Hipocrisia e Opinião
Quando eu era garoto vi uma cena que marcou bastante e que ainda lembro. Foi quando aprendi o que era hipocrisia. E, não sei vocês, passei a não gostar de gente hipócrita. No caso da cena citada, era uma daquelas reportagens de rua. E perguntava para os transeuntes o que eles pensavam sobre a pornografia na televisão. Faço a ressalva de que naquele tempo havia mais pornografia visual (nudez) que a baixaria generalizada e enraizada de hoje. Não sei se estou sendo claro. Digamos que fosse meio que uma praia de nudismo. Tinha gente sem roupa, mas era muito menos apelativa. Muito bem, volto ao caso da reportagem. Chegaram num senhor e ele, com veemência, declarou:
- Tá um absurdo a pornografia. Demais! Outro dia, no canal X, passaram um filme que só tinha sacanagem. Do começo ao FIM…
Quer dizer, ele achou ruim o tal filme; mas assistiu do começo ao fim. E hoje em dia tá cheio de gente hipócrita e falsa. Incluindo aí um monte de gente que escreve sobre televisão. Já adianto que não vi nada do Astro. Não gosto nada de novelas, e 6, só na Globo, é um caso quase patológico. Mas eu li um monte de gente reclamando de algumas cenas de nudez parcial. Talvez o controle das carolas estivesse quebrado e elas não pudessem sair do sofá pra trocar de canal. Ou estivessem temerosas de assistir um close anal na Fazenda. Vai saber… O fato é que parecem o velho da reportagem que citei antes. Reclamam, mas assistem até o fim.
Outro ponto interessante é que é “modinha” falar mal da Globo. Do mesmo modo que falam mal do Mac Donald’s, da Coca e outras empresas famosas. Criticam mas usam. Algo muito incoerente pra minha mente racional. Eu, por exemplo, não bebo Coca Cola há mais de 10 anos. Não preciso falar mal, basta não consumir. Mas o que tem de gente cri-cri que só gosta de falar por falar… E ainda ficam posando de cultos, de refinados, de intelectuais. Sem falar que são tão moralistas que ficam ofendidos com o mamilo de alguma atriz. Até aceito a reclamação, só não sei porque não trocam de canal. Sem falar que…
Sábado passado, eu ia terminando de digitar a última coluna, e peguei o controle pra zapear pela parabólica. Era por volta de 11 e pouco da noite, sem nada decente nas maiores redes. Acabei parando um pouco na TV Brasil – ou outra educativa que repete o sinal. Passava um filme nacional, meio antigo (Nunca Fomos Tão Felizes). E calhou de passar justo na hora de uma cena de sexo. E logo depois a atriz se levantou, mostrando frente e verso. Daí eu pensei que aquilo poderia render assunto e fiquei mais uns minutos assistindo. Não sei dizer se o filme era ruim mesmo ou se foi minha falha, por pegar pela metade. Mas aguentei até uma parte em que o “mocinho” foi numa boate, onde arrumou companhia (paga, é claro). Na cena seguinte a prostituta estava masturbando o rapaz (interpretado pelo Roberto Bataglin). Tudo bem que não aparecia o ato, mas era compreensível. Na cena seguinte a senhora estava dormindo e o rapaz senta ao lado e levanta sua saia, exibindo os pêlos pubianos. Ela acorda e ele pede que ela raspe tudo. Ela responde que nem era tão pentelhuda assim. Aí ele diz que paga, qualquer preço. Então ela topa e parte pra ação. E aparece, em close generoso, a perereca (ou como desejem chamar), o creme e o aparelho de barbear. Depilação feita e o rapaz consegue praticar o ato sexual. Tudo isso na tv estatal, por volta das 23 horas. O mesmo horário do Astro. Eu não vou dizer que fiquei ofendido com a cena de depilação ou sexo. Antes isso que um cadáver ao meio-dia. Mas eu gostaria, e MUITO, de saber a reação desses hipócritas patrulheiros se as cenas fossem na novela da Globo. Não duvido que chegassem a pedir a cassação da licença. Mas, como foi na TV Brasil e ninguém viu…
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Na segunda (salvo engano) vi uns minutinhos da entrevista do Jorge Kajuru no programa do Ratinho. Já adianto que cansei do discurso vazio do Kajuru. Já houve um tempo (bem lá pra trás) em que eu ainda dava crédito ao falastrão. Depois percebi que era mais um teatrinho. As opiniões do Kajuru valem tanto quanto o chinelo velho que uso agora. A única coisa que me agrada nele é o improviso (graças ao tempo de rádio). Opinião mesmo, dá pra quebrar sem gastar os neurônios. E atualmente ele anda quase infantil em seus argumentos. Ou está fazendo pouco da inteligência do espectador. Isso pode dar certo com muita gente, mas não com todos.
Nem sei como qualificar a defesa que o Kajuru fez do Datena. Até um garoto de 5 anos sabe que o menor dos fatores foi a tal censura da direção da Record. É óbvio que existe censura na Record. Mas não é tão maior que nas outras emissoras, só um tantico assim. E outra, o Datena não sabia disso antes? Alguém ainda acha que pode falar qualquer coisa na televisão???
