Vergonha Alheia
É difícil ter uma semana em que não fiquem assuntos pendentes. Vou pegar alguns deles hoje. Mas antes disso eu começo com dois momentos de extrema “vergonha alheia”. O primeiro momento foi aquela festa bizarra pra premiar os melhores do Brasileirão. Nem sei quem é o responsável pela “organização” do evento. Provavelmente a CBF, com um ou dois dedos da Globo. Não importa. Aquilo foi patético. Ainda mais quando alguns dos envolvidos estarão participando da Copa do Mundo. Se não conseguem nem organizar a entrega de alguns troféus…
O lado divertido da bizarrice foi ver a “desenvoltura” de alguns políticos e cartolas. Tá bem que eles estavam “vendidos”, mas me fizeram lembrar os bonecos gigantes de Olinda. Era um negócio de balançar os braços, virar pra direita, pra esquerda… O “canal campeão” poderia ter passado sem esse mico.
O segundo momento “vergonha alheia” ocorreu no JN da segunda. Só peguei o final do jornal, já com o tio Bonner falando da mudança e a Poeta entrando no estúdio. Que coisa mais patética! Fiquei esperando o Fausto Silva pra apresentar o “essa é a sua vida”. Mas não tivemos o Faustão, era o Jornal Nacional mesmo. E ficaram lá, por uns 15 minutos, exibindo clipes com a Fátima e a Poeta, uma entrevista, abraços, afagos, desejos de boa sorte… Aí eu pergunto: E o Kiko? Não poderiam fazer a “festinha” no Vídeo Show, no Domingão, no Programa do Jô, no Mais Você?? Sem falar que, nunca antes, na história do Jornal Nacional, uma troca de apresentadores havia recebido tanto confete. Totalmente ridículo!!
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Na última coluna eu havia dito que não gostei da indicação da Patrícia Poeta, sem entrar em muitos detalhes. Mas aí o Renan deixou um comentário lembrando o estilo da Poeta, que até se encaixa no Fantástico, mas fica longe do padrão de um telejornal mais tradicional.
Não vou fazer um histórico da Fátima Bernardes, mas eu lembro de quase 90% da carreira dela. Desde o tempo de reportagens de rua, eventos importantes, RJ TV, Jornal da Globo, Fantástico, Jornal Hoje… E ainda tivemos as participações em Olimpíada, Copa do Mundo e mais alguns momentos importantes. Gostando ou não, ninguém pode dizer que caiu de paraquedas. Não foi um Frankstein, criada em laboratório.
Já a Patrícia… Não consigo lembrar do seu início. Talvez por ser uma repórter meio chinfrin. De repente aparece ela como garota do tempo. Função que, convenhamos, não exige tanto. E ficou lá por um tempinho. Até que deu-se aquele “pobrema” com o seu marido e os dois foram deslocados pra terra do Obama. E ela virou correspondente na Big Apple. Tinha o glamour das reportagens na Turislândia, mas faltava a ralação diária que lapida um bom jornalista. Terminado o “exílio”, volta ao Brasil e já é escalada pra apresentação do Fantástico. Apresentava e, eventualmente, fazia alguma reportagem light, cercada de 50 produtores e editores. E agora, finalmente, chega ao ápice do jornalismo tupiniquim.
Caso eu não tenha sido claro ao dizer que não gostei, agora apresentei os motivos. Não é um caso de simpatia ou antipatia. São fatos. Do modo que vejo.
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Vamos aos assuntos pendentes. O primeiro foi lembrado pelo Alexandre, ao falar da quase unanimidade nacional no momento decisivo do Brasileirão. Eu até havia visto uma reportagem (não lembro onde) que questionava vários torcedores, em SP e outras capitais, sobre sua preferência em relação ao título. A grande maioria, incluindo aí flamenguistas, tricolores e botafoguenses, dizia torcer pelo Vasco. Mas isso poderia ser uma reportagem maquiada. Só que o sentimento anti-corintiano era latente. Bastava conversar com os conhecidos. Das pessoas com quem falei, tirando os corintianos, obviamente, só encontrei um torcendo pelo Corinthians.
