Mentiras Esportivas
Diversas vezes, ao falar sobre o comportamento da mídia, usei a expressão “ufanismo vazio”. Outro dia, nos comentários, o Lops usou a expressão “ufanismo histérico”. Acho que as duas versões servem. Especialmente quando a gente vê o discurso e a tentativa de criar uma comoção popular em momentos que envolvem a nação e o sentimento patriótico.
Mas, com um olhar mais atento, dá pra se perceber que o discurso deles também é vazio. Eles não são tão patriotas quanto pretendem aparentar. Seu interesse é outro, mais pessoal e comercial. O evento esportivo (seja qual for) é apenas um produto. E o produto precisa ser vendido pra massa. E é aí que o discurso se encaixa. O discurso diz algo como: Se você não torcer cegamente pelo Brasil você não á patriota, você é contra seu país. O discurso não admite discussão ou divergência. Faz lembrar a doutrina xiita ou a prática de certas ditaduras.
O mais grave de tudo isso é ver como o discurso faz eco em milhões de pessoas. Elas aceitam a idéia e tomam parte na “guerra” contra os “infiéis”. É uma cruzada patriótica. Quase uma histeria coletiva, que não aceita opinião contrária. E eu vi isso até aqui, no site, em comentário recente.
Acontece que aqui o discurso é outro. E nunca vou me levar por euforias vãs ou por um ufanismo idiota. Não me venham com o papo de pátria de chuteiras, pátria de kimono, pátria de luvas ou pátria de capacete. Isso é papo furado. É papo da televisão, que busca audiência, é papo de quem quer vender camisa da seleção, de quem quer vender cerveja. Mesmo os atletas, são todos profissionais. Eles, os treinadores, os dirigentes, os políticos… Cada um tem seu interesse, seja um contrato de patrocínio, o ego inflado, ou um fruto eleitoral. O país está em segundo plano.
Talvez o meu pensamento seja meio radical, podem (e devem) haver exceções. Mas eu já vi muitas Copas, muitas Olimpíadas, muitas corridas e muita coisa no esporte. Sei que a realidade não é tão romântica quanto pintam. O que a mídia vende é uma ilusão. E eu não gosto de comprar ilusões. E meu patriotismo é outro, bem diferente.
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Eu gosto de me guiar pela razão. Em qualquer assunto. E não seria diferente numa Olimpíada. Acontece que a televisão não quer racionalizar nada. O que dá audiência é a paixão. O racionalismo cria problemas e atrapalha o fundamentalismo midiático. Então não tenho a menor esperança de ver alguma emissora analisando os fatos e informando a realidade pro povo. O povo não precisa saber que o Brasil é um fracasso esportivo. E um fracasso ainda maior quando se observa os bilhões investidos, o tamanho da população ou do PIB, a quantidade de membros da delegação e a comparação com outros países. Isso é coisa de gente chata, tipo eu. Isso é coisa que broxa o Ibope.
Mas, pra ser justo, temos uma rara exceção. Dia desses eu e o Alexandre falamos sobre o Segredos do Esporte (da ESPN). Não sei se a maioria já assistiu, mas é um programa que atravessa a superficialidade costumeira (medalhas, gols, polêmicas e papo furado) e trata das questões mais profundas. Muito indicado para quem gosta, realmente, do esporte. Pra quem deseja entender mais do assunto. E para quem busca algo mais que a tática, a tabela ou os erros da arbitragem. Recomendo que, se puderem, assistam.
O lado negativo é que o Segredos do Esporte foi criado apenas para esse momento de jogos olímpicos. Pelo menos até onde entendi. Mas eu creio que o programa tem potencial pra seguir. Não diário, mas numa frequência semanal, ou mensal. Só precisa ampliar a pauta, tratando de vários aspectos do esporte. Não faltam assuntos; eu mesmo posso sugerir mais de vinte. Mas a minha primeira sugestão é que o programa continue. Nunca fiz isso, mas, se alguém da direção da ESPN esbarrar nesse texto, gostaria que pensassem no pedido.
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O Band Sports tem vários problemas, já falei disso em outros momentos. Mas agora, vendo os jogos olímpicos e comparando com os outros canais, confirmei outro problema. É a imagem. Ela é mais borrada e mais escura que a dos outros canais, parecendo dessas emissoras que jogam o sinal analógico no satélite digital. O Band Sports está desse jeito. E olha que eu não fiz a comparação com os canais HD do Sportv e ESPN, estou me referindo aos canais SD.
Por falar nisso, é bom ir devagar nessa coisa de colocar o selo de HD ao lado do logotipo (caso da Record) ou falar que a transmissão é em alta definição (caso da Fórmula Truck, na Band). Podem até ter transmissão em HD em algumas regiões. Mas isso não é regra geral. E nem vale pra quem, por exemplo, assiste numa operadora via satélite. Lá, até onde vejo, o sinal continua em SD.