Mas tá, e se o Datena ficasse todo o tempo do contrato na Record? Será que o Kajuru iria criticar a submissão do amigo? Será que o Kajuru iria criticar a mudança radical de quem malhava (e muito) a Igreja Universal e seus bispos? Ou será que o Kajuru não vê as falhas dos amigos? Ou será que suas opiniões vão mudando de acordo com o vento?
Aproveito pra lembrar da recente passagem do Kajuru pelo CQC. Se fez de morto pra comer o coveiro. Chegou lá, falou um monte e a direção da Band vetou uma parte. Preciso lembrar que o Kajuru foi demitido da Band justamente por falar mais do que era permitido. Portanto ele não poderia se dizer surpreso com a edição do CQC. O mais ridículo foi ver o Kajuru detonando o programa e seus integrantes. Disse ele que eram sem graça, que passavam dos limites, que abusavam, que desrespeitavam as pessoas… Ok, posso aceitar e respeitar a opinião dele. Mas, se ele pensava isso, porque foi participar do CQC????? Será que algemaram e ameaçaram o Kajuru com uma arma? Ou será que a opinião do Kajuru muda de semana pra semana???
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Por falar no Kajuru quero deixar um aviso aos leitores que deixam comentários sobre o Esporte Interativo. Não vejo mais o canal pela parabólica (agora estou digital). E pelo site as transmissões esportivas, na maioria, são cortadas por causa de direitos pra internet. Praticamente só dá pra ver os programas internos do EI. Sendo assim fica difícil opinar detalhadamente. Mas, sobre os principais narradores e comentaristas de lá eu concordo com grande parte do que vem sendo escrito nos comentários. Me parece, pra resumir bem, que os poucos bons estão sendo contaminados pela ruindade dominante. Eu odiava biologia, mas acho que o nome disso é osmose.
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Não sou muito de passar links externos aqui. Mas hoje vou sair do script. Estava navegando ao acaso e descobri a coluna da Leila Cordeiro. A Leila, caso não saibam, é uma jornalista e apresentadora com passagem pela Globo, Manchete, carreira no exterior e daí pra frente. Algumas vezes eu citei a Manchete aqui no site, mas sem muita precisão pois eu era meio garoto no auge dela. Também não haviam muitas informações na época do seu declínio. Mas vi esse texto da Leila Cordeiro e ele mostra bem como era a coisa aos olhos de quem participou da empreitada. Se quiserem saber mais, é só clicar AQUI.


Hoje também vou no estilo rapidinhas, mas focado no SBT. Emissora essa que está próxima de completar seus 30 anos de vida. E, após dezenas de turbulências, a coisa não anda tão feia como muitos temiam. Independente dos especias deste mês, a diferença entre o SBT e a Record está num patamar até confortável. Muito longe do cenário catastrófico que alguns desenharam. Lembro de ter lido gente falando na possibilidade da Band roubar o terceiro lugar do SBT. Algo que, apesar dos desvios de rota e dos rompantes do patrão, ainda está bem distante. Talvez mais por culpa da Band do que por méritos do SBT. Da mesma forma que a pouca diferença entre a Record e o SBT é mais consequência das falhas e teimosias dos bispos que nada entendem de televisão. A emissora da Barra Funda já teve uns 3 anos pra abrir distância em relação ao 3º lugar. Mas isso não ocorre mais. Pelo contrário, a Record vem perdendo alguns décimos nessa briga apertada.
Lembro de um filme antigo chamado Golpe de Mestre. E golpe de mestre é a melhor definição para o que vimos acontecer nas últimas semanas. Uma bela jogada, onde o esperto é engolido pelo mais esperto. Mas tenho que admitir, eu também embarquei feito pato nessa história da volta do Datena pra Record. Até porque, vendo o lado da emissora, até fazia um certo sentido em enfraquecer uma rival e ainda alavancar o seu telejornal. E eu ainda perdi meu tempo analisando a possibilidade do plano da Record não funcionar como projetado. E realmente não vinha funcionando nada bem. Mas a minha inteligência acabou aí. Nem em sonho eu poderia imaginar o que acontecia nos bastidores. Na verdade os bastidores da televisão são muito mais emocionantes do que qualquer dessas novelas que o povo gosta de acompanhar. As intrigas, armações, romances e brigas dão de 10 em todas as novelas juntas.
Eu já falei muitas vezes sobre os “zumbis” da Globo. São aqueles programas praticamente mortos mas que permanecem na grade por algum motivo difícil de entender. Mas isso não é um problema exclusivo da Globo. A Band tinha o A Noite É Uma Criança encostado lá no meio da madrugada. Aí resolveram criar um novo programa pro Otávio Mesquita, o Claquete. Mas, francamente, se não fosse o cenário novo seria difícil perceber a mudança. Se a intenção do Claquete é ajudar os que sofrem de insônia, tá muito bem.
Agora eu preciso tocar em certos assuntos da Record. Numa das últimas colunas eu falei sobre a audiência desanimadora do Cidade Alerta apesar de rodar sem intervalo. Mas eu me enganei parcialmente. Na verdade a Record está emendando vários programas (do final da tarde até a noite) sem qualquer intervalo comercial. São 3, 4 e até 5 horas seguidas sem publicidade. Tudo pra tentar segurar uma audiência que anda cada vez mais longe. E como se o intervalo fosse o único culpado por uma programação ruim e repetitiva. Ora, ora…