Não quero criar uma tese acadêmica, mas esse repentino “amor” pelo Vasco não é obra do acaso. Nem é bairrismo; até porque mineiros, gaúchos, paranaenses, baianos, cearenses e demais brasileiros estão mais preocupados é com seus times. Nem é a tradicional rivalidade entre o Corinthians e os demais clubes paulistas. Acho que 90% disso é fruto dos exageros da “timão press”. Aquela famigerada imprensa que tenta crescer subindo nas costas de um clube de massa. Sendo ou não torcedores do time. Na verdade o Corinthians é secundário pra essa gente, eles estão mais preocupados é com a audiência (discutível), com seus programas, com seus salários, com seu marketing pessoal. Na hora em que o clube tá ferrado, é roubado ou é largado na 2ª divisão, nenhum aparece. Estavam todos dando tapinha nas costas do iraniano.
Nem posso dizer que o clube é culpado por essa conivência com a “timão press”. É exposição na mídia, vale pros patrocinadores, aumenta a receita. Nenhum dirigente vai pensar na exposição negativa ou na rejeição. É a visão simplista. Paciência!
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Outro assunto pendente ocorreu durante o lançamento do livro do Boni. Talvez pra chamar a atenção pro livro, o ex-poderoso da poderosa resolveu relembrar a infeliz participação da Globo nas eleições de 89. Ele contou que chegaram a colocar uma maquiagem no Collor pra que ele parecesse suado, com jeito de quem estava num ringue. Isso durante os debates eleitorais.
Nessa época eu era garoto, ainda no colégio. Mas já tinha alguns professores mais politizados e não era raro parar a aula pra ficarmos falando dos candidatos, partidos, ideologias… A coisa fervia. É claro que ninguém (da turma) votava, mas todos tentavam influenciar os eleitores conhecidos. E a argumentação era acalorada. Muito, muitíssimo, mais quente que o que temos atualmente.
Apesar da idade eu percebia muito do que rolava na época. Não tinha nada de maquiagem, a interferência era muito maior. E não foi só coisa da Globo. Todo e qualquer orgão de imprensa usa o seu poder pra influenciar a opinião pública. Era, é, e sempre será assim. Não se iludam. A diferença é que a Globo era um caminhão de 40 toneladas, as outras eram uma moto, bicicleta… E não é preciso que agora, em 2011, o Boni venha falar na maquiagem do Collor. Isso serve pros desinformados. Ou pra imprensa que busca factóides. Quem quiser saber os fatos é só consultar os arquivos do jornal O Globo. Logo no dia seguinte ao resultado daquela eleição. Vão encontrar uma entrevista com o dono, Roberto Marinho. E nessa entrevista ele confirmou o óbvio, que havia apoiado o Collor por achar a melhor opção e blá, blá, blá… Não é achismo e nem livro de memórias. Tá lá no jornal.

Os leitores do site não têm a menor obrigação de saber tudo que eu já escrevi aqui. Ainda mais que já foram milhares de tecladas. Mas eu tenho que guardar um “banco de dados” com as principais coisas que já abordei. Até por isso ainda não resolvi quando vou fazer uma limpeza e deletar as colunas mais antigas. Elas podem, eventualmente, ter utilidade. É o caso do assunto de hoje. Quero falar da saída da Fátima Bernardes da bancada do JN para embarcar no projeto de um novo programa. A idéia é colocar a Fátima na apresentação de um programa matinal da Globo.
Já falei sobre isso no começo do ano, depois no meio do ano, antes do Pan, depois do Pan… E vou voltar ao ponto: a audiência de vários programas da Record anda derrapando na curva. E isso não é um problema localizado, de uma novela ou um telejornal. O caso vem se repetindo em toda a grade.
Vou tentar botar a pauta em dia. Alguns assuntos estão atrasados, outros acabei abordando nos comentários. E o primeiro desses temas foi levantado pelo Alexandre e Ramon, via comentários. É a troca de mãos dos direitos da Liga Europa. A Rede TV não vai mais transmitir o campeonato. E isso só confirma a minha estranheza com os rumos da emissora. Se é que existe algum. Eu fico olhando e tentando entender aonde querem chegar. Mas tá confuso. Muito.