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Agora vai parecer que estou pegando no pé da Fox Sports. Mas a culpa não é minha. O canal segue com um vício irritante. Vício ou estratégia, sei lá. Mas, se for estratégia, é algo bem questionável. O fato é que eles não querem ser um canal esportivo. A Fox Sports é um canal de seus próprios eventos.
Ontem eu vi boa parte do Fox Sports Show. Na hora que liguei o assunto era a Sulamericana, que teve jogos na quarta. E o programa é exibido no domingo. Depois passaram pro Campeonato Argentino, que começaram a transmitir. Daí mostraram alguns gols do Brasileiro e a classificação, sem abordar mais nada e com grande má vontade. E terminaram o programa mostrando mais alguns momentos da Sulamericana.
Até entendo que o canal deve valorizar seus produtos. O problema não é esse. É aquele comportamento meio autista que já mencionei antes. Não vou repetir a minha opinião. Mas quero deixar uma pergunta: O assinante da Fox Sports se interessa mais pelo River, Racing e Independiente ou pelo Grêmio, Vasco e São Paulo? Ah, eu estou perguntando sobre o assinante no Brasil, não o argentino.
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E aí, vocês assistiram aquela coisa estadunidense que o Esporte Interativo começou a transmitir? Sim, aquele negócio com a bola oval e um monte de grandalhões (de collant) se agarrando e rolando no campo. Hehehe… Queria muito saber a audiência. Mas nem importa tanto. A ESPN já exibe a NFL, a Band já tentou enfiar isso na cabeça do brasileiro. Mas não funciona bem. Comigo então… Prefiro ver 10 horas de ópera que aquele negócio.
Falando no EI, a emissora tá com um novo projeto. Eles querem vender a programação pela internet. Tipo um Netflix da vida. Sei não… Os melhores eventos do EI não são exclusivos, passam em canais fechados e abertos. Sobra o WWE, o Bellator, o Kajuru… Boa sorte pro EI.


isso de”torcer cegamentente”tive problemas aqui na familia por causa disso!pra voce ver como o Brasileiro é levado na conversa midiatica(nem os politicos chegaram a tanto).o”exemplo”atual,é a”Periguete”Isis Valverde.depois,quando olhamos muito essas”Periguetes”,somos taxados de tarados.simples!essa gente é mais esperta do q se pensa.mas,a”educação”é ficar na frente cda tv(sobretudo a Globo)e ouvindo Radio Fm,estamos colhendo uma grande geração de Burros e Alienados!
Comment by leonardo-pe — August 6, 2012 @ 11:19 pm
esqueçam esse C do da tv!
Comment by leonardo-pe — August 6, 2012 @ 11:20 pm
Isso de torcer pelo Brasil nas grandes competições me remete àquela frase: Infeliz do povo que precisa de heróis. Evidente que isso existe também em outros países, mas no Brasil isso é levado às últimas consequências, como se fosse algo para nos redimir de nossas frustrações em outras áreas da sociedade e da vida. Com isso vemos essa forçação de barra, principalmente na TV aberta. Em relação à questão mercadológica, concordo contigo, o “último grande herói” do Brasil sempre usava um boné azul, devidamente identificado com sua marca. O negócio é vender a imagem do vencedor, sendo que, em muitas modalidades, para os brasileiros e para outros competidores, chegar em oitavo já é ser um vencedor. Não analiso a coisa dessa forma maniqueísta (ganhou é bom, perdeu é porcaria), ainda que, muitos atletas que perderam (Murer, Hipólito), têm de ser cobrados, pois possuem condições para irem melhor. Esse discurso que “falta apoio” é relativo; falta maior divulgação durante os outros 11 meses do ano e, principalmente, falta BASE ESCOLAR, o que não significa que vamos fazer 150 campeões olímpicos imediatamente. O que vale é massificar o esporte e principalmente, promover a educação com a ajuda dele.
Felizmente o Segredos do Esporte tratou de algumas dessas questões; o programa já existe na Rádio Estadão/ESPN desde o ano passado, mas de fato merece permanecer na grade dos canais ESPN, pelo menos nessa versão mensal que você disse.
Comment by Alexnadre — August 7, 2012 @ 8:58 am
Zapeei no Bandsports poucos minutos nessa Olimpíada, mas pelo que vi, ressalto o bom trabalho do Elia Jr. que praticamente segura a peteca sozinho por lá; vi 30 segundos do tal Magazine e realmente é um lixo, com um cara querendo ser engraçado; o que vale ali é a Mirelle Moschella (acho que esse é o nome dela), uma bela que tenta apresentar aquilo, sugiro ela como Bela para o site.
