavelmente graves: falta de mais investimento aqui, em EVENTOS. Caso tenha algum $ entrando, não podendo bater de frente pelos maiores torneios de futebol, pensar no vôlei, basquete, automobilismo ou qualquer coisa. Assim o ESPN Brasil continuaria com futebol e jornalismo. O ESPN+ com programas da matriz e eventos idem. Aí o ESPN poderia receber mais esportes “amadores”, corrida, surf, tênis e etc…
@Fernando, cara, não é desmerecer a Série C, mas o que pediram foi um absurdo. Acho que foram 17 milhões/ano. Esse foi o motivo de nenhuma emissora ter “pensado” nele. Simplesmente não vale 17 (ou 15) milhões.
Comment by Marco Telinha — July 7, 2012 @ 4:52 am
Isso tudo? Meu deus que absurdo!! Por isso que a Tv Brasil não comprou!! a TV E+I Podiam pensar em comprar o Campeonato Ucraniano já que tem muitos brasileiros e alguns bons jogos.
Comment by Fernando Clemente(nandoclemente) — July 7, 2012 @ 4:12 pm
Que coisa patética essa estória do Em Pauta. E olha que é o melhor canal de notícias que temos. Mas com esse tipo de opinião… Que desagradável. Imprensa vira-lata.
Comment by Julius — July 7, 2012 @ 5:02 pm