Papo de Olimpíada
Opa, cheguei chegando e vamos logo ao assunto da temporada: jogos olímpicos.
- Seguindo a coluna anterior (onde citei alguns dos problemas dos jogos), lembrei de outro fato que me desagrada bastante: o uso (e abuso) do dopping. E não pensem que é algo tão raro como os testes negativos andam mostrando. A questão é que nem sempre o dopping é comprovado. Ou só é depois de um bom tempo. Como no caso de certos atletas que fizeram muito sucesso em outras olimpíadas e só depois se descobriu o real motivo de tal façanha. Se alguém está muito impressionado com a quantidade de medalhas do tal Phelps, lembro que já tivemos um outro nadador que também assombrou o mundo há pouco tempo. Ele foi “convencido” a se aposentar (muito jovem ainda) e o caso foi abafado para não prejudicar a imagem do esporte.
- Umas das coisas que mais me chamou a atenção foi a diferença no comportamento de alguns atletas ao ganhar (ou perder) suas competições. Lembro do Phelps, após ganhar a quinta (ou sei lá qual) medalha e nem esboçar qualquer emoção. Ele olhou o placar, tirou os óculos (reclamando que estavam vazando), tirou a touca e jogou pro lado e saiu da piscina como se nada tivesse ocorrido de especial. Já os brasileiros… Parece que voltaram de uma guerra mundial: choram, gritam, arrancam os cabelos… E a televisão vai no embalo, transformando uma competição esportiva num caso de honra nacional. E talvez isso explique tantos atletas nossos amarelando na hora H. É muita pressão para quem não suporta nem a cobrança normal de conseguir bons resultados num evento desses.
- Dias desses, reparando nos estádios e obras que a China fez para os jogos, me ocorreu uma idéia meio maluca. Talvez idiota, até! Mas, vejam só: a gente é “bombardeado” diariamente com campanhas para preservar os recursos naturais, economizar água, reciclar papel, alumínio, etc… Daí, a cada 4 anos um país pega e constroi dezenas de estádios, parques esportivos, vilas olímpicas, centros de imprensa, etc… Tudo pra 20 dias de competições. Tá certo que as obras ficam lá pra serem usadas depois, mas é um baita desperdício de cimento, ferro, vidro e demais materiais. Por mim podiam escolher um único país (até comprar uma pequena ilha dessas que tem aos montes) e transformar no “país olímpico”. E os jogos seriam sempre lá. As obras de estrutura estariam prontas e só precisariam de uns retoques simples a cada 4 anos. Tudo bem que nunca aceitariam uma idéia dessas apesar de ser mais coerente com os problemas mundiais e com a exploração irracional dos recursos naturais. Mas então não venham me pedir pra economizar mais nada. Não mesmo!
- Não sei exatamente o nome da tecnologia (talvez touch screen ou algo assim) mas a Globo aproveitou os jogos para estreiar esse recurso em suas transmissões. É até legal o apresentador usar as mãos para puxar informações na tela e não ficar aguardando que alguém no switcher dê um play. Só não podem exagerar e usar a ferramenta em qualquer tipo de programa.
- Outro detalhe (sem tanta importância) é que tanto a Globo quanto a Band escrevem “Beijing 2008″ em suas artes e no logotipo dos jogos. E a narração sempre fala “Pequim 2008″. Sem entrar no mérito da questão ou na correção linguística, acho meio confuso. Se escrevessem “Pequim” nas telas e logotipo não iria baixar o preço do petróleo nem aumentar o dólar.
- Eu tinha imaginado que teriamos problemas maiores na narração dos jogos mas até que a coisa não foi tão ruim assim. O Galvão Bueno manteve o padrão habitual, metendo o bedelho em tudo. O Cléber Machado não cometeu falhas notáveis. O Luciano do Valle também foi tranquilo, diferente dos últimos tempos. O Nivaldo Prieto foi muito bem, como de hábito. Aliás, ele foi responsável por um dos melhores momentos ao chamar a Ana Paula e Larissa para “comentar” um dos jogos do vôlei de praia masculino. Foi um improviso e ficou muito divertido. É isso mesmo, chega de mesmice!
Desagradável mesmo é aguentar os berros do Ivan Zimmerman, como sempre, e o Sílvio Luiz gritando que a transmissão é em “rrrrrrai definxonnnnn”. Não gosto de gritaria na televisão. Nem em qualquer lugar.