Outro que está tentando ser o engraçadinho da Olimpíada é o Mendel Bydlowsky da ESPN, até o Canalha criticou uma reportagem que ele fez de forma indireta, dizendo que, nessa época de Jogos existe muito choro, muito sentimentalismo. No caso do Mendel, além de tipo de matéria, tem também essa coisa de querer ser engraçadinho, ainda que, antes da Olimpíada, ele tenha feito uma boa matéria com o jornalista Andrew Jennings, o “amigo” do Ricardo Teixeira.
Jornalismo no FOX Sports parece passar longe, o negócio é reprisar o que exibem, e dizer “torcemos juntos” quase que toda hora; quero saber como ficarão as provas da Nascar até o fim do ano com esses novos torneios. Ao menos ano que vem, dizem, vão lançar o FS2, mas de nada adianta ter canais se o conteúdo é ruim (Record News está aí para nos lembrarmos disso).
Acho o futebol americano menos ruim que o beisebol, nesse sentido eu o defendo; entendo porém, sua crítica, mas temos de lembrar que o EI perdeu o Argentino e é preferível passar a bola oval do que a enésima reprise do Kajuru vomitando bobagens. Mesmo assim assistir a NFL no EI não está nos meus planos; ainda que aquele Paulo Antunes da ESPN muitas vezes exagere nas gracinhas, a narração do Everaldo compensa (e mesmo o Antunes, inegavelmente, conhece do esporte).
Comment by Alexnadre — August 7, 2012 @ 9:09 am
por isso q ainda vivemos a cultura”Ayrton senna”(o 2o é o 1o dos derrotados).uma das frases mais mais infelizes e massificadas dos ultimos anos!se bem q isso era dele(não gostava de ser o 2o).mas,num país cuja educação é ficar na frente da Tv Globo e ouvindo radio fm(povão),o resultado é esse.pra se livrar vai demorar tempo!
Comment by leonardo-pe — August 7, 2012 @ 2:57 pm
Sem falar que o Luis Felipe Freitas vai morrer tentando ser um bom narrador e não vai chegar nem perto disso…
Mesmo com a NFL no EI e o Vítor Sérgio e o Rafael Oliveira serem excelentes comentaristas até no futebol americano, ainda prefiro o Everaldo Marques e o Antunes com seu sotaque meio forçado também…
Mas, convenhamos, pra narrar futebol americano, NINGUÉM é melhor do que o Grande Ivan Zimmermann, Sílvio Santos Jr. e o Paulo Mancha…era o que o BandSports tinha de melhor e faz falta até hoje. =)
Comment by Ramon — August 8, 2012 @ 2:16 am
A mídia é assim mesmo. Mas no Brasil a coisa vai ao extremo, do 8 ao 80. Ninguém trata do assunto com frieza e imparcialidade. E, como você disse, o povo parece gostar do estilo ufanista.
Concordo com o Ramon, o Luis Felipe Freitas é péssimo, abaixo de péssimo! Tirando uns 3 ou 4 (tipo o Vitor, Rafael e tal) a equipe do Esporte Interativo é totalmente amadora. No pior sentido.
Não gosto da NFL e nem do Bellator e WWE. Então não sobra muito pra ver no EI.
Comment by Andrade — August 8, 2012 @ 6:17 am
Vi um pouco da final do futebol feminino na Record News e o narrador (que normalmente narra basquete) conseguiu errar o nome da estadunidense que fez o primeiro gol; o incrível é que ele não corrigiu o erro pelo menos até onde vi o jogo (fim da primeira etapa). Como foi em um canal que ninguém vê, não vi a tradicional marola na internet, imagina se fosse na Globo…
Comment by Alexandre — August 10, 2012 @ 9:37 am
@ Alexandre, num canal em que o Gottino é narrador, o que se pode esperar???? Mas acho que sei quem foi o narrador que você citou, um que já foi da Rede TV. Me falha o nome agora.
Comment by Marco Telinha — August 10, 2012 @ 9:43 am
O narrador em questão é o Marco Tulio Reis, realmente ele narrou NBA na única temporada que a RedeTV! mostrou e narrava no TNT também (tv paga).
Lembro do Gotino como repórter de esporte da TV Gazeta e como apresentador na rádio CBN; deveria ter ficado por lá, de fato ele era menos ruim do que atualmente…
Comment by Alexandre — August 10, 2012 @ 11:01 am
Outro ponto negativo da transmissão da Record Sports foi o comentarista do jogo, o Eduardo Marini, ruim de dar dó. O canal está se vangloriando de transmitir um monte de horas de Olimpíada; mas a função dele não é ser de notícias? Além do mais, transmitir com má qualidade e sem ninguém ver não é algo para ser comemorado.
Comment by Alexandre — August 10, 2012 @ 11:05 am