Sem o DNA Esportivo
Já repeti dezenas de vezes que a audiência não é determinante para qualificar um programa de televisão. Mas é a métrica adotada e aceita pelas emissoras, agências e anunciantes. E é a única referência para se avaliar a aceitação dos programas. Notem que eu disse aceitação, não qualidade.
Esse parágrafo inicial é motivado pelo primeiro assunto de hoje, a audiência das Olimpíadas. Lembro de ter previsto uma audiência entre razoável e boa, na Record. Mas os números estão bem modestos, tanto diante do que eu imaginei quanto do que a Record pretendia. Pode até ser que algumas finais (futebol e vôlei) consigam alguns pontos adicionais. Mas a média geral não é das mais animadoras. Ou não vem sendo, até o momento em que escrevo este texto.
Um momento emblemático nos jogos costuma ser a cerimônia de abertura. Na época em que a Globo transmitia os índices passavam, costumeiramente, dos 20 pontos. A média da Record não chegou nem na metade disso. Por mais que muitos não gostem da equipe “esportiva” da emissora, não era pra tão pouco. E nem falo tanto por gosto pessoal, eu nunca aguentei mais que 5 minutos da festa. Mas o povo parecia gostar. Estranho ver essa mudança repentina.
Os números da audiência nos jogos de futebol, vôlei e basquete também ficaram abaixo do esperado. Ainda que alguns tenham liderado por pequeno tempo. Mas, confesso, eu esperava uns 5 pontos acima. Acho que só a ginástica alcançou números positivos. Talvez pelo público feminino no horário. O resultado, ainda que parcial, mostra que os jogos pouco alteraram o panorama da audiência, a Record continua na briga pelo 2º lugar com o SBT. Um exemplo foi o Ibope do dia 30/07 (SP): 6,9 de média pro SBT e 6,5 pra Record.
Esses dados permitem duas conclusões:
1- O brasileiro ainda é muito “globalizado”. Qualquer coisa que passe na Globo consegue o dobro, ou triplo, do que teria em outra emissora. E isso não muda do dia pra noite.
2- A Record errou ao descuidar do resto da programação e confiar que as Olimpíadas reverteriam o quadro negativo. Uma parte é culpa do espectador, como falei no item nº1. Mas a outra parte é responsabilidade da emissora, que não tem “cara de esporte”. E isso também não se conquista da noite pro dia.
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Gosto é uma coisa totalmente pessoal, não vou discutir isso. Mas é a preferência que vai nos guiando pra um lado ou outro. Ainda que nem sempre percebamos o fato. Quem acompanha a coluna há mais tempo já deve ter notado que sempre tenho o pé atrás diante de grandes eventos. E isso vale pras Olimpíadas, Copa do Mundo, Carnaval, etc… Não tem relação com emissora A, B ou C. É pelo evento mesmo.
Minha insatisfação começa num ponto que já comentei antes, a bagunça que tais eventos provocam na grade e a exaustiva concentração de atividades (especialmente nas Olimpíadas) num curto espaço de tempo. Para ser claro basta citar um exemplo oposto, a Liga dos Campeões da UEFA. A Champions é disputada ao longo de vários meses e se sustenta dentro de uma grade normal de televisão. É até melhor pra emissora e pros anunciantes.
Mas o ponto nevrálgico é outro. Dia desses eu estava assistindo um documentário sobre os jogos olímpicos, sua criação. Eu já conhecia a história do barão e tudo o mais, mas foi bom relembrar. E foi melhor ainda comparar com os jogos de hoje. Viraram um grande evento comercial e político. Nem de longe representam o ideal original, a união de vários povos numa competição esportiva. Naquele tempo não tinhamos a comunicação em nível global, o contato entre as nações era pouco, as viagens eram longas, o esporte mal engatinhava… As Olimpíadas cumpriam uma missão nobre. Hoje tudo mudou. Todos os esportes estão organizados, com competições nacionais e internacionais. Os torneios e ligas internacionais correm ao longo do ano e atendem melhor o aspecto esportivo. E são muito melhores para as emissoras (que podem dedicar mais atenção) e pro telespectador.
As Olimpíadas continuam com o glamour de um evento mundial e gigantesco. Mas não têm o mesmo sentido de antes. Mesmo com toda a força da mídia. E o mesmo, em termos relativos, serve pra Copa do Mundo. Virou um “brinquedo” muito caro e complicado de organizar. Estamos sentindo na pele. Até a UEFA está repensando o formato de disputa atual, querem realizar a próxima Eurocopa em vários países. Talvez seja um caminho. Eu, pessoalmente, preferiria muito mais assistir uma liga mundial de clubes de futebol. Mas não confundam essa liga mundial com aqueles “dois joguinhos” que a FIFA organiza no final do ano.