- Por outro lado… O nível dos comentaristas (quase todos ex-atletas) foi abaixo do tolerável. Mas as nossas emissoras adoram colocar ex-atletas para comentar; devem ter bons motivos para tal. Azar de quem assiste. Por exemplo:
* Passava um jogo de vôlei de praia e a Larissa e Ana Paula perdiam pra dupla australiana. E a Virna só malhando a Ana Paula. Todos os erros eram culpa dela, que havia chegado de última hora, que estava desentrosada, que estava cansada… Só que os números da partida mostravam a Larissa errando 7 ou 8 saques, errando alguns ataques, falhando na defesa. Se a Virna tem algum problema com a ex-colega de seleção deveria manter o caso fora dos comentários sobre o jogo.
* O Neto… Hehehehe. O Brasil jogava contra a China e não ia tão bem. Daí o Dunga coloca o Thiago Neves e o Fernando Fernandes (acho que era ele sim) informa que o jogador era um destaque na cobrança de faltas, acertando 90%. O Neto (sempre ele), na falta de algo melhor pra falar, começa: “… e o que importa isso? Não tem falta nenhuma aí pro Thiago bater. Ele deveria ter colocado fulano, deveria ter feito tal e tal…” Passam uns minutos e o Thiago mete um golaço de falta. Mais uns minutos e outro golaço chutando de longe. Dizem que o silêncio vale ouro…
* Outro problema, até pela questão financeira, é que grande parte dos comentaristas está no Brasil e vendo as competições por um monitor. Fica difícil assim! Sem falar no atropelo de narradores e comentaristas se cortando ao falar. Ainda mais com o delay que ocorre.
- Eu duvido que as tevês abertas façam isso, mas tem uma pauta pronta: discutir o motivo do repetido fracasso brasileiro em olimpíadas. Ou alguém acha que 3 ou 3 medalhinhas é resultado bom para um país de 190 milhões de habitantes? Ou vamos continuar aguentando as habituais desculpas, os azares e as promessas de melhor resultado na próxima vez? Eu já cansei dessa lenga-lenga. Já está mais do que na hora de botar o dedo na ferida e discutir esse assunto. Sem falar que, neste país, as coisas só se resolvem quando a mídia cobra e exige mudanças.
- E falando nisso… a Record (exclusiva nos jogos de Londres) deveria estar bem preocupada com o desempenho dos atletas brasileiros em Pequim. Pagar uma fortuna para transmitir americanos e chineses dando um baile não rola. Sem falar que sempre há o risco de alguns esportes coletivos (futebol e basquete principalmente) não conseguirem classificação para os jogos. Sobra muito pouco para atrair a atenção do espectador.
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Nos comentários: O Rivaldo reclama que só faço críticas destrutivas. Depende do ponto de vista, né. Sabendo usar… E lembra que nossa ditadura também usou o esporte. Correto, mas quem gostava de cavalos era o Figueiredo, não o Geisel. O Weverton volta (reclamando da Velox - hehehe, aqui também sofro com essas coisas de conexão) e pergunta se reparei na goleira da Noruega, que deixou até o Galvão sem fala. Bem, essa não vi, mas… Tem algumas belezinhas na Olimpíada sim. Em certos esportes então… Aqueles que não deformam muito o corpo feminino, como alguns aquáticos, vôlei ou tênis. Aliás, bom mesmo é ver o nado sincronizado
Não pela competição, é claro. Aquilo ali é invenção do cinema (basta pesquisar por “Esther Williams”) e tá muito longe de ser esporte. Mas as garotas ficam ótimas: pernas definidas, bumbum empinado, aquele maiô… Hummmm! Mas a minha preferida nesses jogos é a Ana Ivanovic, outra lindona do tênis. Sem falar que tenho certa fixação pelas mulheres do leste europeu. Será que estou errado?

E, depois de tantas críticas, a Band soltou um memorando para sua equipe de esportes lembrando que no Brasileirão participam clubes de vários Estados, que não devem focar apenas nos paulistas, blá, blá, blá… Que ótima piada! Então só agora a direção da emissora percebeu o fato?? Ora, ora… Vamos parar de encenação. Está muito evidente que tal atitude dos torcedores/narradores/comentaristas sempre teve o respaldo da emissora. Se ela não estivesse satisfeita já teria demitido os fanfarrões há tempos. Muito pelo contrário.