Ouro de Tolo
Antes de começar a coluna gostaria de mandar um forte abraço pro Zé da Couves, de Manhuaçu, pro cachorrinho do Alexandre, pra tia do Julius, pro cunhado do Ramon, pro… Depois eu termino a lista; são 472 pessoas. Então vamos lá, a pauta é extensa e variada (até demais).
O primeiro assunto é o Esporte Interativo, que, francamente, não sei onde deseja chegar. Mas tenho certeza que não estão pensando no telespectador. Talvez estejam mais preocupados em negociar com a Sky ou em divulgar o Facebook. Ou em vender assinaturas do EI Plus. Tudo bem.
Eu já falei muito sobre a pobreza dos eventos que a emissora exibe atualmente. E sobre a recente fixação na Copa do Nordeste. Mas o problema é muito maior. A programação não evoluiu; ao contrário, regrediu. Tá quase impossível assistir algo que preste. E olha que eu tento! Como no último domingo, quando os canais fechados estavam no recesso de férias. Botei no Jogando Em Casa (ou Fim de Papo, nem sei bem) e… Ficaram horas debatendo uma suposta teoria sobre o Felipão, a festa da FIFA e a data do convite ao técnico. Até aceito que a época não ajuda, mas naquele dia tivemos jogos da Copa São Paulo, do Espanholão, na Inglaterra, o mercado da bola… Ah, mas eles não estão transmitindo nada disso. Só por meio das TVs dos clubes. Então é preciso fugir dos assuntos. O que sobra? Papo furado e recadinhos do Facebook.
É meio como o Alexandre me falou ontem. O que a gente recebe de informação num canal com 24 horas (ops, tem o strip de madrugada) de esportes? Um monte de coisa rolando pelo mundo e o EI reprisando um joguinho do Chelsea. E se o telespectador quiser saber da Copinha, do Italianão, do Inglesão, da Liga de vôlei (que eles exibem), do basquete, de tênis ou de automobilismo? Nem que seja o horário dos jogos, o resultado, uma tabela de classificação… Olha, aceito até uma notinha colhida na internet. Falam de NADA! Parecem autistas, num mundo particular. Não transmitem e não querem nem saber, dane-se o espectador. Isso pode até funcionar numa rede aberta, com programação variada. E olhe lá. Mas um canal temático não pode se dar a esse luxo. Luxo não, burrice!
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Tem outra coisa que notei durante essa avalanche de Copa do Nordeste. Se bem que isso não é exclusividade do pessoal do Esporte Interativo, é quase uma regra geral. Fiquei anotando os superlativos e adjetivos que usavam ao falar da Copa do Nordeste. O curioso é que essas mesmas pessoas vivem dizendo que o Paulistão é inchado, que o Carioca é uma porcaria, que o Gauchão não vale nada… Interessante notar o senso crítico. E a mudança de postura. Então a Copa do Nordeste é o último pastel da feira? Alto nível? Tá bem…
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Outro exagero colossal foi a postura dos canais esportivos diante do “Balão de Ouro” da FIFA. Muitos vão discordar, mas eu acho esse prêmio uma bela porcaria. É um “miss universo” do futebol. É o Troféu Imprensa da bola. É o Prêmio Extra de chuteira. E uma festinha bem chinfrim! Mas a nossa gloriosa imprensa esportiva pensa exatamente o contrário. Talvez porque a transmissão não custe nem 10,00. Talvez por deslumbramento puro. Talvez pela esperança de ver um brasileiro sendo reconhecido pelo mundo civilizado. Paciência.
Esse exagero passa muito pela valorização excessiva de alguns campeonatos. Nos comentários da última coluna eu citei aquele campeonato de 2 clubes, o Espanholão. Na mosca, a seleção dos melhores de 2012 foi um combinado entre Real e Barça. Tão óbvio… Aliás, quantos jogadores, não atuando na Espanha, ganharam a Bola de Ouro? Acho que uns três, não lembro bem. E quantos não europeus? Nenhum! Então é melhor cuidar da nossa vidinha e deixar a FIFA com as “negas” dela. A não ser que vocês gostem de bater palma pra maluco dançar.
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Acho que vou criar um momento “i don’t speak portuguese”. Quem sabe vocês me ajudam na seleção e, no final do ano, a gente elege um vencedor. Meu primeiro indicado é um programa da Fox Sports, uma revista semanal do campeonato italiano. Estamos no Brasil, o campeonato em questão é italiano, mas, acreditem o nome do programa é Total Italian Football. Eitchaaa!
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Temos, simultaneamente, o Big Brother, a Fazenda de Verão (ou não verão) e Mulheres Ricas. Não é maravilhoso? Os sites de fofocas vão deitar (na lama) e rolar. E depois ainda se espantam com a queda de audiência nas emissoras abertas.
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Sairam os números, de 2012, do mercado de TV por assinatura. A Net segue na frente, com 5,3 milhões de clientes. A Sky se aproxima, com 5 milhões. A Claro TV chega em terceiro, com 3 milhões de assinantes. Todas crescendo, menos a Telefonica/Vivo que perdeu clientes. A soma total já está em 16 milhões de residências.
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Por falar em TV por assinatura, tem uma coisa que nunca entendi. E nem quero. Assim, existem aqueles canais eróticos. Assina quem gosta. É provável que tenham muitos assinantes. O duro, ops, soft, é ver esses filminhos, de sexo simulado, que passam de madrugada. É batata, bate a meia-noite e eles começam a pipocar. Tem no Multishow, nos HBO, nos Max, na GNT, no Telecine Action… Action????
Dizem que a mulherada gosta de ver os pornô light. Pode até ser, mas o que deve ter de moleque chegando atrasado no colégio…

Chegamos na última parte da análise sobre a interferência na televisão. Comecei falando da interferência política, depois da econômica, agora vem o que eu chamo de influência pessoal. Ou tráfico de influência, se desejarem. Mas eu prefiro a primeira expressão. Até porque isso começa no lado pessoal mesmo. Amizades, simpatias, antipatias, opiniões políticas, religiosas ou clubísticas, temos de tudo. E nem estou falando daqueles casos emblemáticos, fulano torce pelo clube X, vai passar a vida falando bem do time. Existe até o oposto, onde o torcedor de um clube acaba sendo mais exigente com ele e releva os problemas dos demais.
Essa coluna está um pouco atrasada, mas foi proposital. Hoje é aniversário do SS, e eu queria mesmo falar um pouco do SBT. É inegável que a crise mais aguda, de uns 3 ou 4 anos, já passou. Os erros serviram de lição; uma lição dolorosa. Incluíndo aí os problemas de outras empresas do Sílvio Santos. Hoje o SBT aprendeu que não se brinca de montar uma grade de televisão. Não existe mágica.