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A imprensa, especialmente na internet, costuma se deliciar com as gafes e mancadas que ocorrem durante a transmissão de eventos do tipo que temos agora. Fizeram a farra com a mancada da Ana Paula (Patalógica) Padrão, com a Mylena Ciribelli, com um comentarista da Record News, etc… Tudo bem, isso chama a atenção do público. Mas, na boa, não tem tanta importância assim.
O fato que mais me chamou a atenção nestes dias de Olimpíadas foi o choro do Sérgio Maurício (do Sportv), ao final da primeira disputa no judô. Não sei se todos viram a cena. Mas é algo raro na televisão atual. Existe quase que uma regra tácita, o jornalista deve ser frio e a emoção é só pra empolgar o espectador. Faz um certo sentido, não dá pra ficar chorando toda hora que se noticia um terremoto, um tsunami ou a queda de um avião.
Mas também é bom lembrar que ninguém é máquina. O sangue ainda pulsa. E o Sérgio Maurício, depois de tantos problemas, estava num momento único na carreira. Não estava encenando. E a emoção foi justificada.
Aliás, é bom registrar o bom desempenho do Sérgio Maurício nos eventos que vem narrando no Sportv. Lembro dele na antiga equipe esportiva da TV Brasil (TVE), que foi citada recentemente. Uma presença morna, quase formal. Parece que a mudança de ares fez bem ao Sérgio. Do mesmo modo que acontece com alguns outros.
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A gente vive criticando a exagerada presença de ex-jogadores como comentarista de futebol. É fato. Mas isso não é exclusivo do futebol, as emissoras lotaram os jogos olimpícos com ex-atletas travestidos de comentaristas. Parece que é só botar a camisa, ou paletó, e dar o pitaco quando se é chamado. Parece… Só que eu nem vou citar o desempenho ruim de fulano ou beltrano. Vou elogiar a exceção. E uma das poucas exceções é o Wlamir Marques, que comenta basquete na ESPN. Começa que ele entende muito do assunto. Mas o principal é que não tem medo de opinar e desagradar uns e outros. Ah, se essa fosse a regra.


Ah se fosse a regra.pois é,mas ESPN é outro nível!”o Brasileiro é muito Globalizado”.trocando em miudos:BURRO!é isso q boa parte dessa sociedade é.o”exemplo”são as periguetes inspiradas na isis valverde.epois quando essas moças são”muito olhadas”pelos homens,os homens são taxados de TARADOS!
Comment by leonardo-pe — August 1, 2012 @ 1:55 pm
perdão,é Depois.esqueci o D(risos).a Record não tem mesmo cara de ser a emissora do esporte.já transmitiu Brasileiro de futebol entre 2004 e 2005.essa turma q coloca as”gafes”na net,não tem o q fazer(risos).tem o lado divertido disso.mas só!não é legal mesmo.
Comment by leonardo-pe — August 1, 2012 @ 2:00 pm
As novelas da Globo ainda continuam se certa forma guiando a audiência, assim sendo, quando a Globo transmite ela consegue “encaixar” os eventos na grade sem prejudicar suas principais atrações.
E convenhamos: boa parte dos esporte olímpicos e bem “chata”. O pessoa só se interessa mesmo quando é final e tem brasileiro. É claro que aí vem o problema da transmissão: o ufanismo histérico. Toda transmissão de luta é igual: o brasileiro é sempre o melhor, o mais limpo, o mais preparado, está sempre prestes a vencer…aí o estrangeiro ganha a luta e eles ficam sem ter o que falar. Competições náuticas, onde o Brasil ganha medalhas na Vela: são chatíssimas, com barcos andando em círculos durante um dia inteiro…ninguém aguenta assistir nem transmitir. Além disso tem o problema das competições simultâneas, no auge de um jogo, eles cortam para mostrar o judô, o handebol, e aí vc perde um gol, um momento decisivo.
Comment by Lops — August 1, 2012 @ 2:20 pm
A ESPN está sendo a melhor, disparada! Menos na cerimônia de abertura, que o Dudu Monsanto deu uma de Galvão e não calava a boca hora nenhuma…
E quanto a baixa audiência da Record, eu arrisco adicionar mais uma conclusão: o acesso à TV fechada está mais simplificado de uns tempos pra cá e o telespectador vai ficar no “dilema” de escolher onde assistir o jogo da seleção brasileira de futebol, por exemplo. Na Record com o Maurício Torres, Savoia e Romário, ou na ESPN com o Everaldo Marques, PVC e Antero Grecco? Não precisa responder…de qualquer forma, o fato é que a alta audiência da Globo nestes eventos aparenta ser pq sua equipe se equipara às da TV fechada, o que obviamente não acontece com a Record, por isso a audiência abaixo do esperado na emissora da barra funda.
Pra concluir, estamos vendo a consagração do Everaldo Marques…o cara é um mostro, narra praticamente qualquer esporte com um conhecimento acima da média e sem as Pachecadas do André Henning e do Jorge Iggor…
OBS.: foquei os canais da ESPN pq não possuo o SporTV. Agradeço a compreenção…
Comment by Ramon — August 1, 2012 @ 4:35 pm
O brasileiro é “globalizado” mais por culpa das outras emissoras que querem ganhar audiência no grito. Mas tem muita gente que é bitolada e não sabe trocar de canal. Conheço alguns.
O problema da Record nem foram essas gafes, acho que é o nível dos narradores e comentaristas mesmo. Romário, Oscar e mais uns tantos. Não dá pra suportar.
Concordo com esse problema das olimpíadas terem dez competições na mesma hora. É ruim pra quem tá no estádio e pra quem vê na TV.
Comment by Andrade — August 2, 2012 @ 12:55 am
Acho que outro problema de baixa audiência na Record decorre do fato deles não terem criado uma cultura do esporte olímpico por lá; acharam que a audiência só viria nos Jogos Olímpicos e não valorizaram o produto que tinha nos anos anteriores. O que vocês disseram eu assino embaixo, concordo com o que foi dito. Só vi um pouco de Grã Bretanha x Uruguai na Record News e achei graça quando interromperam o jogo para mostrar uma semifinal da natação; disseram que o brasileiro (confesso que não lembro o nome dele) que disputava por lá tinha chance de chegar na final; ele não ficou entre os 3 que se classificavam e não se deram nem ao trabalho de informar a posição do cara na semifinal; isso mostra que gostam de fazer mais oba-oba do que informação real.
Concordo que Olimpíada e Copa do Mundo são mais hoje feiras de negócios que, eventualmente, incluem esporte, do que eventos eminentemente esportivos; falando em termos de grade de programação, de fato é bem melhor você ter uma atração que dure mais tempo e fidelize mais seu público.
Sobre as gafes: Concordo que muitas vezes essa coisa de repercussão na internet é algo que enche um pouco o saco; pegam qualquer coisinha e dão uma dimensão maior do que ela têm; só que duas dessas gafes recentes foram emblemáticas: a da A.P.A., que mostra a fixação da Record com a Globo e da Myllena falando que o Messi jogaria a Olimpíada, o que mostra que lá não é “a emissora do esporte olímpico” no Brasil; ela tinha a obrigação de saber isso.
Concordo com o Ramon em relação ao Everaldo Marques (o cara é bom mesmo) e a comparação que ele fez com o pessoal do EI. O Wlamir Marques (acho que não são parentes) consegue aliar a torcida pelo Brasil com uma visão mais crítica, mesmo não sendo um comentarista que conheça todos os jogadores de todas as equipes, acho que o Zé Boquinha poderia comentar mais jogos, pois ele faz bem esse contraponto.
E o Fox Sports se gabando de uma mentira, dizendo que Palmeiras x Botafogo pela Sul-Americana seria “exclusivo” para São Paulo? Será que eles não sabem que muita gente possui parabólica e pode assistir esse jogo pela Globo rede? Vi SP X Bahia pelo canal FX e a tela longa, afastada do campo continua, mas os replays da transmissão me pareciam muito com os da Globo, será que usam em “parceria”?
Comment by Alexandre — August 2, 2012 @ 2:24 am
Só pra registrar que o EI anunciou no twitter a compra dos direitos de transmissão da temporara 2012-2013 da NFL…EU gostei, mas vamo ver no que isso vai dar…
Comment by Ramon — August 2, 2012 @ 10:03 pm
http://adnews.uol.com.br/pt//tv/chaves-bate-audiencia-das-olimpiadas-exibidas-pela-record.html#.UBihTIIflhE.facebook
Chaves supera os Jogos Olímpicos.
Comment by Pedro — August 2, 2012 @ 11:20 pm
O problema da record são dois…
Exibir muitos vts e em horários errados e a tal da globo…
Melhor dizendo, o povo que não ve nada além da globo…
Comment by Sergio Clemente — August 2, 2012 @ 11:41 pm
O problema da Record são 2: Globo e SBT
Dá-lhe Chaves!!
Comment by Julius — August 3, 2012 @ 10:06 am
Dá-lhe Chaves(2)!é o q falei Sergio.infelizmente,boa parte do povo é Burro por SÓ ver a Globo!
Comment by leonardo-pe — August 4, 2012 @ 11:20 pm